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Em defesa de campus próprio, estudantes da UEPB ocupam escola

02/09/2016 às 17:37, por Cristiane Tada.

Estudantes propuseram ao reitor e ao governador uma audiência pública sobre campus próprio

Na última segunda-feira (29/08), os estudantes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) organizaram uma ocupação para “descomemorar” 10 anos de Campus provisório V, de João Pessoa.

Atualmente, a Universidade ocupa o espaço físico da Escola de Ensino Médio José Lins do Rêgo, com a qual divide os períodos de funcionamento, no bairro do Cristo Redentor.
Indignados com a situação e com a comemoração programada pela reitoria no dia do aniversário do campus, os Centros Acadêmicos de Arquivologia e Relações Internacionais, o DCE, o Grêmio Estudantil da escola José Lins do Rêgo e movimentos sociais ocuparam a escola como forma de protesto para reivindicar o campus próprio da UEPB em João Pessoa.

O #MovimentoSOSCampusV contou com a participação de toda comunidade acadêmica e escolar. A ocupação dos estudantes realizou uma plenária, intervenções culturais com batucada e uma aula aberta. No final do dia, sob represálias e ameaças, os estudantes terminaram a ocupação com a elaboração de uma carta conjunta direcionada ao Reitor Rangel Junior e ao governador do Estado, Ricardo Coutinho (PSB). No documento, eles pedem uma audiência pública.

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“O movimento SOS CAMPUS V espera medidas eficazes e efetivas para resolução da situação crítica que o Campus se encontra. Solicitamos uma audiência pública a curto prazo com o reitor e o governador do estado da Paraíba para concretizar a construção do campus próprio desta unidade e deixar o atual local exclusivamente para a Escola José Lins do Rêgo”, diz trecho da carta. (Leia abaixo na íntegra)

Luta conjunta

De acordo com a estudante Jéssica Rodrigues, do CA de Relações Internacionais, é consenso dos estudantes secundaristas e universitários que a situação precisa ser revolvida. Desde 2011 eles convivem juntos com uma estrutura precária das salas, falta de equipamento data show e ventilador, sem auditórios e laboratórios suficientes, sem espaço para alimentação, entre outras dificuldades. Antes deste, o Campus V da UEPB já tinha passado por outros 3 endereços provisórios.

“Chegamos a receber um recurso para a construção de um laboratório e a universidade não pôde usar porque a estrutura é da Escola”, lamenta. Isso porque o terreno e o prédio são do Estado. Já alguns equipamentos, como bebedouros e lixeiras, pertencem à universidade.

Nesse imbróglio, nem Escola e nem universidade podem crescer e oferecer mais vagas em um terreno que é mal aproveitado e onde apenas 25% é de construção.
As reivindicações dos estudantes são claras.

“O propósito do Centro Acadêmico de Arquivologia, DCE, Grêmio Estudantil e movimentos sociais é alcançar o cumprimento das promessas da reitoria que beneficiaria todo o corpo do Campus V: docentes, discentes e servidores”, divulgou ainda o movimento SOS CAMPUS V em nota.

A carta ao Reitor já foi enviada e os estudantes aguardam diálogo com a reitoria, o que ainda não conseguiram.

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Leia a Carta na íntegra:
Carta aberta ao Reitor, ao Governo do Estado e a comunidade acadêmica,

A Universidade Estadual da Paraíba tem como sede em Campina Grande. Em 2006, foi criado, em João Pessoa, o quinto campus da instituição, o Centro de Ciências Biológicas e Sociais Aplicadas, que conta com três cursos de bacharelado, a saber: Arquivologia, Biologia e Relações Internacionais. Dois anos após a criação do campus em João Pessoa, enfrentando crise de espaço, os cursos passaram a ocupar locais distintos. Arquivologia e Biologia permaneciam na Escola de Serviço Público do Estado da Paraíba (ESPEP), em Mangabeira 7 e Relações Internacionais ocupavam um edifício na Av. Epitácio Pessoa. Quatro anos depois, em 2010, os três cursos se juntaram nas instalações de uma escola pública na rua Monsenhor Walfredo Leal, constituindo pela primeira vez algo que se assemelhasse a um campus universitário da UEPB em João Pessoa.

O Governo do Estado doou para a Universidade Estadual da Paraíba um terreno para a construção do campus próprio em João Pessoa, na antiga ENARQ, a construção não foi feita por problemas jurídicos e administrativos entre o governo do Estado e a empresa em questão, especula-se que pela
demora da construção do prédio, este terreno tenha sido doado para o Ministério Público da Paraíba, mas quando indagados pelo motivo real desta doação, as instâncias administrativas não sabem responder.

Em 2011, o campus universitário migrou, mais uma vez, agora para a Escola de Ensino Médio José Lins do Rêgo, com o argumento da grande evasão de alunos da escola e uma gradual aniquilação da mesma. Não foi o que ocorreu. Com a presença da Universidade Estadual houve um fortalecimento da Escola José Lins do Rêgo e uma grande procura da comunidade pelas vagas escolares. Simultaneamente, a fusão da universidade e a escola, em 2011, houve a assinatura de um Termo de Cooperação técnica, no qual os professores do ensino médio ganhavam uma gratificação para iniciarem projetos com os discentes da escola em turnos opostos aos de aula.

Posteriormente, este termo foi considerado ilegal pelo Tribunal de Contas e apresenta para a comunidade estudantil uma forma de concitar tais professores de ensino médio para a situação imposta.

Atualmente, a UEPB e a escola José Lins dividem o mesmo espaço físico. Como se sabe, as necessidades de uma universidade é diferente das de uma escola. A divisão do espaço acarreta nas dificuldades estruturais tanto para o Campus – V quanto para a escola, sem a definição de investimentos substanciais para ambos.

Hoje, dia 29 de Agosto, é o aniversário da fundação de um campus da Universidade Estadual da Paraíba na capital João Pessoa. Em comemoração, a direção de campus estava organizando um evento para mostrar todos os aspectos positivos do campus com apenas um stand em referência à
instabilidade do espaço físico causada pela inexistência de um campus próprio.

Porém, os alunos resolveram ocupar de forma legitima o espaço onde atualmente funciona o campus, com o objetivo de representar realmente o sentimento que emana nessa data: o de insatisfação; não de comemoração.

Ao observar a movimentação estudantil, a direção de centro abriu um diálogo com os estudantes com o intuito de que o evento que seria realizado a tarde fosse mantido. Após a sugestão, foi realizada uma assembleia estudantil e, por meio de votação, a proposta foi recusada. A coordenação de centro acatou a decisão e demonstrou respeito, chegando a anunciar que iria apoiar o movimento, e a ocupação seguiu a sua programação.

No entanto, por volta do meio dia, foi anunciado que todos os servidores seriam liberados e tentaram confiscar os instrumentos (caixa de som, microfones, etc).

Não bastando isso, em complô com a direção da escola José Lins do Rego, os portões da escola foram completamente fechados, impedindo a entrada em um espaço público para efetivar o diálogo dos estudantes universitários com os estudantes secundaristas afirmando que o movimento SOS CAMPUS V vem para tomar o espaço da escola, criando um ambiente de conflito entre eles.

Diante disso, reiteramos que essa informação é inverídica, pois o movimento é a favor de um campus próprio, deixando o prédio atual exclusivamente para a E.E.E.M Escritor José Lins do Rêgo.

É importante também salientar que o Centro Acadêmico de Relações Internacionais, juntamente com o Centro Acadêmico de Arquivologia, DCE, Grêmio Estudantil e movimentos sociais, repudia completamente esse comportamento da Direção de Campus, pois esse movimento tem como objetivo alcançar o cumprimento das promessas da reitoria que beneficiaria todo o corpo do Campus V: docentes, discentes e servidores.

Portanto, o movimento SOS CAMPUS V espera medidas eficazes e efetivas para resolução da situação critica que o campus se encontra. Solicitamos uma audiência pública a curto prazo com o reitor e o governador do estado da Paraíba para concretizar a construção do campus próprio desta unidade e deixar o atual local exclusivamente para a escola José Lins do Rêgo.

29 de Agosto de 2016

Assinam essa carta:

Diretório Central dos estudantes da UEPB

Centro Acadêmico de Relações Internacionais Epitácio Pessoa

Grêmio Estudantil José Lins do Rêgo

Coordenação de Relações Internacionais UEPB – Campus V

Coordenação de Arquivologia UEPB – Campus V

União da Juventude Socialista João Pessoa e Paraíba

Associação dos Estudantes Secundarista da Paraíba

Coletivo Feminista Brígida Lourenço

UEPB em Movimento

União Nacional dos Estudantes

Levante Popular da Juventude da Paraíba

Frente Brasil Popular da Paraíba

CUT Paraíba

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