Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Criações coletivas, dramaturgia engajada e o Brasil profundo em destaque

23/01/2017 às 17:06, por Cristiane Tada/ Foto divulgação do espetáculo Debaixo da Pele.

Espetáculos de Artes Cênicas selecionados para a 10ª Bienal da UNE discutem questões complexas sobre classe, raça, gênero

“É impressionante o número de trabalhos produzidos nas ruas,  no processo de resistência ao golpe, no interior das ocupações dos equipamentos do Minc/Funarte e das universidades Brasil afora. O Brasil todo foi transformado num imenso laboratório entre estudantes, artistas e movimentos sociais e isso tem refletido muito na produção universitária”, reflete a coordenadora da Mostra de Artes Cênicas da 10ª Bienal da UNE, Camila Ribeiro.

Como o caso do Coletivo Ocupa Teatro de Minas Gerais que teve o espetáculo Benedites selecionado e vai se apresentar pela segunda vez. A estreia foi em uma ocupação.

Tudo começou na ocupação do prédio de teatro da Universidade Federal de Uberlândia quando os estudantes começaram com oficinas, saraus, rodas de conversa, auxílio para a ocupação dos secundaristas e projetos de extensão junto a comunidade.

Depois que o coletivo se instaurou veio a montagem dos espetáculos como conta Waquilla Correia, estudante do último período de teatro da UFU.

“Aí fomos convidados para a 2ª Semana de diversidade de Ouro Preto e Mariana na UFOP e começou o intercâmbio entre ocupações da UFU e UFOP. O evento mexeu muito com o Coletivo, porque falava de gênero e diversidade, entramos em contato com muitas pessoas que deram relatos de suas vivências e foi o que motivou a construção do espetáculo Benedites. Unimos pessoas de mais de 10 cursos das duas universidade e montamos a peça”, explica.

Benetides é um musical que abusa das Artes Visuais e parte de de músicas da cantora Elza Soares para falar sobre o corpo negro, sua marginalização, embranquecimento e questões de gênero.

“Jovens da periferia, interiores e territórios de toda ordem que passaram a ocupar as universidades estão plugados a questões complexas sobre classe, raça, gênero. Os desafios para desencastelar as universidades são gigantes ainda, e a cultura é agente central no processo de radicalização da democratização da universidade”, afirma Camila.

Como também o espetáculo Debaixo da Pele do Grupo de Teatro Eureka formado dentro do curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

De acordo com Claudilene Regina, integrante do grupo, o espetáculo Debaixo da Pele é um convite a conhecer a história do negro no Brasil, com forte tom político e um ‘grito’ para a sociedade e para os governantes. “Fazemos um trabalho de representação histórica, da chegada dos primeiros navios negreiros até o genocídio da juventude negra que está acontecendo hoje que acreditamos que é um processo histórico e convidamos o público a ver essa história por uma outra óptica”.

Brasil profundo e construções coletivas

A influência das regionalidades também tem aparecido entre os trabalhos escolhidos, os 14 espetáculos selecionados, 8 são do Norte e Nordeste.

“Acho que o nordeste e o Brasil profundo, como chamamos os interiores do país, bombaram muito nas inscrições de trabalho. São montagens de muita qualidade estética e de muita criatividade para passar por cima da escassez e viabilizar toda criação. Esses territórios estão fora dos eixos que concentram os maiores investimentos em cultura”, destacou a coordenadora da Mostra.

Para ela a galera tem se reinventado para tornar possível a produção de arte e a coletividade no processo de criação mostra isso muito bem. “O diretor também atua, o técnico de luz também é dramaturgo, enfim, os compartimentos da criação estão se abrindo e todo mundo participa mais do todo”.

O Grupo de Teatro Eureka tem isso muito claro nos seus 3 anos de existência.

“Nosso grupo tem um caráter formativo, todos os membros se dividem nas funções administrativas e artísticas, nosso espetáculo é um exemplo disso, conta com a cenografia de um dos integrantes, a preparação corporal e vocal, tivemos pessoas externas que nos auxiliaram, mas a maioria fomos nós mesmos”, explicou Claudilene.

O coletivo Ocupa Teatro e sua composição mais que diversa que uniu duas universidades e diversos cursos para além das humanas também.

“Trabalhamos com uma galera das artes visuais, pessoal da música e do teatro, misturando ainda com outras áreas, por exemplo, nosso cenário foi feito pela galera da engenharia, pessoal da iluminação, da física, da geografia, são estudantes de muitos cursos para além dos 40 integrantes do musical”, explicou Waquila.

Confira todos os Selecionados da Mostra de Artês Cênicas, consulte programação e não perca as apresentações!

Serviço

O que? 10ª Bienal da UNE

Quando? De 29 de Janeiro a 01 de Fevereiro de 2017.

Onde? Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza, Ceará.

Quanto? R$150 até o dia 25 de janeiro. Cotistas e prounistas tem 30% de desconto até a mesma data. No dia do evento, a inscrição pode ser feita no local do credenciamento no valor de R$ 200.

Informações: bienaldaune.org.br

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo