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Contra o racismo e machismo, marcha das mulheres negras ocupa o centro de SP

26/07/2016 às 13:59, por Renata Bars.

Mais de duas mil seguiram da Praça Roosevelt até o Largo do Paissandú na data em que é celebrado o Dia da Mulher Negra, Latino americana e Caribenha

O que você já deixou de fazer por ser mulher negra? Num país em que elas representam quase 70% das  mortas por agressão, segundo dados do Ministério da Justiça em 2015 , a Marcha das Mulheres Negras, que reuniu mais de duas mil pessoas no centro de São Paulo nesta segunda-feira (25), evidenciou  a resistência e o empoderamento desta parcela da sociedade em luta contra a opressão.

A marcha aconteceu em meio às comemorações do “Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha” e celebrou a data com música, faixas, cartazes, palavras de ordem e muita poesia.

‘’Ser mulher e ser negra é sofrer dupla opressão. A gente sofre com o machismo e com o racismo, e esse florescer da primavera feminista é fundamental, pois traz todas as vozes das mulheres, dizendo que não aceitarão mais estarem invisibilizadas. Essas vozes são parte indissociável da luta das mulheres negras, a luta de  uma geração de empoderamento e afirmação do ser negra de uma forma muito positiva’’, falou a representante da União Brasileira das Mulheres (UBM) e ex-diretora da UNE,  Maria das Neves.

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“ESTAR AQUI É ME ENCONTRAR”

Marcadas por histórias permeadas pelo racismo, a vergonha e o medo de ser negra, as mulheres, unidas, abrem o seu espaço para a força e o orgulho.

Luciana Fernandes, estudante de 19 anos, conta que se descobriu mulher negra há pouco tempo. ‘’Passei minha infância inteira querendo não ser negra, porque ninguém te ensina o quão bonito o como é bom ser negro. Por isso eu já deixei de fazer muitas coisas, já deixei de ir a testes de trabalho porque pensava que apenas as meninas brancas seriam escolhidas’’, disse.

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Questionada sobre a importância da Marcha, ela se emociona. ‘’Ver tantas mulheres negras juntas me deixa feliz e emocionada. Sou da periferia, mas por causa dos estudos frequento lugares muito elitizados, onde quase não se vê negros. Estar aqui é me encontrar, todo mundo é família numa luta em comum’’, destacou.

A cantora Raquel Virgínia afirma que já deixou de se sentir bonita por ser negra. ‘’A forma como a sociedade subestima a mulher negra é muito forte e é uma das coisas que mais tem que ser combatida. Nós somos o tempo todo colocadas como mulheres feias, com o cabelo ruim. Por isso essa marcha traz muita representatividade. É a cidade olhando a mulher negra e a mulher negra se impondo e se mostrando forte’’, salientou.

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Jéssica Tavares, rapper, skatista e estudante de 17 anos conta que já sofreu muito preconceito por ser mulher na cena da música. ‘’O rap é um meio com muito preconceito. Não é porque um ou outro diz que não podemos fazer e acontecer que isso seja verdade. A gente vai lá e mostra que pode’’, falou, em um tom divertido de advertência.

Jéssica estava acompanhada da amiga e também skatista Soraia Vitória, que finalizou: ‘’Somos muito guerreiras sim’’.

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A marcha seguiu até o Largo do Paissandu, ao som de tambores e muitas palavras de ordem, sempre liderada por representantes de religiões de matrizes africanas.

A cantora Tássia Reis e a rapper Luanna Hansen animaram o final da caminhada.

#FEMINISMODASPRETAS

Até o dia 31 de julho, a diretoria de Mulheres da UNE promove uma mobilização nacional de estudantes negras em todo o Brasil, com a hastag ‪#‎FeminismoDasPretas‬.

A campanha, cujo mote é a resistência destas mulheres à todas as formas de violência, convoca as estudantes negras brasileiras a ocuparem as redes sociais, afirmando que “nós, mulheres negras, resistimos!”.

Para a diretora de Mulheres da UNE, Bruna Rocha, é necessário enraizar nas universidades, nos movimentos sociais e nas estruturas de poder, a responsabilidade histórica de empoderar mulheres negras, sujeitas centrais na construção de todas as sociedades em que estamos presentes.

“A feminização da pobreza tem cor e é a nossa; continuamos resistindo porque estamos na base da pirâmide socioeconômica do Brasil. Nos defendemos do sistema capitalista, racista, e patriarcal, mas não só isso: vamos pra cima dele todos os dias”, enfatizou.

5º ENUNE

O feminismo negro também será tema de debate durante o 5º Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE (Enune). O evento acontece de 5 a 7 de agosto no Centro de Esportes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Salvador e você pode fazer sua inscrição aqui.

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