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Diretoras da UNE defendem empoderamento e visibilidade aos estudantes trans

07/08/2015 às 14:26, por Cristiane Tada.

Pela primeira vez em 78 anos  a entidade tem diretoras trans em sua composição

Ampliar a oportunidade das trans estarem nas universidades é um tema urgente para na gestão 2015-2017 da União Nacional dos Estudantes de acordo com as estudantes de Direito Daniella Veiga e Amanda Souza, da UNIC de Cuiabá (MT) e da Unaes Anhanguera de Campo Grande (MS), respectivamente.

As duas estão entre os 85 diretores e diretoras da UNE que representam 7 milhões de estudantes brasileiros.

“Desse grupo de 200 pessoas [presentes no Seminário da UNE] somos apenas duas trans. A exclusão social nos faz sair da escola primária, da escola secundária e automaticamente poucas são as ingressantes dentro Ensino superior, por causa do preconceito em relação ao nome dispare do gênero, por causa do preconceito quanto ao uso do banheiro. É uma exclusão escolar e não evasão”, afirma Amanda.

Ela além de integrante do DCE Unaes Anhanguera é vice-UNE no Mato Grosso/ Mato Grosso do Sul.

Já Daniela é a 1º diretora LGBT da entidade. Ela afirma que ver as trans dentro das salas de aulas, com seus nomes sociais e sua dignidade humana respeitadas é uma das principais lutas da pasta LGBT dentro do movimento estudantil. “Uma universidade heteronormativa, branca, católica e conservadora acaba refletindo na formação de seus profissionais, o principal ponto é desconstruir esses pensamentos conservadores dentro dos espaços universitários, levando o debate para as salas de aulas, CAs, DCEs e a comunidade acadêmica como um todo”, afirma.

Vai ter trans na UNE e na Universidade

Essa é a primeira vez que a UNE tem diretoras trans nos espaços de poder da entidade.

Para Daniela isso significa um avanço para toda a comunidade LGBT.

“Quero deixar o legado para que outras trans possam ocupar esse espaço. Temos potencial suficiente para estar presentes em todos os debates do movimento estudantil, não apenas aqueles voltados às políticas LGBT”, afirmou.

Elas afirmam que em quase 80 anos de história da UNE ter as primeiras diretoras trans empoderadas é sim avanço. “São passos lerdos, mas a gente continua caminhando, e é isso o importante, não desistir nunca”, afirmou Amanda. E continua: “Essa oportunidade dentro da UNE nos faz mostrar que além do LGBT existem vários Ts esquecidos e que as questões dos travestis e transexuais podem sim ser citadas, mas não pontuadas pelas outras classes, porque nós é que sabemos o que sofremos com a questão do nome social, da segregação e ameaças dentro da universidade, sobre o uso do banheiro que é uma coisa extremamente simples, mas se torna complexa para uma trans na vida universitária”.

A diretoria LGBT aprovou o seu planejamento de ações para esta gestão durante o Seminário de Gestão da UNE. Leia aqui o documento.

♥ as diferenças

A Identidade de gênero é uma experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos e outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos. É a percepção que uma pessoa tem de si como sendo do gênero masculino, feminino ou de alguma combinação dos dois, independente de sexo biológico. Trata-se da convicção íntima de uma pessoa de ser do gênero masculino (homem) ou do gênero feminino (mulher).

A abreviação trans é usada para quem se declara travesti ou transexual.

Transsexual é a pessoa que, por se sentir pertencente ao outro gênero, pode manifestar o desejo de fazer uma cirurgia no seu corpo para mudar de sexo, o que não acontece com as travestis.

Muitas travestis modificam seus corpos com ajuda de hormônios, terapias, implantes de silicone e cirurgia plásticas, mas ainda desejam manter o órgão sexual de origem, segundo a definição adotada pela Conferência Nacional LGBT de 2008.

Números alarmantes

O Brasil está no topo do ranking de assassinato de homossexuais com 48% dos crimes que acontecem no mundo. Desses 48%, 57% são travestis e transexuais que são assassinadas pelo seu gênero, por serem femininas. Apesar dos números, as estudantes denunciam a falta de políticas públicas para esse público. Elas afirmam que existem ações específicas para homens gays e mulheres lésbicas, mas para trans atualmente apenas em 3 Estados  do país: São Paulo, Pernambuco, Mato Grosso do Sul. Em sua maioria são políticas voltadas para prevenir a automedicação e a para a questão da violência.

Para Amanda enquanto os estudantes não trabalharmos nas questões de direitos humanos as opressões ocorridas durante os séculos, não vamos conseguir empoderar ninguém.

“Assim foi com as mulheres, o feminismo mesmo começou no século XVIII e ainda hoje no século XXI as mulheres continuam lutando por suas políticas públicas. Nós apenas iniciamos o movimento em si tem três décadas que ascendeu, ainda temos muita luta pela frente”, afirmou.

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