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Conheça a galera que leva Vogue e ‘Arte Marginal’ para dentro da UnB

04/05/2018 às 14:09, por Alexandre de Melo com edição de Cristiane Tada .

Ruan, DJ Ladeira, Brunno Costa e Dj Farol
Crédito: Davi Dutra

Estudantes se apresentaram no Festival Inquietações que aconteceu nesta quinta-feira (3/5) na edição da UNE Volante na capital federal

O acesso às Universidades para estudantes negros, índios, periféricos e LGBTs vem melhorando nos últimos anos. Por conta disso, a extensão universitária nas universidades brasileiras vem aderindo a projetos de expressões artísticas que antes tinham espaço apenas no cenário underground. Na Universidade de Brasília, por exemplo, estudantes mobilizam atividades como a dança Vogue, as batalhas de MCs e festas com funk.

A seguir você confere o papo que a reportagem da UNE Volante teve com alguns estudantes da UnB que estão conseguindo apresentar e expandir a chamada ‘Arte Marginal’ para dentro da Universidade.

Ruan Ítalo de Araujo, 22 anos, tem sorriso fácil e uma história digna de livro. O estudante de Geografia na UnB é filho de uma indígena Guajajara do Maranhão, morador da periferia de Samambaia, gay e agita o movimento Vogue na Universidade. O nome da dança vem de “voguing” e é inspirado na revista de moda Vogue, já que os dançarinos brincavam de imitar as poses das modelos das revistas como em uma sessão de fotos.

Ruan Ítalo agita o movimento Vogue na UnB

“O Vogue é uma dança LGBT criada nos guetos americanos nos anos 70 e ganhou popularidade quando a Madonna fez uma música dentro do estilo. A gente entende que Vogue não é apenas a dança, é a cultura, os hábitos, a estética, os amigos. A mother da nossa house é o Gabriel e eu sou o father (pensador e criador da festa). Criamos uma oficina aqui na UnB para unir a comunidade LGBT em uma atividade corporal que é a dança. Depois das oficinas, a gente monta festas e conseguimos efetivar a extensão universitária levando o conhecimento e o empoderamento para a Universidade e também para a periferia”, conta Ruan.

André Henrique, 24 anos, mais conhecido como MC Good, estuda Comunicação Social na UnB e é um dos criadores da Batalha da Escada que atrai centenas de pessoas para o Teatro de Arena da UnB toda quarta-feira. O desafio de rimas aborda os dilemas da Universidade, política brasileira, empoderamento feminino e até piadas utilizando o seriado Chaves e a cultura pop.

MC Good é um dos criadores da Batalha da Escada que trouxe a cultura hip hop para dentro da UnB. Crédito: Gabriel Remus

“Eu sempre estive envolvido com o rap e as batalhas de Brasília. Aí decidimos criar uma batalha aqui na UnB, ali perto das escadas, onde tem luz. Começou assim com 10, 12 MCs e o movimento foi tomando forma. Muita gente começou a passar no local e se interessar. O movimento foi crescendo. A gente enfrentou burocracias, claro, mas no final, com ajuda dos professores de Comunicação principalmente, a gente montou esse projeto da Batalha da Escada para servir a comunidade. Em outras batalhas, quem cola são MCs, a maioria. Aqui não. Temos universitários de várias partes de Brasília”, conta MC Good.

Brunno Costa, conhecido artisticamente como Desaforo Norteé um filho da Batalha da Escada da UnB. Ele fez Engenharia de Produção na Universidade, mas largou o curso em 2016 porque precisou priorizar o trabalho. Com uma apresentação enérgica, Brunno foi um dos destaques do Festival Inquietações.

A luta segue firme para o ‘Desaforo Norte’, Brunno Costa e Dj Farol

“Eu entrei na UnB por meio de cotas. Se não fosse por isso, eu acredito que não teria conseguido. É difícil lutar contra um sistema universitário com a maioria de brancos com condições financeiras melhores. Tanto é assim que não consegui concluir o meu curso. Mesmo assim, eu ainda vou viver do meu rap. Hoje eu trabalho em uma fábrica de picolés, mas eu acredito muito na importância da minha arte. Em 2016 eu lancei o EP ‘Cinza Cerrado’ que eu falo das coisas de Brasília. Teve uma repercussão legal e consegui ter participações muito fodas com artistas bacanas. Tenho muita gratidão por todas as coisas que eu aprendi na UnB e quero sempre retribuir. A Universidade foi um grande catalisador do fluxo de informação e quero continuar tentando colocar Ceilândia e Brasília ainda mais no mapa cultural brasileiro”, diz Brunno. Veja o clipe da música “A real”

 

Lucas Ladeira, o  DJ Ladeira, 23 anos, estuda Serviço Social na UnB. Ele abriu o Festival Inquietações em Brasília com um set de funk proibidão que misturava de Beatles até a canção italiana anti-fascista, Bella Ciao, que tem aparecido como hino dos personagens da série “La Casa de Papel” da Netflix.

DJ Ladeira abriu o Festival Inquietações em Brasília com funk proibidão. Crédito: Davi Dutra

“Eu comecei a tocar como DJ com 15 anos nos bailes que exigem diversos ritmos, sacou? Cara, querendo ou não, todo mundo gosta de putaria. Muitas das coisas que são faladas no funk são desejos reprimidos que o estilo permite dizer. Há o preconceito porque é uma cultura  de periferia. Agora aqui na Universidade tá tendo a ascensão da cultura alternativa que era um rolê mais da periferia, sacou? Eu sou de Ceilândia e fico grato em conseguir tocar aqui na UnB. O Festival Universitário de Música Candanga (Finca) revelou a Ellen Oléria e o Móveis Coloniais de Acaju. O Moveis tem uma ligação com a UnB. Quanto mais festivais como o Inquietações, melhor”, diz DJ Ladeira.

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