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Diretora da UNE tem trabalho sobre o genocídio da Juventude Negra premiado

24/02/2017 às 19:09, por Redação.


Tamires Gomes Sampaio é proUnista e se formou em Junho de 2016 na Mackenzie

A 2° Vice-Presidenta da UNE, Tamires Gomes Sampaio, ganhou o Prêmio Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Direito do Mackenzie do ano de 2016. Com o título Segurança Pública e Cidadania: o genocídio da juventude negra no Brasil, a autora quis comprovar que existe sim um genocídio em curso.

Para isso partiu da análise bibliográfica desde o início da história da população negra no nosso país, teorias de segurança pública e o genocídio, e dados de pesquisas relacionadas a letalidade policial e homicídios.

“Resolvi falar sobre esse tema por conta da minha militância no movimento negro principalmente. Existe um debate sobre ‘genocídio’ ser uma palavra muito forte, e que o que acontece aqui com a população negra aqui não se enquadrava juridicamente nesse crime e eu queria provar através do trabalho que era genocídio sim. Tive um professor de Penal que fez doutorado em segurança pública e cidadania e através da tese dele eu tive um norte pra falar sobre o tema, e ele topou me orientar no TCC”, contou ela.

A estudante se formou em junho do ano passado e apresentou o TCC em maio.

Sobre o prêmio ela conta que levou um susto quando recebeu a notícia e que tem muito orgulho em ser premiada por um trabalho com um tema tão essencial pra sua vida . “Foi tão corrido fazer esse trabalho, tinha o meu emprego, tinha a gestão da UNE, milhares de coisas para fazer, nunca imaginaria isso”. Tamires trabalhou como estagiária na Secretaria de Igualdade Racial e no Instituto Lula.

Negra, proUnista e engajada

A 2° Vice-Presidenta da UNE já está acostumada a quebrar paradigmas. Ela foi destaque na imprensa em 2014 ao ser eleita a a primeira mulher negra, prounista, da periferia, presidenta do Centro Acadêmico João Mendes Jr de umas das melhores e mais elitistas faculdades de Direito do país. Mas ela afirma que apesar de conservadora, a Faculdade de Direito tem muitos professores progressistas.

No TCC ela conta que os “8 meses de gestão do Centro Acadêmico João Mendes Jr. foram os mais intensos da minha vida, virou meu mundo de ‘cabeça pra baixo’, foi, de longe, o melhor estágio que poderia ter, e o momento em que amadureci de uma forma que não imaginei ser possível”.

No Mackenzie ela também ajudou na reogranização do coletivo AfroMack, Coletivo de pretas e pretos da Universidade. “Eu acho que hoje os estudantes estão mais organizados para dar respostas as atitudes machistas, racistas ou lgbtfóbicas que acontecem no Mackenzie. Mas esta organização também gera reação, como as pichações dos banheiros, por exemplo.”

Esta semana pichações de cunho LGBTfóbico e machista foram encontradas nos banheiros dos prédios 4, 6, 24 e 25 da Instituição. O Coletivo LGBT Mackenzista, com o apoio dos Coletivos Afromack, a Frente Feminista Mackenzista e Frente Ampla Mackenzie da Universidade Presbiteriana Mackenzie divulgaram uma nota de repúdio ao acontecimento.

Várias Tamires pelo Brasil

Neste mesma semana foi divulgada uma pesquisa que analisou a nota de mais de um milhão de universitários brasileiros no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) mostra que os estudantes com bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni) tiveram nota mais alta do que estudantes não beneficiados pelo programa.

O estudo foi realizado por Jacques Wainer, professor titular do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas, e Tatiana Melguizo, professora associada da Rossier School of Education da University of Southern California.

A base de dados do estudo foi constituída dos resultados do Enade nas edições de 2012, 2013 e 2014. “Os alunos do ProUni tiveram em média notas maiores que seus colegas, tanto no exame geral quanto no específico. Essas diferenças são estatisticamente significativas (não são devidas à sorte) e são de importância prática na definição deste artigo”, dizem os pesquisadores.

Uma explicação possível para o alto desempenho dos bolsistas do Prouni, de acordo com o estudo, é a alta exigência que o programa do Ministério da Educação impõe aos estudantes, tanto no momento da seleção (só podem concorrer às bolsas quem tiver uma nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio) quanto durante toda a graduação. “É provável que alunos com bolsa Prouni são alunos com uma melhor formação ao final do segundo grau que seus colegas de classe. O Prouni ainda exige uma aprovação em pelo menos 75% das disciplinas cursadas no semestre anterior, e isto talvez tenha um impacto positivo no desempenho do bolsista”.

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