Unidade para fortalecimento da América Latina foi um dos temas da última mesa do primeiro dia do 64º Coneg da UNE, que discutiu também o projeto “Ponte para o Futuro” e o imperialismo no continente

O último debate da noite de sexta-feira (15) do 64º CONEG da UNE discutiu o imperialismo na Americana Latina e o projeto do governo ilegítimo de Michel Temer, intitulado “Ponte para o Futuro”.

A mesa foi aberta com a participação da cubana Heidy Ortega, presidenta da Organização Continental Latino Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE). Ela destacou a importância de discutir o tema no fórum da UNE com objetivo de chamar a atenção para a realidade atual e fazer frente à ofensiva imperialista em curso.

“O manifesto de Córdoba, de 1918, dizia que ‘estamos vivendo em uma hora americana’. Este momento, agora, também é de uma hora americana”, disse Heidy, em referência à reforma universitária de Córdoba, na Argentina, movimento estudantil que inspirou, de certa forma, as demais lutas universitárias latino-americanas ao longo do século 20.

COMBATER A ASCENÇÃO CONSERVADORA E NEOLIBERAL

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A presidenta da OCLAE traçou um panorama sobre o cenário político na América Latina desde o início do século 21, quando ocorreu uma série de eleições de representantes de ideais esquerdistas, progressistas e revolucionários, até as ações atuais que combinam o interesse norte-americano de recuperar sua hegemonia com a ascensão recente de governos neoliberais.

“A volta dessa direita não trará outra coisa a não ser retrocessos”, ponderou Heidy, que destacou ações para enfrentar a ofensiva imperialista em curso. Entre elas, estão a promoção da maior unidade possível entre os povos latino-americanos e o desenvolvimento de uma política comunicacional que inspire e motive os jovens sobre a importância da participação nessa luta.

Rubens Diniz, da Fundação Maurício Grabois, destacou os avanços no processo de integração do continente nos últimos dez anos.

“Neutralizamos o ALCA e nessa jornada conseguimos grandes avanços em um continente que pouco olhava para si e para os seus vizinhos. Hoje, os conflitos existentes estão sendo resolvidos aqui na Unasul, na Celac”, afirmou.

Neste processo de integração da América do Sul ele destacou o reconhecimento dos direitos trabalhistas e sociais de um país para o outro e também a ajuda a Cuba de forma solidária e afetiva ao financiar a construção do Porto de Mariel, hoje com grande importância econômica para o Brasil. Também citou “a política externa que o Brasil adotou altiva e ativa”.

Diniz ainda afirmou que “a tal ‘Ponte para o Futuro’ é o retorno a uma política externa submissa, vinculada ao interesse das grandes potencias, que quer voltar para a década de 1990, da época da Alca que hoje tem outro nome, a TTIP [Transatlantic Trade and Investment Partnership]”.

As raízes internacionais dentro do golpe

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A bacharel em Relações Internacionais e ex-diretora da UNE, Juliana Gonçalves, fez um histórico sobre a discussão do conceito do imperialismo e a raízes internacionais da construção do golpe no Brasil.

Ela afirmou que o processo que se instaura atualmente atua de forma a desestabilizar governos que não interessam as potências internacionais, envolvem elementos de articulação com a grande mídia e alertou para o financiamento de movimentos e manifestações opositoras desses governos, como partidos de direita, bem como a  incidência muitas vezes nos resultados eleitorais nos países. “Isso afronta a soberania popular. As urnas votam e os mercados vetam”, disparou.

Para ela, não é possível olhar para a crise econômica, política, social que vivemos no nosso país sem compreender as raízes internacionais dessa crise.

“O processo de integração latino-americana que construímos no último período foi um desafio às potências e principalmente aos EUA. É nesse contexto que está inserido o golpe no Brasil. Derrubar o governo Dilma é um primeiro passo dentro de um cenário maior de reorganização das forças neoliberais, de ofensiva dos conservadores na região, um primeiro passo com consequências e políticas muito mais profundas que na década de 1990”, ressaltou.

Fotos: Rebeca Belchior – CUCA da UNE