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Em Salvador, 5º Enune comemora dez anos e reafirma luta da juventude negra

06/08/2016 às 10:29, por Renata Bars Foto: Yuri Salvador.

Evento reúne mais de 1500 jovens de todas as partes do país, e acontece até domingo

”O Enune é um quilombo de resistência”, bradou uma estudante em meio à quadra da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde aconteceu a abertura do 5º Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE, na noite da última sexta-feira (5). O evento, que recebe cerca de 1500 jovens nesta edição, comemora dez anos e acontece até o próximo domingo (7).

Sua cerimônia de abertura contou com a participação de figuras importantes como a presidenta da Unegro e representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Guimarães, o representante do Movimento Negro Unificado (MNU), Herlom Miguel, a vice-presidenta da UNE, Moara Sabóia, do pró-reitor de ações afirmativas da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Wilson Matos, do representante da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas (INNPD), Dudu Ribeiro, do blogueiro e colunista da Carta Capital, Douglas Belchior, do secretário-geral da UNE, Thiago Pará e do diretor de combate ao racismo da UNE, Rodger Richer.

”É muito difícil reunir tantos jovens negros e negras, de todo país, construir esse Enune foi uma tarefa árdua que muitos chegaram a desacreditar, mas nós conseguimos. Hoje estamos aqui para mostrar que temos muita capacidade política para disputar os rumos desse país. Vamos incendiar corações e mentes de jovens negros e reafirmar que temos o direito de estar vivos, mas não só isso. Queremos acesso à uma educação de qualidade, politicas públicas para a população negra, segurança e respeito”, falou Rodger ao inaugurar o espaço.

NENHUM PASSO ATRÁS

Foi consenso entre os convidados que a conjuntura política atual merece atenção redobrada e que nenhum retrocesso deve ser aceito.

”Esse Enune é de comemoração por seus dez anos de história, mas é também de muita resistência a esse golpe que estão dando na democracia e na população negra deste país. Não admitimos dar nenhum passo atrás. Se conquistamos nossa vaga na universidade, queremos permanecer. Queremos abrir portas. Não dá mais para engolir um único negro num curso de medicina ou engenharia. Somos herdeiros e herdeiras daqueles que se libertaram das amarras da escravidão com muita luta e por isso, não iremos arredar e retroceder em direitos, mas vamos estar nas ruas, nas redes e nas universidades para conquistar mais”, enfatizou a vice-presidenta da UNE.

Para Ângela Guimarães, vivemos um golpe arquitetado pela elite branca e heteronormativa que na sua gênese visa combater os avanços sociais que mulheres, quilombolas, negros e negras obtiveram nos últimos 13 anos.

”Nossa luta é longa e tem uma estrada profunda com raízes na desigualdade, num país que foi o último do mundo a abolir a escravidão. Contudo, nós não iremos retroceder a esse golpe misógino, machista e racista. Esse Encontro é uma prova de que a juventude negra, o povo negro, tem muita força e vai continuar lutando para que não haja nenhum passo atrás”, concluiu.

GENOCÍDIO NÃO!

A juventude negra é a maior vítima de homicídios no Brasil. Segundo dados da Anistia Internacional, dos 56 mil homicídios que ocorrem por ano no país, mais da metade são entre os jovens. E dos que morrem, 77% são negros.

”Primeiramente, parem de nos matar”, destacou Dudu Ribeiro ao iniciar sua fala. O representante da INNPD afirmou que a luta na atual conjuntura política perpassa pela urgência de acabarmos com o genocídio da juventude negra.

”A violência pro povo negro sempre foi regra, o abuso do poder judiciário sempre foi regra. Nesse Olimpíada o Brasil tem uma medalha de sangue. É por isso que é urgente nos levantarmos para dizer que não aceitamos mais mortes. Nossa juventude está sendo convidada a dar respostas e é isso que faremos. É isso que esse Enune demonstra com tanta força reunida”, disse.

O Enune segue neste sábado com debates sobre empoderamento e a estética negra, linguagem antirracista e a importância da mulher negra na sociedade.

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