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Dia da Consciência Negra é comemorado em todo o Brasil

23/11/2015 às 13:40, por da Redação com infos da CUT-SP e G1l Foto: UOL.

Reparação e luta contra o racismo são bandeiras em todos os Estados

Mais de mil cidades brasileiras comemoraram, no último 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra. A data, incluída em 2003 no calendário escolar nacional, se refere à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares.

Em São Paulo o protagonismo das mulheres negras e o alerta ao genocídio da juventude negra deram o tom da mobilização na XII Marcha da Consciência, que reuniu cerca de 5.000 militantes dos movimentos sociais no vão livre do Masp.

E num país onde os jovens negros de até 24 anos são cerca de 70% das vítimas de assassinatos, revela o Mapa da Violência, o alerta ao extermínio da juventude se acirra ainda mais diante de projetos como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171, que reduz a idade penal de 16 para 18 anos.

Como caminho para redução da violência, o movimento negro defende, entre outras medidas, a desmilitarização das polícias, como propõe a PEC 51/2013, que tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.

Outro medida é a aprovação do Projeto de Lei 4471/12, que tramita na Câmara Federal e visa alterar o Código Penal para dar fim aos chamados “autos de resistência” ou “resistência seguida de morte”, denominações genéricas aos crimes cometidos pela polícia e que hoje deixam de ser investigados devidamente.

No Rio de Janeiro uma marcha em Ipanema, na Zona Sul carioca, pediu o fim da “Operação Verão”, que com a desculpa de impedir arrastões nas praias cariocas tem realizado blitz dos ônibus que saem da Zona Norte. De acordo com integrantes dos movimentos negros e sociais a medida tem como objetivo impedir que negros e pobres frequentem estes espaços nos bairros nobres.

Em Salvador na Bahia, duas caminhadas para celebrar o Dia da Consciência Negra tomaram ruas do bairro da Liberdade até o Pelourinho, além do centro de Salvador (Avenida Sete até a Praça Municipal), durante a tarde e início da noite do dia 20. Milhares de pessoas participaram da celebração ao som da Band’Aiyê (Ilê Aiyê), Muzenza, Cortejo Afro, Os Negões, Malê Debalê e Okambi.

As lideranças comemoraram ainda a realização da Marcha das Mulheres Negras, com mais de 20 mil pessoas entre trabalhadoras, camponesas, quilombolas, coletivos feministas de todas as vertentes, movimentos negros que mostram sua voz, exigindo igualdade e a necessidade de lutar contra o racismo em Brasília no último dia 18 de novembro.

Contra a invisibilização

Para o diretor de Combate ao racismo da UNE, Rodger Richer, mesmo com a aprovação da Lei 10.639, que prevê o ensino da história de África, muitos professores não colocam essa questão com centralidade nas aulas. Ele denunciou que nas universidades isso também não é diferente.

“Nas universidades há um forte processo em curso de morte da produção de conhecimento da população negra: o epistemicídio. Esse conceito sintetiza o racismo encravado nas estruturas das Instituições de Ensino Superior. Muitos projetos de pesquisa elaborados por negros(as) que tratam do racismo e da população negra são rechaçados pelas bancas de mestrado, doutorado e monografia. Trata-se de uma cláusula de barreira que visa cercear a ocupação do espaço universitário pelos corpos negros e suas consciências”, afirmou.

Para o estudante ainda é muito contraditório no Brasil — onde a imensa maioria da população é negra — não observar a população negra ocupar proporcionalmente os de espaços de poder.

E continuou: “É preciso virar o tabuleiro desse jogo e construirmos uma nova correlação de forças que tenha uma perspectiva afrocentrada. Nós queremos ser protagonistas da nossa própria história e vamos lutar para que as nossas histórias sejam visibilizadas e narradas por nós mesmos.”

Políticas Nacionais

A fusão das secretarias de Direitos Humanos (SDH), de Políticas para Mulheres (SPM) e de Políticas Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em um único ministério, medida tomada pelo governo federal no início de novembro, frustra os avanços conquistados pelo movimento negro, destacou Sandra Mariano, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) para a reportagem da CUT-SP.

“Nós entendemos e acreditamos que as políticas de promoção de igualdade racial e as de politicas para as mulheres ainda permaneçam, porém, é lógico que o ritmo vai mudar. Mas acreditamos no compromisso do governo Dilma com os negros e as mulheres”, conclui a liderança.

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