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Cultura se conecta no CONEG para afirmar resistência contra retrocessos

18/03/2017 às 19:24, por Natasha Ramos / Edição: Rafael Minoro.


Integrantes de diferentes frentes de ações culturais se encontraram no CONEG da UNE para conectar ideias e afirmar a arte como instrumento de luta e resistência

 

“Neste momento, a cultura se torna um instrumento essencial para a resistência democrática”, diz Camila Ribeiro, coordenadora geral do CUCA da UNE, que mediou o debate “Encontro de redes e linguagens, cultura em movimento na contramão dos retrocessos.” (Foto ao lado: Ane – CUCA da UNE)

A roda de conversa realizada neste sábado (18) integrou o segundo dia de atividades do 65º CONEG da UNE, na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e foi espaço de compartilhamento de experiências individuais e coletivas no campo cultural.

Duelos de rap, saraus de poesias e peças teatrais foram algumas das manifestações artísticas abordadas e como essas articulações podem e devem questionar as ações do governo ilegítimo de Temer. A internet também foi citada como uma importante ferramenta no fortalecimento, visibilidade e reconhecimento dos coletivos de cultura e de comunicação.

 

Encontro de redes e linguagens, cultura em movimento na contramão dos retrocessos (Foto: Mário Sabino)

“A juventude e as periferias precisam estar conectadas. Nós somos um front de resistência ao que está em curso no país. Estamos o tempo inteiro acordando e dormindo preocupados. A polícia tem olhado para as comunidades como um alvo. Essa é uma reflexão que fazemos a respeito do momento político atual que tem abalado principalmente a periferia”, diz Vivi Sales, formada em Ciências Sociais pela PUC-RJ e moradora da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, onde realiza há cinco anos o sarau Poesia de Esquina.

Dessa forma, a cultura é, na ótica da cientista social, uma forma de resistência.

“Se não nos unirmos, vamos ser atropelados pelo Capital. O golpe foi dado e a periferia que vai pagar a conta. Nas favelas do Rio, há um verdadeiro cenário de guerra. Nesse momento, precisamos estar mais conectados para defender a nossa produção cultural. Esses pequenos eventos na periferia fazem a diferença: a cultura que promove a circulação das pessoas para além da escola, trabalho e casa”.

demolir a matriz burguesa

Georgette Fadel e a capacidade da arte em demolir a “matrix burguesa” (Foto: Macos Bruno – CUCA da UNE)

Para a diretora de teatro e fundadora da cia. São Jorge de Variedades, Georgette Fadel, este é um momento para a comunidade artística parar de se associar às elites, ouvir e se aproximar das vozes legítimas da luta atual. “De alguma maneira, estamos sentido que ação está se renovando nas ideias de individualidade e de consciência coletiva que a juventude tem elaborado com mais habilidade”, diz.

Para a atriz, que veio, segundo ela, de uma família burguesa, a arte pode ser um processo de aprendizado e desconstrução. “Sou um exemplo vivo de que a arte tem a capacidade de demolir essa matrix burguesa. O teatro me abriu a vontade intensa de olhar para fora e me reconfigurar.”

A jornalista Tamara Terso, do coletivo Enegrecer, também presente à mesa, afirmou que uma grande tarefa do movimento estudantil atualmente é construir pontos de conexão, redes de compartilhamento para disputar a política numa frente ampla. “As nossas instituições têm sido negadas, não só numa ação coordenada da direita, mas também pela dificuldade de pensar novas estruturas, mais democráticas e participativas. Estamos num momento crucial para pensar isso.”

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