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Debate da UNE Volante na UFMG defende Lula livre

12/05/2018 às 0:45, por Alexandre de Melo.


Discussão problematizou diferentes ideias de resistência diante ataques a nossa democracia 

Nesta sexta-feira (11) a UNE Volante, caravana itinerante da UNE que está cruzando o Brasil, promoveu  o debate “Democracia na Universidade e no Brasil” na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mediado por Marianna Dias, Presidenta da UNE e Jessy Dayane, Vice-Presidenta da UNE, o debate teve a participação de Celso Amorim, ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores, Aldo Arantes, ex-presidente da UNE que iniciou a história da entidade com as caravanas, Beatriz Cerqueira, Presidenta da Central Única dos Trabalhadores – CUT MG, Leonardo Péricles, Coordenador Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, VIlas e Favelas-MLB e Presidente da Unidade Popular – UP e Tarcísio Vago, Pró-reitor de Assuntos Estudantis.

Confira os principais tópicos debatidos.

Leonardo Péricles analisou a conjuntura mundial e brasileira e afirmou a necessidade do enfrentamento e a quebra da conciliação.

Leonardo Péricles defendeu resistência enérgica junto do povo. Crédito: Bárbara Marreiros

“Será impossível ter democracia sem quebrar o ciclo de concentração de riqueza nas mãos de 1% da população mundial. Há um processo de encarceramento no Brasil de negros e pobres. É ótimo saber que temos mais cotistas e eles tem desempenho, mas é fundamental lembrar que a maioria negra ainda nem sonha em entrar. Há muito o que ser feito. Um erro da esquerda para chegarmos nessa situação é a falta de enfrentamento. Não enfrentamos essa burguesia escravocrata e esse tal de presidencialismo de coalizão que nada mais  é do que governar com gente que não é progressista. Quando a Dilma foi afastada teve um encontro com lideranças e ela perguntou: ‘qual é a proposta de resistência?’. Aí eu, preto, pobre de periferia disse: ‘vamos nas ocupações em Isidora, nas portas das fábricas, olhar essas pessoas no olhos. Chamar essas pessoas e conclamar uma ocupação’. Não foi feito, claro. Mas como se  sai pela porta da frente tranquilamente se foi um golpe? Não pode.”

Ele também questionou a aceitação da prisão de Lula e a democracia. ” A democracia é pra quem? A democracia existe sem enfrentamento? Para fazer omelete tem que quebrar ovos. Como ter democracia com 13 milhões de desempregados? Reparem o aparato militar da policia militar e a lei anti-terrorismo. A gente pode se manifestar como com esse repressão?  Brasil não puniu os seus torturadores e aí esses fascistas estão no poder e são parte do golpe. Sumiram com o corpo do Honestino Guimarães. Desaparecido. É impossível ter democracia com corpos insepultos. A ditadura é muito pior. Por isso que precisamos unir as esquerdas”.

Beatriz Cerqueira falou de como foi feita a construção da crise de legitimidade e a importância da representatividade,

‘A polarização impede a conversa necessária para a resistência’ Beatriz Cerqueira. Crédito: Bárbara Marreiros

“A polarização impede a conversa. Precisamos colocar as pautas em nossa vida concreta. A Universidade pública e tudo o que for público vai ser destruído. Começou o processo de privatização da Eletrobras e a gente nem sentiu. Eles estão vendendo tudo o mais rápido o possível. O golpe tem esse objetivo. A tal reforma trabalhista tira a chance real de emprego e destruiu 50 anos de luta em 6 meses. Estamos perdendo o debate com o crescimento da ideia de escola sem partido e o debate de gênero. Somos bons em diagnósticos, mas estamos falhando em propostas de soluções. A disputa é feito com diálogo, o lado de lá faz esse diálogo. A esquerda se ataca demais por conta de táticas diferentes. Estamos enfrentando mídia, judiciário, parlamento. Representatividade importa e é preciso ocupar a política. Tem bancada de boi, da bala e tantas outras. E as nossas? Não tem mulheres, não há negros, não há jovens. Então é preciso ocupar os cargos públicos”

Celso Amorim comentou as falas sobre resistência e fez a defesa da liberdade do ex-presidente Lula como primordial para a manutenção da democracia brasileira.

‘Com Lula preso, nossa democracia não existe’, diz Celso Amorim. Crédito: Bárbara Marreiros

“Eu fui professor da UnB e noto que progredimos. Há negros, índios e mulheres em maior número nas Universidades. Eles nos dão esperança de resistência. Agora, é muito difícil julgar uma possível falta de resistência de Lula e Dilma. Eu não sei se a recusa de Lula sair do prédio dos Metalúrgicos de São Bernardo não teria gerado uma onda Fascista ainda maior. Não precisamos ser tímidos, mas a História nos cobra equilibrar forças e essa avaliação não é simples. O Brasil já vive um Estado de exceção. O simbolo maior é o Lula preso. Eu não lembro de nenhuma situação que um líder favorito da população para ganhar a eleição fosse preso sem provas. Com Lula preso, nossa democracia não existe. Eles foram capazes de deixar o Lula incomunicável. Impediram que ele falasse com um prêmio Nobel da Paz. Não há democracia sem soberania. Não há cidadão livre sem estado livre”, afirmou.

Para o diplomata hoje o imperialismo não coloca tanques, mas domina as ideias, as finanças e dessa forma, as vidas. Amorim também chamou nossa burguesia de “vira-lata”,  porque segundo ele é dessa forma que ela se mantém no controle, sendo intermediária dos interesses internacionais. E ressaltou que maior injustiça do golpe, para além da misoginia com a Dilma e a injustiça em si, foi a mudança do projeto de país sem passar por um processo de eleição. “De forma ilegítima mudou o plano de Brasil porque eles não querem pretos, pobres, empregadas domesticas exigindo direitos. A ascensão dessas pessoas nos dá esperança. O Brasil resolveu integrar a América Latina. Hoje o Brasil está pequeno e incapaz de dialogar no mundo. Felizmente não  fecharam as embaixadas na África. A Folha contestou que temos mais embaixadas na África que a Alemanha. Oras, mas a Alemanha não tem metade da sua população de origem africana? A ameaça do Fascismo brasileiro é real e eles não querem que haja diálogo com as nossa origens”.

Tarcísio Vago lembrou que a nova configuração das Universidades brasileiras é um aspecto para ser celebrado como ponto forte da democracia brasileira. “Queremos cada vez mais abrir as portas da UFMG. Dos 77 cursos de graduação, em 76 os cotistas assistidos pela UFMG tem rendimento igual ao superior aos que não tem cotas. As Universidades estão sendo ocupadas e estamos deixando as Universidades verdadeiramente democrática e com a cara do Brasil”.

Aldo Arantes foi o idealizador da UNE Volante em 1962. Naquele período, a UNE rodou o país para falar sobre reforma universitária e levar o então recém-criado Centro Popular de Cultura (CPC) a todos os Estados do Brasil. Ele contextualizou a importância da nova caravana em tempos de golpe.

“Esse novo momento da UNE Volante é vital para que a gente volte a tomar contato concreto com a juventude e organizar a resistência contra o golpe. A esquerda errou. Não fizemos a Reforma Política e a Reforma dos Meio de Comunicação quando podíamos. Praticamos um republicanismo ingênuo. A Universidade Pública sem recurso é uma forma de aniquilar é tirar qualquer chance de desenvolvimento. A crise das Universidades abre espaço para o capital estrangeiro nas Universidades. A situação é grave e por isso a construção unitária com a nova UNE Volante é tão importante”.

Os estudantes falaram sobre a precarização da Universidade pública e da necessidade de luta para garantir assistência. A UNE Volante segue rumo à Universidade Federal do Pará (UFPA) com atividades nesta segunda-feira (14)

 

 

 

 

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