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Comissão da Verdade da UNE apresenta relatório sobre Honestino

31/03/2015 às 14:51, por Redação.

Por Artênius Daniel

Presidente da entidade morto em 1973 tornou-se símbolo para a juventude brasileira, mas paradeiro dos restos mortais ainda é incerto

Honestino Guimarães tinha o radical da palavra honestidade no próprio nome. Um nome forte para um personagem forte da história de resistência à ditadura militar brasileira, sequestrado e morto pelo regime enquanto era presidente da União Nacional dos Estudantes.

Honestino sumiu no ano de 1973 e se tornou um emblema para a juventude brasileira, um líder permanente, um rosto pintado em estêncil e pelas histórias dos que o conheceram. Inteligente, sensível, obstinado, firme e genial são alguns dos adjetivos que acompanham sua descrição.

Não por acaso, Honestino foi o primeiro estudante a ter sua trajetória investigada pela Comissão da Verdade da UNE, grupo criado em 2013 e que agora apresenta os seus primeiros relatórios.

Leia aqui, na íntegra, o relatório da Comissão Nacional da Verdade da UNE sobre Honestino Guimarães.

ONDE ESTÁ HONESTINO?

A pesquisa sobre o estudante goiano, que teve grande parte de sua militância política no curso de Geologia da Universidade de Brasília (UnB), envolveu consulta a diversos documentos da época, pesquisas acadêmicas e outros relatos. Segundo a coordenadora da Comissão da Verdade da UNE, a historiadora Raisa Marques, um dos desafios é a falta de registros oficiais sobre o líder estudantil.

“Não há muitas indicações sobre sua prisão, desaparecimento e, principalmente, para onde seus restos mortais foram encaminhados. O Estado já o declarou morto, mas onde está o corpo? Nossa principal pergunta é essa, queremos saber onde está o Honestino”, afirma.

Segundo Raisa, em meio às pesquisas da comissão, houve uma possível indicação para esse paradeiro: “Tivemos a informação de uma vala em Petrópolis, com diversas ossadas, que poderia ter sido o destino do corpo, mas precisamos avançar para esclarecer”, diz.

CONVOCAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS

O relatório da Comissão da Verdade da UNE sobre Honestino Guimarães vai além de apresentar as informações sobre a trajetória do líder estudantil. O documento também recomenda uma série de ações para o desenvolvimento do caso, incluindo a convocação daqueles citados como responsáveis pela operação de prisão do estudante.

Entre os nomes mencionados está o do coronel Paulo Malhães, que assumiu ter realizado torturas durante a ditadura e foi encontrado morto em abril de 2014, antes que pudesse ser questionado sobre o caso de Honestino. As outras recomendações do relatório incluem também a criação de um grupo de trabalho entre a Comissão da Verdade da UNE, a Comissão da Verdade do Estado de Goiás e a Comissão da Verdade da Universidade de Brasília (UnB).

RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO DA UNE

O relatório final da Comissão da Verdade da UNE deverá ser apresentado no Congresso da UNE, marcado para o início de junho. Segundo Raisa Marques, o texto tenta compreender em que medida o movimento estudantil era um alvo específico da ditadura militar e como esse mapeamento e perseguição aos seus líderes acontecia.

Ela também adianta que o documento da UNE irá trazer observações e críticas à Comissão Nacional da Verdade, criada pelo governo federal e que apresentou seu relatório em 2014: “Lamentamos que esse tipo de iniciativa ainda não seja punitiva, não aplique penas aos torturadores e agentes de repressão”, avalia. O relatório será acompanhado de textos de suporte, escritos por especialistas e autoridades da área de Direitos Humanos, Anistia e da luta pela verdade no Brasil.

 

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