Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Educação não é mercadoria, nem ditadura

08/10/2015 às 15:50, por Renata Bars.

Unime, na Bahia, ameaça expulsar estudantes que lutam por melhorias

De forma autoritária, a direção da Faculdade Unime, localizada na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia, decidiu, na última quarta-feira (7/10) abrir sindicância solicitando a expulsão de três estudantes que participaram de uma manifestação por melhorias na instituição.

A instituição faz parte do Grupo Kroton, maior empresa privada brasileira no ramo da educação no país. Os estudantes relatam que após a fusão as salas de aulas começaram a ficar superlotadas e grande parte das disciplinas, incluindo o trabalho de conclusão de curso (TCC), passaram a ser ministradas em plataforma online.

‘’Muitas disciplinas estão sendo feitas de forma online para diminuir custo da instituição, mas as nossas mensalidades não diminuíram. Estudamos em uma das universidades mais caras do estado da Bahia e não temos nem mais banca de TCC presencial’’, relatou o estudante de Direito e presidente do DCE, Victor Quilici.

Victor é um dos estudantes ameaçados de expulsão por participar de um protesto realizado no dia 29 de setembro. Ele chegou a ser suspenso pela diretoria, mas conseguiu retornar por determinação de um mandado de segurança impetrado contra a Unime. A instituição alegou ‘’comportamento colérico e admoestação de funcionários’’.

O estudante, no entanto, rebate as acusações. ‘’O campus é cercado de câmeras por todos os lados e não anexaram nenhuma imagem ou áudio ao processo. Querem expulsar as pessoas que pensam e se manifestam contra as irregularidades. É uma postura ditatorial’’, falou.

Durante a manifestação mais de mil estudantes barraram a entrada do campus, com apitos, faixas e cartazes contra a má prestação de serviços, superlotação das salas, demissão de professores e aumento dos números de matérias online.

Por meio de nota, a assessoria da Unime informou que não é contra as manifestações, mas alegou processo de suspensão por conta da incitação à desordem e agressão moral.

Para Victor, a postura da instituição é arbitrária e ilegal. ‘’A Unime quer colocar o regimento interno dela acima da Constituição Federal”, exclamou.

LUTA DA UNE

Na última terça-feira (6/10), a Caravana da UNE a Brasília arrancou compromissos importantes do novo ministro da educação, Aloizio Mercadante, e a revisão das disciplinas online nas universidades particulares foi um deles.

O ministério se comprometeu a rever a prática por algumas instituições privadas de ensino superior, que incluem 20% das disciplinas dos cursos presenciais de graduação na modalidade ensino a distância (EaD). Para a UNE, essa prática ocorre visando apenas a economia de recursos e não a melhoria da qualidade do ensino, o que deveria prevalecer.

Diante das manifestações da entidade, o ministro Mercadante determinou a criação de uma comissão para analisar esse e outros casos, deixando claro que a permissão de que 20% da carga horária sejam ofertadas a distância deve ser feita dentro de rigoroso padrão de qualidade e que o MEC não aceita que seja utilizada para reduzir custos. A comissão ficará a cargo da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres).

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo