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Conversa de Mulheres: de presidenta para presidenta

19/03/2018 às 18:28, por Renata Bars.

A gaúcha Lúcia Stumpf, e as baianas Clara Araújo e Marianna Dias

No mês das Mulheres três presidentas da UNE de diferentes tempos históricos perguntam uma para outra sobre os desafios de ser mulher e estar à frente dessa jovem senhora de 80 anos: a UNE!

Clara defendeu a redemocratização do país, Lúcia viveu um período de expansão das universidades públicas no Brasil e Marianna luta contra retrocessos na educação e na democracia impostos pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Em especial para o mês das Mulheres, o site da UNE intermediou as perguntas de uma presidenta para a outra de diferentes períodos históricos para saber como elas superaram ou enfrentam os desafios de ser mulher e feminista na presidência. Confira:

A baiana Clara Maria de Oliveira Araújo foi eleita a primeira mulher presidenta da entidade em 1982, no 34º Congresso da UNE.  Durante sua gestão, conseguiu do governo do estado o empréstimo de uma sede que abrigou a entidade por quase 20 anos – a sede no Flamengo tinha sido demolida em 1980 – , o antigo prédio da faculdade de Direito da UERJ, situado na rua do Catete na capital carioca.  Atualmente ela é professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e uma das maiores pesquisadoras sobre a participação feminina na política brasileira.

Marianna para Clara:

Quando você foi eleita nossa primeira presidenta a UNE já era uma entidade de 45 anos. Como foi lidar com o ineditismo de uma mulher no cargo?

CLARA: Quando fui eleita presidente da UNE, a entidade já tinha algumas mulheres diretoras, eu fui a única mulher da gestão anterior a mim, no departamento feminino. Houve alguns aspectos que foram difíceis de serem enfrentados como a resistência no próprio movimento estudantil. Na forma com que as algumas correntes e adversários, tentavam contrapor a minha tendência e a minha presença fazendo uso de termos e argumentos machistas. Essa tendência de tentar me descaracterizar “Tipo ah que bonitinha, Clarinha da Bahia”, que não aconteceria se fosse um homem. Não foi predominante, mas foi um traço. Também teve o lado que muitas vezes impede muitas mulheres de entrar na política que implicava sair da minha cidade, tomar decisões, morar em outro lugar, conviver com vários colegas que no cotidiano tinham a tendência de fazer com que sobrasse para as mulheres certos tipos de tarefas, mesmo eu sendo presidente da UNE estando no mesmo lugar da política como eles, essa ideia que tem algumas coisas que são para mulheres fazerem.
Outra coisa que a política reproduzia que perpassa o machismo do cotidiano, era essa ideia de que os homens falam primeiro, você ter que se impor para continuar falando, situações de enfrentamento do dia-a-dia, que exigiam um pouco mais de enfrentamento do que hoje acredito.

Mas foram dificuldades menores.

No geral eu diria que houve uma receptividade boa, esse ineditismo foi bem recebido e acho que foi um tempo de abertura dos setores sociais, na época que fui presidente estávamos lutando pela redemocratização, foi no fim da ditadura e sinalizava uma mudança que queríamos nos país. As pessoas estavam muito pautadas pela solidariedade, a busca da democracia e de certa forma a entrada de mulheres na política e no protagonismo político. Então, acho que o fato de ser esse momento do fim da ditadura e da construção de uma grande frente democrática foi muito marcante. Me sinto muito privilegiada por ter participado do movimento estudantil, essa experiência intensa em um momento que existiu muita esperança, sou grata a vida por ter me permitido viver isso.
Quando fui eleita presidente da UNE, a entidade já tinha algumas mulheres diretoras, eu fui a única mulher da gestão anterior a mim, no departamento feminino. Houve alguns aspectos que foram difíceis de serem enfrentados como a resistência no próprio movimento estudantil. Na forma com que as algumas correntes e adversários, tentavam contrapor a minha tendência e a minha presença fazendo uso de termos e argumentos machistas. Essa tendência de tentar me descaracterizar “Tipo ah que bonitinha, Clarinha da Bahia”, que não aconteceria se fosse um homem. Não foi predominante, mas foi um traço. Também teve o lado que muitas vezes impede muitas mulheres de entrar na política que implicava sair da minha cidade, tomar decisões, morar em outro lugar, conviver com vários colegas que no cotidiano tinham a tendência de fazer com que sobrasse para as mulheres certos tipos de tarefas, mesmo eu sendo presidente da UNE estando no mesmo lugar da política como eles, essa ideia que tem algumas coisas que são para mulheres fazerem.
Outra coisa que a política reproduzia que perpassa o machismo do cotidiano, era essa ideia de que os homens falam primeiro, você ter que se impor para continuar falando, situações de enfrentamento do dia-a-dia, que exigiam um pouco mais de enfrentamento do que hoje acredito.
Mas foram dificuldades menores.
No geral eu diria que houve uma receptividade boa, esse ineditismo foi bem recebido e acho que foi um tempo de abertura dos setores sociais, na época que fui presidente estávamos lutando pela redemocratização, foi no fim da ditadura e sinalizava uma mudança que queríamos nos país. As pessoas estavam muito pautadas pela solidariedade, a busca da democracia e de certa forma a entrada de mulheres na política e no protagonismo político. Então, acho que o fato de ser esse momento do fim da ditadura e da construção de uma grande frente democrática foi muito marcante. Me sinto muito privilegiada por ter participado do movimento estudantil, essa experiência intensa em um momento que existiu muita esperança, sou grata a vida por ter me permitido viver isso.

 

Clara para Lúcia:

Você foi eleita num período de muita esperança no Brasil. Havia efeitos da distribuição de renda e o país parecia finalmente alcançar um protagonismo político internacional. Como foi a experiência de dirigir a UNE num momento como esse?

LÚCIA: Vivíamos, de fato, tempos de conquistas na educação e de queda nos índices de desigualdade social no Brasil. Eram tempos de esperança e de otimismo. Nossas lutas e reivindicações eram por mais avanços, pela consolidação de direitos conquistados. Fui presidenta da UNE no momento em que as vagas públicas nas Universidades cresciam, através de políticas como o Reuni e o Prouni, ao mesmo tempo em que este acesso era democratizado através da política de cotas aliada a ações de assistência estudantil. Dessa forma, tive a oportunidade e a liberdade de pautar questões caras ao próprio Movimento Estudantil, como a luta contra o machismo na Universidade. Tendo sido recém a quarta mulher eleita presidenta da UNE quando a entidade completava 70 anos de história, eu tinha a responsabilidade de fazer da gestão um marco para a atuação das mulheres. O empoderamento das mulheres e a luta contra o machismo e a homofobia foi o tema central da Caravana que percorreu as universidades do país em 2008. Fico feliz em perceber que as sementes lançadas naquela época estão dando frutos ainda hoje. Desde lá, muitas mulheres assumiram a frente das entidades estudantis. Não por acaso, tivemos 3 mulheres presidentas da UNE nos últimos 10 anos – quase a mesma quantidade que levamos 70 anos para atingir. Ainda temos muito a conquistar, e para dar sequencia à essa luta me sinto plenamente representada pela geração atual do movimento estudantil, tendo a Mari à frente. Uma juventude que não foge à luta e honra a história de todas mulheres que defendem o Brasil e a Universidade livre do machismo e de qualquer opressão.

A gaúcha Lúcia Kluck Stumpf foi eleita a 4ª presidenta da UNE no 50º Congresso da entidade, realizado em 2007. Durante seu mandato realizou a ”Caravana da Saúde”, uma parceria com o Ministério da Saúde, que teve por objetivo disseminar informações entre os jovens e promover discussões sobre temas que envolviam a saúde e o desenvolvimento da juventude. Atualmente é professora universitária e doutoranda do Programa de Antropologia Social da Universidade de São Paulo.

 

Lúcia para Marianna:

Como você tem lidado com o desafio de lutar pelo “feminismo para os 99%” que se articula de maneira interseccional por uma sociedade mais justa e segura para as mulheres, atuando dentro de entidades que ainda refletem o machismo como universidades, entidades estudantis e partidos políticos de esquerda?

MARIANNA: Nos últimos anos a nova configuração da universidade no Brasil tem automaticamente renovado os representantes do movimento estudantil. Tenho a sorte de estar à frente da UNE junto com uma diretoria muito bem representada por mulheres diversas. Somos nordestinas, negras, periféricas, mães estudantes de todos os rincões do país ocupando espaços de lideranças nas UEEs, CAs e DCEs em universidades públicas e privadas. Somos a segunda dobradinha presidenta e vice-presidenta de mulheres, seguidas de Carina e Moara da gestão de 2016. Na executiva da UNE, somos praticamente 50%. Essa abrangência e também o protagonismo nas gestões seguidas de mulheres tem naturalizado nossas vozes feministas como a última palavra dada em todos os fóruns do movimento estudantil.

 Dessa forma acredito que temos extrapolado da UNE para nossas forças políticas e partidos e vice e versa, sempre tendo como referência as que vieram antes de nós.

 Ainda não é fácil, às vezes temos que gritar para sermos ouvidas e ainda somos consideradas como “duras” no comando. Acredito que para além das nossas diferenças, nós mulheres da UNE independente de orientações políticas temos aprendido cada vez mais a sororidade e que unidas podemos avançar ainda mais para o mundo e a universidade que sonhamos.

A baiana Marianna Dias foi eleita a 8ª presidenta da UNE no 55º Congresso da entidade realizado em 2017. Estudante de pedagogia na da UNEB (Universidade do Estado da Bahia), ela tem 26 anos e conduz seu mandato em um período de conjuntura política atribulada com o golpe político que destituiu Dilma Rousseff do poder.  Será durante sua presidência que os estudantes vão reeditar a UNE Volante, uma caravana que vai percorrer universidades em todos os Estado do Brasil para defender a universidade pública e gratuita. 

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