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Contra a mercantilização do ensino

16/06/2017 às 16:18, por Renata Bars / Foto: Henrique Silveira.

Aumento abusivo de mensalidades foi discutido durante debate
Foto: Henrique Silveira

Congresso da UNE traz debate sobre ganância do setor privado

Aumentos abusivos nas mensalidades, desvalorização do tripé ensino, pesquisa e extensão, excesso de matérias à distância e falta de investimento são apenas alguns itens de uma imensa lista de problemas no ensino superior privado brasileiro apontados por estudantes e convidados que participaram, nesta sexta-feira (16), do debate ‘’Educação não é mercadoria’’, no 55º Conune.

‘’A mercantilização do ensino trata pessoas como coisas e coisas como pessoas. Transforma os estudantes em números, mas, nós professores, não queremos formar coisas. Queremos formar pessoas com mentes críticas e é por isso que devemos lutar, ocupar as ruas e exigir a ampliação de um ensino público e de qualidade’’, falou a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Bebel Noronha.

Também presente na mesa, o deputado federal pelo PCdoB-SP Orlando Silva ressaltou que não faz sentido mercantilizar algo tão importante para a soberania e o desenvolvimento do país. ‘’Todos os países do mundo que conquistaram patamares significativos na questão do desenvolvimento usaram as universidades públicas como pilar fundamental. E é isso que devemos ter em mente: sustentar em nossa luta a construção de um pólo de universidades públicas de qualidade e exigir do governo que haja regulamentação no setor privado’’, destacou.

Dados que mostram mais estudantes matriculados em instituições privadas de ensino superior foi debatido

Dados do MEC de 2014 mostram que, dos estudantes matriculados no ensino superior, 75% ocupam vagas nas universidades privadas, enquanto apenas 25% estão matriculados em universidades públicas.

Para o deputado, o número expressivo de matrículas na rede privada demonstra a necessidade da regulamentação do setor.

‘’Os estudantes que estão nas universidades particulares são muitas vezes filhos de trabalhadores, moradores de periferia que trabalham o dia todo para a noite poder estudar. Eles são vítimas de um modelo de Estado excludente e precisamos apoiá-los. Uma regulamentação adequada, que obrigue os setores privados a tratarem a educação com qualidade de modo que ela seja agente da criação de cidadãos críticos é necessária’’, disse.

CADÊ O INSAES?

A criação do Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação do Ensino Superior – Insaes está estagnada na Câmara dos Deputados desde 2015 quando o então presidente da Casa, Eduardo Cunha se negou a dar continuidade ao processo que tramitava em regime de urgência. A proposta prevê a criação de um órgão com 500 especialistas responsáveis pela fiscalização das instituições superiores de ensino privadas.

Edson de Paula Lima, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) exemplificou, em sua fala, a importância da regulamentação.

‘’As empresas de ônibus são privadas, mas quem diz o preço e organiza os itinerários é o  setor público. No setor educacional deveria acontecer da mesma forma. A educação é um bem público que é entregue em forma de concessão a essas empresas. Por que não regulamentar? ’’, questionou.

INDÚSTRIA DE CERTIFICAÇÕES

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mauro Iasi lembrou que sem regulamentação a ganância dos tubarões do ensino chega a níveis estratosféricos.

‘’A mercantilização obedece a uma lógica própria: os mais otimistas dizem que estes grandes empresários vendem educação, mas o que eles vendem não é ensino. São indústrias de certificações, sem comprometimento algum com os valores educacionais’’, criticou.

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