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CONEG prega unidade para conter ascensão neoliberal no continente

16/07/2016 às 12:42, por Cristiane Tada com edição de Rafael Minoro.

Unidade para fortalecimento da América Latina foi um dos temas da última mesa do primeiro dia do 64º Coneg da UNE, que discutiu também o projeto “Ponte para o Futuro” e o imperialismo no continente

O último debate da noite de sexta-feira (15) do 64º CONEG da UNE discutiu o imperialismo na Americana Latina e o projeto do governo ilegítimo de Michel Temer, intitulado “Ponte para o Futuro”.

A mesa foi aberta com a participação da cubana Heidy Ortega, presidenta da Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE). Ela destacou a importância de discutir o tema no fórum da UNE com objetivo de chamar a atenção para a realidade atual e fazer frente à ofensiva imperialista em curso.

“O manifesto de Córdoba, de 1918, dizia que ‘estamos vivendo em uma hora americana’. Este momento, agora, também é de uma hora americana”, disse Heidy, em referência à reforma universitária de Córdoba, na Argentina, movimento estudantil que inspirou, de certa forma, as demais lutas universitárias latino-americanas ao longo do século 20.

COMBATER A ASCENÇÃO CONSERVADORA E NEOLIBERAL

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A presidenta da OCLAE traçou um panorama sobre o cenário político na América Latina desde o início do século 21, quando ocorreu uma série de eleições de representantes de ideais esquerdistas, progressistas e revolucionários, até as ações atuais que combinam o interesse norte-americano de recuperar sua hegemonia com a ascensão recente de governos neoliberais.

“A volta dessa direita não trará outra coisa a não ser retrocessos”, ponderou Heidy, que destacou ações para enfrentar a ofensiva imperialista em curso. Entre elas, estão a promoção da maior unidade possível entre os povos latino-americanos e o desenvolvimento de uma política comunicacional que inspire e motive os jovens sobre a importância da participação nessa luta.

Rubens Diniz, da Fundação Maurício Grabois, destacou os avanços no processo de integração do continente nos últimos dez anos.

“Neutralizamos o ALCA e nessa jornada conseguimos grandes avanços em um continente que pouco olhava para si e para os seus vizinhos. Hoje, os conflitos existentes estão sendo resolvidos aqui na Unasul, na Celac”, afirmou.

Neste processo de integração da América do Sul ele destacou o reconhecimento dos direitos trabalhistas e sociais de um país para o outro e também a ajuda a Cuba de forma solidária e afetiva ao financiar a construção do Porto de Mariel, hoje com grande importância econômica para o Brasil. Também citou “a política externa que o Brasil adotou altiva e ativa”.

Diniz ainda afirmou que “a tal ‘Ponte para o Futuro’ é o retorno a uma política externa submissa, vinculada ao interesse das grandes potencias, que quer voltar para a década de 1990, da época da Alca que hoje tem outro nome, a TTIP [Transatlantic Trade and Investment Partnership]”.

As raízes internacionais dentro do golpe

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A bacharel em Relações Internacionais e ex-diretora da UNE, Juliana Gonçalves, fez um histórico sobre a discussão do conceito do imperialismo e a raízes internacionais da construção do golpe no Brasil.

Ela afirmou que o processo que se instaura atualmente atua de forma a desestabilizar governos que não interessam as potências internacionais, envolvem elementos de articulação com a grande mídia e alertou para o financiamento de movimentos e manifestações opositoras desses governos, como partidos de direita, bem como a  incidência muitas vezes nos resultados eleitorais nos países. “Isso afronta a soberania popular. As urnas votam e os mercados vetam”, disparou.

Para ela, não é possível olhar para a crise econômica, política, social que vivemos no nosso país sem compreender as raízes internacionais dessa crise.

“O processo de integração latino-americana que construímos no último período foi um desafio às potências e principalmente aos EUA. É nesse contexto que está inserido o golpe no Brasil. Derrubar o governo Dilma é um primeiro passo dentro de um cenário maior de reorganização das forças neoliberais, de ofensiva dos conservadores na região, um primeiro passo com consequências e políticas muito mais profundas que na década de 1990”, ressaltou.

 

Fotos: Rebeca Belchior – CUCA da UNE

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