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“É na escola que passamos a maior parte do dia, lá não pode caber opressão”

11/12/2017 às 16:52, por Cristiane Tada.

Novo presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) foi eleito no último dia (29/11) do 42º Conubes
(Guilherme Imbassahy / Cuca da UNE)

Site da UNE entrevistou Pedro Gorki, o novo presidente da União Brasileiras de Estudantes Secundaristas

O novo presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Gorki, foi eleito no último dia (29/11) do 42º Conubes, pela chapa “Secundas em luta, em defesa da educação e do Brasil”, tem 16 anos e é natural de Natal (RN).

Calouro no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), ele faz o primeiro ano do curso médio integrado de Lazer. Pedro conta que sempre gostou de estudar, mas só conseguiu passar na disputada instituição após três tentativas.

Em meio às ocupações de escola em 2016 ele saiu direto de uma ocupação para fazer a prova e deu certo.

Meus pais estudaram no Instituto Federal e estudar lá era importante para a mim. O IF abre muitas portas, além de garantir coisas como um bolsa, auxílio transporte, alimentação, coisas que se eu não estudasse lá, iria complicar em casa”, afirmou.

Fã de futebol, torcedor do América ”infelizmente na série D”, Pedro cita versos Belchior e Fernando Pessoa, tem no Spotify desde Reginaldo Rossi até MC Fióti, e conta que gosta de filme de terror.

Para a gestão ele quer garantir que os secundas ocupem “tudo que for necessário para garantir que nenhuma escola seja fechada”.

Conheça um pouco mais sobre o jovem que vai liderar os estudantes secundaristas em todo o Brasil pelos próximos dois anos e defende que escola seja alegre e democrática.

O que você mais gosta na escola?

Gosto do IF por ser o bairro que eu nasci, onde estava os meus tios, meus familiares estão, perto da praia, tinha dias que saia da escola e ia direto para a praia.

O que eu mais gosto lá era o que o instituto pode me proporcionar fora de lá também, os amigos, o ensino de qualidade que tem no Instituto Federal que a gente tem que defender a ampliação desse ensino.

Acho que a escola não pode se limitar a ser apenas aquelas quatro paredes, aqueles quatro muros. A escola é a praia que tá no final da rua, é a batalha musical de rola ali na rua, é a gente sair de lá e ir para o teatro que tem ali perto, na rua da minha escola estava o maior teatro de Natal.

Das matérias eu gosto muito de história, até me dava bem em matemática, física e química, mas não rola aquela química. Gosto também de geografia política. Sempre gostei de estudar, as vezes em cima da hora da prova, mas sempre me dei bem.

E música e filmes, o que você gosta?

No meu Spotify tem desde Reginaldo Rossi até MC Fioti. Sempre fui muito eclético em todas as coisas na minha vida, filme música. Meu cantor favorito é Belchior que fala muito do que sou eu, jovem que desce do Norte para a cidade grande.

Gosto de filme de terror, depois fico uns três dias me ‘cagando’, mas passa, eu gosto de me desafiar, da emoção.

Depois de dois anos que os secundaristas ocuparam escolas em todo o Brasil, qual o desafio de sua gestão que assume agora a UBES?

Acho que para gestão temos que trazer cada anseio dos secundaristas que ocuparam as centenas de escolas em todo o Brasil. São os anseios de uma escola democrática, que tome partido e não uma escola sem partido e com mordaça, o anseio de uma escola sem machismo, sem racismo e sem LGBTfobia, mas principalmente uma escola alegre. As ocupações transformaram as escolas em ambientes alegres, as escolas precisaram ser ocupadas para se tornarem escolas. É essa nossa preocupação transformar a escola em um lugar alegre, com cultura, com democracia e onde a gente possa ser quem nós somos. Porque se é na escola que passamos a maior parte do dia, lá não pode caber qualquer tipo de opressão. Nesses dois anos temos que garantir que vamos ocupar tudo que for necessário para garantir que nenhuma escola seja fechada, reorganizada e para garantir que não transformem as escolas num laboratório das maldades do governo Michel Temer, assim como estão querendo pautar aqui em São Paulo 61 privatizações de escolas que estão em estado de vulnerabilidade. Tenho certeza que com a inteligência coletiva de cada secundaristas do Brasil, vamos conseguir transformar esse desafio em um grande exito.

Qual é a cara do estudante secundarista de hoje?

Acho que é de uma mulher negra. Porque acho que as ocupações trouxeram muito à tona a importância e relevância do movimento feminista no movimento social. A primavera secundarista veio com consonância com a primavera feminista. As ocupações foram lideradas em sua maioria por meninas, então eu acredito que a cara do secundarista é daquela menina que dorme tarde porque chega tarde da escola, acorda muito cedo porque tem que pegar dois busões para ir para a escola, que passa aperreio para chegar porque não tem passe-livre, ou porque tem muito trânsito, violência no caminho da escola, é aquele secundarista que está assistindo aula de física, ou não porque não tem professor de física na escola, e tá ouvindo barulho de tiroteio perto da escola. Infelizmente, é essa a cara do secundarista, sofrida, mas além de tudo isso ele tem a cara da esperança. Foi essa cara da esperança que transformou o Brasil em uma grande ocupação no ano passado. Num país continental como esse conseguimos ocupar escolas em todos o Estados com o mesmo anseio por essa escola nova. Quem é secundarista carrega dentro de si como dizia Fernando Pessoa “todos os anseios do mundo”. E trazemos esse desejo de transformar esse sonho em realidade.

Você falou de uma escola com cultura, a UBEs está inaugurando um circuito cultural de secundarista, o CIRCUS. Como vai ser isso?

O CIRCUS é uma ação que já tem um pensamento e já tivemos em outros períodos, que agora a UBES está resgatando. Assim como a UNE faz com o Circuito de Cultura e Arte, Cuca da UNE, nas universidades é fazer o mesmo nas escolas. Uma das principais pautas das ocupações é que a escola era chata, que não dialogava com a realidade do jovem estudante brasileiro. E hoje a gente vê que a galera que tá na escola curte a cena do rap, do funk, mpb, rock, e a ideia é trazer isso para o CIRCUS e revelar talentos nas escolas brasileiras e principalmente conseguir conectar a nossa palavra de ordem e traduzi-la em arte. Traduzir nossa palavra de ordem contra a lei da Mordaça numa rima de funk, a reformulação do ensino médio numa rima de rap, em poesia, em algo que chegue mais forte aos secundaristas.

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