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Em São Paulo, 2º ato Fora Temer exige a volta do Ministério da Cultura

18/05/2016 às 15:21, por Renata Bars.

Sedes da Funarte na capital paulista e em outros oito estados foram ocupadas

A recente extinção do Ministério da Cultura (MinC) vem mobilizando milhares de pessoas Brasil afora. Na noite da última terça-feira (17) cerca de 10 mil estudantes, trabalhadores e membros da classe artística saíram em uma grande caminhada do Masp até a sede da Fundação Nacional das Artes (Funarte), localizada no centro da cidade, pedindo a saída do presidente interino Michel Temer e exigindo a volta do MinC.

O ato também foi simbólico por acontecer no Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia.

”Tudo que não tem no governo ilegítimo de Michel Temer tem nas ruas: mulheres, LGBT’s, negros e cultura”, exclamou a coordenadora de Juventude da União Brasileira das Mulheres (UBM) e ex-diretora de cultura da UNE, Maria das Neves.

Aos gritos de ”Fora Temer” e ”Cultura é poder”, a marcha seguiu pelas ruas de São Paulo carregada de cores, faixas, música e alegria.

A terapeuta corporal e estudante de Letras, Maíra Onaka, levou seu cachorro para a marcha. ”Estou na rua contra o golpe de estado. Esse novo governo vai contra a Constituição e nada que sairá dele será legítimo, por isso estamos na rua”, falou, apontando para o vira-lata, Minduim.

Renato Nogueira, estudante secundarista, afirmou estar na rua pela democracia. A democracia é a chave para a evolução da sociedade. E temos também a questão da cultura e toda a bagagem de arte que ela guarda desse nosso Brasil. Precisamos lutar contra o golpe e a extinção do Ministério da Cultura”, falou.

Cultura, esporte e democracia

Em meio à multidão, um grupo com camisetas de clubes de futebol participava da marcha. Laura Pinbato, torcedora do Corinthians contou que estava na manifestação em defesa da democracia e contra o golpe. ” É um golpe apoiado pelas camadas mais reacionárias e elitistas que querem acabar com os direitos e avanços sociais conquistados desde 2002.

Questionada sobre a relação do futebol com a cultura e política, Laura afirmou que a mistura tem tudo a ver com democracia e cultura. ”O Corinthians por si só tem uma tradição de ter sido fundado por operários, é conhecido como time do povo. No período da ditadura foi um time que teve a coragem de colocar a palavra democracia em seu uniforme, então estamos resgatando essa luta. Não é uma relação institucional, mas uma organização de torcedores que desejam lutar novamente pela democracia”, contou.

Mais Cultura, Menos Temer

Enquanto o 2º ato ”Fora Temer” seguia para a Funarte, no Teatro Oficina, localizado também no centro de São Paulo, outra manifestação reunia estudantes e a classe artística em defesa da cultura.

O encontro no Oficina contou com a presença do diretor do espaço, José Celso, além do ator Pascoal da Conceição, a professora e filosofa Marilena Chauí, o cantor Edgar Scandurra (da banda Ira!), Fernando Anitelli, do grupo musical O Teatro Mágico e o deputado estadual (PT-SP), João Paulo Rilo.

Para Marilena Chauí, a transformação da pasta em uma secretaria subordinada ao Ministério da Educação atinge a essência da criação artística. “A cultura é a capacidade de criação simbólica e de relação com o ausente. É por meio da memória que resgata o passado, é por meio da esperança que vislumbramos o futuro de um país. Esse governo não pode suprimir a cultura, que é a essência de todos nós. Isso se refere a toda a sociedade brasileira”, disse.

Ocupa Funarte

Dez prédios da Fundação Nacional das Artes (Funarte), espalhados pelo país, estão ocupados por coletivos de artistas que rechaçam o fim do Ministério da Cultura. Além de São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Natal, Recife, Cuiabá, Rio de Janeiro, Aracaju e Salvador permanecem mobilizados pela cultura brasileira.

”Não reconhecemos a legitimidade deste governo golpista e repudiamos o consequente desrespeito dos direitos assegurados em nossa Constituição. Este governo não tem autoridade para fechar ministérios, secretarias ou desmontar políticas sociais conquistadas. Por isso, como agentes da cultura, ocupamos este espaço para denunciar e exigir o fim deste governo ilegítimo”, afirma o manifesto publicado na página da Ocupação, no Facebook.

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