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Encontro LGBT: evento celebra os 40 anos do movimento no Brasil

25/07/2018 às 16:24, por Renata Bars.


3ª edição acontece entre os dias 27 e 29 de julho em Salvador

Em 2018, completam-se 40 anos do começo da organização do movimento LGBT no Brasil. Em 1978, as lutas começaram sob o título ”Movimento Homossexual Brasileiro”. De lá pra cá, o MHB foi crescendo e sofreu diversas transformações que contribuiram para promover importantes mudanças na sociedade e no Estado brasileiros até se transformar no Movimento LGBT que conhecemos hoje. Celebrar o fortalecimento da luta, a organização das LGBts em busca de seus direitos é parte fundamental do 3º Encontro LGBT da UNE.

”Hoje comemoramos os 40 anos de luta com muito orgulho porque conseguimos avançar em vários setores da nossa sociedade, não só na questão legislativa, mas temos avançado também numa perspectiva judicial. Diante disso, conseguimos identificar um avanço na área da educação com cursos de extensão específicos para a população LGBT e até mesmo universidades que lançado cotas para essa população, o que é muito importante”, falou o diretor LGBT da UNE, Florentino Junior.

HISTÓRIA

O ano de 1978, quando começaram a despontar as primeiras lutas, foi marcado pela fundação do jornal “O Lampião da Esquina”, editado por um grupo de intelectuais homossexuais no Rio de Janeiro. A publicação independente era engajada na oposição à ditadura e na discussão de temas relacionados à homossexualidade masculina, mas também trazia questões relativas ao feminismo, às mulheres, aos negros e outras minorias. O “Lampião” fazia oposição à ditadura e servia para denunciar abusos contra LGBTs, como a prisão arbitrária de lésbicas devido a sua orientação sexual em 1980, em São Paulo, no que foi apelidado de “Operação Sapatão”.

Entre o final de 1978 e o início de 1979 é criado o primeiro grupo de mobilização por direitos, o “Somos – Grupo de Afirmação Homossexual”. O grupo se manifestou em público pela primeira vez durante um debate promovido pela Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), em 1979, abrindo caminho para que outras organizações se estruturassem nos anos seguintes. Em 1980, ocorre o primeiro encontro de grupos homossexuais organizados.

Em 1993, as lésbicas são incluídas oficialmente na sigla geral do movimento, quando o evento anual passa a se chamar Encontro Brasileiro de Homossexuais e Lésbicas. No encontro seguinte, realizado em Curitiba, em 1995, as travestis – que começaram a se organizar no início da década em função do impacto da Aids e o consequente aumento de casos de violência contra essa população – reivindicaram e tiveram aprovada, sem polêmicas, a inserção do T para os encontros seguintes.

Em 1995, ocorre a fundação da primeira rede de organizações LGBT brasileiras, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, ABGLT e, a partir disso, ocorre uma multiplicação das redes nacionais. No mesmo ano, o Rio de Janeiro recebe a 17º Conferência da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex, que terminou em uma pequena marcha na praia de Copacabana. No ano seguinte, um ato na Praça Roosevelt, em São Paulo reúne cerca de 500 pessoas e partir de então, começa a se planejar a primeira parada LGBT do país, que acontece no ano seguinte, na avenida Paulista.

CONQUISTAS E 13 ANOS DA DIRETORIA LGBT DA UNE

A união e o casamento civil entre homossexuais foi um direito conquistado junto ao poder Judiciário. A união estável foi reconhecida em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em 2013, pelo Conselho Nacional de Justiça.

O processo de redesignação sexual – conhecido popularmente como cirurgia de “mudança de sexo” – do fenótipo masculino para o feminino passou a ser oferecido pelo SUS em 2008. Em 2010, o processo cirúrgico do fenótipo feminino para o masculino também começou a ser feito na rede pública de saúde.

O ano de 2018, além de marcar os 40 anos de luta por direitos LGBT também trouxe algumas conquistas importantes para pessoas trans. O nome social – aquele que pessoas transexuais e travestis, por exemplo, usam para se identificar – começou a ser aceito nas escolas e pode ser incluído no título de eleitor, mesmo sem a alteração do registro civil. Também neste ano foi autorizada, pelo Supremo Tribunal Federal, a alteração do nome no registro civil sem a necessidade de cirurgia de redesignação sexual.

Neste compasso, a diretoria LGBT da UNE, que completa seus 13 anos em 2018, segue firme no ideal de promover cada vez mais possibilidades de entrada e permanência de LGBTs nas instituições de ensino, combatendo todo e qualquer tipo de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

No movimento estudantil, qualquer estudante do Brasil que desejar pode ter o direito do seu nome social respeitado no documento da UNE, UBES e ANPG. Esse direito é um avanço na visibilidade das pessoas trans, o que impulsiona a conquista de mais direitos nas universidades Brasil afora.

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