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CONEG debate o papel da cultura na resistência e na narrativa do golpe

17/07/2016 às 12:55, por Natasha Ramos.

“Somos a residência da resistência artística do Rio de Janeiro”, diz integrante do Ocupa Minc – RJ durante debate que acontece no aniversário de dois meses da ocupação da Funarte, no Rio de Janeiro, uma das mais representativas do movimento

“Há exatos dois meses, no dia 16 de maio, nós fizemos o abraçasso no palácio da Capanema e iniciamos a ocupação no prédio que hoje funciona a Funarte no Rio de Janeiro”, diz Anna Karenina, do Ocupa Minc RJ. “Gostamos de dizer que somos a residência da resistência artística no Rio de Janeiro” acrescenta.

O movimento de ocupação contra o fim do Ministério da Cultura foi um dos debates do 64º CONEG. Além de Karenina, participaram da mesa “Ocupa MinC, o papel da Cultura na Resistência”, realizada na manhã deste sábado (16), Pablo Capilé (Fora do Eixo), Ivana Bentes (ex-secretária da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC), Ana Petta (atriz e produtora cultural) e Géssica Regis (Ocupa MINC RN).

Segundo Karenina, a ocupação no Rio se organiza de forma horizontal, a partir de grupos de trabalho. Em média, 50 pessoas ocupam diariamente o espaço, e a pauta que os une é o Fora Temer.

“A ideia é ocupar e resistir até o Temer cair”, diz.

Representando o Ocupa Minc do Rio Grande do Norte, Géssica Regis pontuou junho de 2013 como um divisor de águas nesse engajamento. Ela também lembrou da ocupação dos estudantes secundaristas, que se iniciou no final do ano passado em São Paulo e tem se espalhado pelo Brasil.

“O Ocupa MINC RN bebe, diariamente, da fonte das ocupações dos secundaristas. Eles nos dão uma verdadeira aula de como se organizar, de como organizar a escola; mostram isso para nós, da cultura”.

Cultura na linha de frente

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“Não é por acaso que a cultura esteja na linha de frente no primeiro ciclo pós-golpe”, diz Pablo Capilé para, em seguida, traçar um paralelo entre o levante da comunidade artística e as políticas implementadas durante o governo Lula e Dilma, um dos fatores que ajudou a diversificar e dar voz a muitos invisíveis da cultura.

“Eu sou de Cuiabá, o que eu fazia lá não tinha eco no resto do país”, diz.

O cuiabano, um dos idealizadores do Fora do Eixo, explica que, a partir de 2001, por conta de iniciativas como as conferências de cultura municipais, estaduais e nacional, o setor acaba sofrendo uma transformação, saindo da perspectiva elitista, para se tornar muito mais plural.  “Aglutinando desde o músico até o índio”, diz.

A comunidade artística, muito mais diversa, se apresenta mais forte. “A cultura sempre foi vista como utilitária. Agora, ela tem também as suas próprias pautas e se vê na linha de frente na defesa dos direitos”, afirma Capilé.

Golpe contra a cultura

Ao se colocar a linha de frente, ela é vista como uma ameaça para o atual governo golpista de Michel Temer. “O golpe instalado no país hoje é contra a cultura”, afirma Ivana Bentes. “Essa emergência da diversidade, do funk, da cultura, do rolezinho, essa convivência do que é plural na sociedade brasileira era encoberta. [Ao eliminar o MINC] Estão tentando voltar a como era antes”, acrescenta.

A comunidade artística teve um papel importante também na denúncia do processo de golpe em curso no país.

“Há uma disputa essencial da narrativa que é a narrativa do golpe. A direita, a mídia e os conservadores ficaram o tempo todo batendo na tecla de que o impeachment era legítimo. Nós, juntamente com outros movimentos, conseguimos revelar para a sociedade que isso era um golpe”, diz Ana Petta.

A atriz e produtora cultural mobilizou um pessoal do teatro e, em três dias, lançou o vídeo “Roda Mundo”, em que diversos atores e gente ligada ao meio artístico denunciaram o golpe que já se delineava.


Fotos: Rebeca Belchior – CUCA da UNE

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