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Contra retrocessos, 50 mil tomam as ruas de SP e anunciam greve geral

22/09/2016 às 22:47, por Renata Bars Foto: Débora Neves.

Marcha organizada pelas centrais sindicais, trabalhadores, professores e estudantes protestou contra a retirada de direitos imposta pelo governo golpista de Michel Temer

No final da tarde desta quinta-feira (22), a Avenida Paulista, no coração de São Paulo, foi tomada por cerca de 50 mil trabalhadores, professores e estudantes apoiados pelas centrais sindicais e pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. O protesto marcou a unidade contra os retrocessos impostos pelo governo golpista de Michel Temer. A mobilização fez parte do ”Dia Nacional de Paralisação” e anunciou uma outra grande marcha para o próximo dia 5 de outubro, em Brasília, além do indicativo de greve geral também para o próximo mês.

Para a presidenta temporária da UNE, Moara Correia, este foi o primeiro passo rumo à greve, que tem total apoio dos estudantes. ”Nós, estudantes de todo país, estamos nas ruas juntos com os trabalhadores para dizer que não admitimos nenhuma retirada de direitos. Estamos com muitos retrocessos em vista tanto na educação como nas leis trabalhistas, na saúde e por isso precisamos de muita unidade. Hoje, mesmo muitas universidades e escolas não tiveram aula, pois os estudantes estão também na luta, paralisando e mostrando sua insatisfação com esse golpe nas nossas conquistas’’, disse.

O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, afirmou que “esse foi apenas o início da mobilização para organizar a greve geral contra esse governo golpista”. A paralisação está indicada para 28 de outubro, mas ainda não foi confirmada.  “A expectativa do governo golpista é aprovar a PEC 241 em outubro. Ao longo do mês, continuaremos em Brasília para fazer o enfrentamento no Congresso. Nos estados, também estaremos pressionando os deputados para que votem contra a emenda, que vai ser um retrocesso para a saúde e educação”, falou.

O ato em São Paulo  finalizou um dia de atividades em todo o Brasil, com a paralisação de fábricas e a tomada de ruas e praças, num claro movimento pela saída de Temer e sua política golpista.  As categorias presentes se uniram aos bancários, que estão em greve há 17 dias.

RESISTÊNCIA

Para o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, conhecido como Índio, a resistência contra a agenda do golpe está crescendo cada vez mais. “Essa agenda do Congresso e dos empresários quer acabar com os direitos garantidos na Constituição de 1988, mas é preciso deixar claro: a classe trabalhadora não vai deixar que isso aconteça. Cada vez saímos mais fortalecidos das lutas, começou o início da queda dessa agenda golpista”, enfatizou.

O Coordenador da Frente Brasil Popular em São Paulo, Raimundo Bonfim, da CMP, destacou que as ações do atual governo atacam violentamente o povo brasileiro. ”Cada vez mais os objetivos do golpe ficam evidentes, nunca foi contra a corrupção. Temer tem vários corruptos no governo. O que querem é liquidar o pré-sal e os direitos sociais”, disse.

O Secretário de Políticas Sociais da CTB, Carlos Rogério Nunes, lembrou que uma presidenta eleita com 54 milhões de votos foi tirada do governo para dar lugar a alguém com 61 votos no Senado. ‘’A agenda proposta por Temer jamais passaria nas urnas’’, afirmou.

PROFESSORES EM  LUTA

Mais cedo, professores paulistas realizaram uma assembleia no Vão Livre do Masp, também na Avenida Paulista, para exigir melhores condições de trabalho e dizer não aos retrocessos na educação com a reforma do ensino médio proposta por Temer e seu ministro da educação, Mendonça Filho.

Eles também pretendem ampliar a adesão às mobilizações contra as propostas de congelamento nos orçamentos de saúde e educação e da reforma da Previdência.

“No próximo dia 5 vamos paralisar as escolas e vamos a Brasília, junto com as entidades nacionais de professores, contra as reformas do governo golpista”, afirmou a presidenta do Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel.

Para ela, a reforma do ensino médio representa um grave enxugamento na educação pública. “Querem acabar com as disciplinas humanas. Não querem alunos que pensem, que divirjam. Em 2000, o governo de Fernando Henrique Cardoso tentou reformar o ensino médio. E nós o impedimos com uma das maiores paralisações de professores da história. E vamos impedir de novo”, disse.

O presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Santos acredita que a reformulação do Ensino Médio está sendo feita de forma totalmente autoritária. ”Não houve diálogo conosco. Esse projeto é algo complexo, que precisa ser amplamente dialogado, principalmente com essa geração, que ocupou as escolas e construiu a ideia que busca entender qual é ensino que queremos”, denunciou.

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