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Diretoria de Combate ao Racismo da UNE e CONAQ debatem ensino superior

04/01/2016 às 18:07, por da Redação .

Políticas específicas para quilombolas no ensino superior foi centro do debate durante a 3ª Conferência Nacional de Juventude

“Anda quilombola anda, molha o pé mas não molha a meia. Viemos lá do quilombo fazer política na terra alheia.”

Foi com alegria que no dia 18 de Dezembro de 2015 a Diretoria de Combate ao Racismo da UNE se reuniu durante a 3ª Conferência Nacional de Juventude em Brasília (DF) com a juventude da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), o Fórum de Juventude Negra (FONAJUNE) e o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) para debater a perspectiva quilombola na educação superior e no movimento estudantil.

Em linhas gerais, na reunião se discutiu o não acesso dos(as) estudantes quilombolas às políticas e programas de iniciação científica e à docência; as grades curriculares que não contemplam a perspectiva quilombola; o acesso às Residências Universitárias pelos(as) estudantes quilombolas; os problemas relativos às políticas de permanência, pré-acesso e pós-permanência e a necessidade de se criar políticas específicas para quilombolas no ensino superior.

De acordo com o diretor da pasta da UNE, Rodger Richer as principais propostas apresentadas foram as seguintes: estender a bolsa permanência do MEC – específica para quilombolas e indígenas -para o ensino superior (público e privado) e técnico; fortalecer uma política nacional para as comunidades quilombolas e criar o PIBIC afro/quilombola tendo em vista formar pesquisadores(as) quilombolas e assim combater o racismo institucional.

Para o diretor a reunião cumpriu o papel de debater com os(as) próprios(as) estudantes quilombolas quais os problemas que a comunidade quilombola sofre no ensino superior e pensar conjuntamente como solucioná-los. “Através do constante diálogo com os movimentos sociais é possível pensar em uma educação transformadora que vise construir um país sem opressores. A universidade está cada vez mais se pintando de povo e é preciso que tenham políticas que garantam a permanência desse novo perfil de estudante. A Diretoria de Combate ao Racismo da UNE se coloca a disposição para potencializar a construção dessa pauta e fortalecer a perspectiva quilombola no ensino superior e no movimento estudantil”, afirmou.

Em síntese, houveram os seguintes encaminhamentos e propostas:

  • Demarcação e regularização dos territórios quilombolas em todo Brasil, de modo que a Educação do Campo, e a Educação Escolar Quilombola sejam respeitas e valorizadas, bem como a memória e cultura das comunidades negras rurais e quilombolas;
  • Priorização de estudantes quilombolas dentro das Bolsas do PIBID (Programa de Iniciação à docência) para formação de futuros professores quilombolas das próprias comunidades;
  • Criação de bolsas para pesquisadores (as) quilombolas dentro das universidades, através do PIBIC de modo que incentive que as pesquisas realizadas nas comunidades sejam realizadas por pesquisadores (as) oriundos de comunidades quilombolas;
  • A criação de editais públicos voltados especificamente a estudantes indígenas e quilombolas, e de povos e comunidades tradicionais, com ampla e prévia divulgação à respeito dos programas  de acesso à universidade em todo o território nacional, e de diferentes mídias e meios de comunicação;
  • Que a UNE realize diálogos em todas as universidades federais para que estas possam aderir ao PRONERA QUILOMBOLA, com a criação de turmas específicas para estudantes quilombolas em diversos cursos, tais como: Direito, Medicina, Pedagogia, Antropologia, sobretudo em cursos de Licenciatura e das áreas Agrárias e Ambientais;
  • Ampliação da Bolsa Permanência para todos os estudantes quilombolas no ensino superior e técnico. Hoje a bolsa permanência atende apenas aos estudantes quilombolas e indígenas que cursam ensino superior em Universidades e Institutos Federais, o que atende apenas uma parcela mínima da população estudantil quilombola, visto que a grande maioria dos estudantes se encontra em faculdades particulares, ou púbicas estaduais;
  • Criação de uma rede nacional de contatos e pesquisadores quilombolas, para identificação de professores Orientadores que possuam proximidade, trabalho e especialização comprovada que possam instruir estudantes quilombolas em suas pesquisas. Por vezes, não encontramos orientadores que queiram ou que tenham como especialidade os temas que envolvem as comunidades quilombolas, o que gera dificuldades, ou em muitos casos a desistência da pesquisa;
  • A necessidade de realização de uma pesquisa específica sobre o perfil das escolas quilombolas existentes, e da educação que nossos adolescente e jovens vem recebendo nas escolas dos ensinos tradicionais;
    A necessidade de transportes para o deslocamento de estudantes universitários das comunidades até as instituições de ensino;
  • A instauração de jovens quilombolas oficialmente no Conselho Nacional de Juventude, para que as pautas dos jovens descendentes de quilombos sejam valorizadas e encaminhada com o devido grau de importância;
  • Foi firmada ainda uma parceria entre a Diretoria de Combate ao Racismo da UNE e a Juventude Quilombola da Conaq, para elaboração de uma campanha voltada especificamente a estudantes quilombolas, de incentivo à entrada e permanência no ensino superior, para o segundo semestre de 2016.
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