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Desmonte da UERJ é golpe na democratização do ensino superior no Brasil

15/09/2017 às 18:03, por Renata Bars.


Instituição que foi a primeira a implementar as cotas raciais e sociais hoje sofre com corte de verbas

Considerada a quinta melhor universidade brasileira, segundo dados compilados pela revista americana US News & World Report, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), enfrenta atualmente uma grave crise. A instituição é também reconhecida por ter sido a primeira a implementar o sistema de cotas raciais e sociais no país, e, por isso, o seu desmonte com a crescente falta de verbas e o fantasma da privatização assusta a comunidade acadêmica.

Para a diretora de combate ao racismo da UNE Dara Ignacio, o desmonte da UERJ e da educação pública como um todo é uma política que apenas favorece a evasão de negros e negras, pessoas de baixa renda e indígenas na universidade.

”A democratização da universidade possibilitou não só a ascensão desse público originalmente privado da educação superior, mas também fez com que as universidades tivessem que repensar seus currículos, sua estrutura e formas de produção do conhecimento. Nesse sentido, acabar com a educação pública é fazer com que esses indivíduos que passaram a ocupar a universidade retornem à base da pirâmide da exploração do capital. O desmonte só irá beneficiar aqueles que tenham condições de arcar com custos de passagem, livros, e alimentação consigam se manter. É a manutenção do privilégio em detrimento de uma universidade realmente popular”, falou.

O sistema de cotas da Uerj foi implantado no ano de 2003 com 40% das vagas destinadas ao estabelecimento de políticas afirmativas, porém, neste ano, a evasão tomou conta da instituição: foram 55% menos inscritos no vestibular.

A CRISE

A crise na UERJ tem origem na falta de dinheiro nos cofres públicos do estado do Rio de Janeiro. No início de 2016, o orçamento sofreu cortes de 22% no custeio e de 4% no investimento. De lá pra cá, aconteceram atrasos nos salários dos funcionários e professores, suspensão do calendário letivo, falta de verbas de manutenção, corte de bolsas de pesquisa, e o recente parecer do Ministério da Fazenda sugerindo o ”fim do ensino superior gratuito” como forma de recuperar a saúde fiscal do estado.

”Esse parecer é uma incompreensão por parte do governo do que representa uma universidade pública estadual. Por isso, a UNE tem se colocado ao lado dos DCEs e da comunidade acadêmica da UERJ para dar uma reposta e dizer que a universidade pública vai permanecer e a UERJ vai resistir”, enfatizou o diretor de universidades públicas da UNE, Leonardo Guimarães.

No início da semana, o site da UNE divulgou nota do DCE UERJ sobre a atual situação da universidade.

”Não aceitaremos nenhuma redução de vagas, fechamento de cursos e/ou campi, ou que as Universidades estaduais sejam fechadas. Essa crise é de prioridades! Se tem dinheiro para manter os salários do governador e sua cúpula altíssimos (quase 30 mil reais fora regalias do cargo), tem que ter dinheiro pras universidades”, diz o documento.

Leia na íntegra aqui.

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