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Com a palavra, as presidentas

07/03/2017 às 15:32, por Cristiane Tada.


Líderes das Uniões Estaduais falam sobre os desafios das mulheres estudantes brasileiras

As Uniões Estaduais Estudantis são importantes braços da UNE, organizando a luta nos Estados, compondo pluralidade e particularidades regionais nas bandeiras de luta do movimento estudantil brasileiro. Em consonância com o que se vê nas universidades em todo o país, as mulheres são maioria também à frente dessas entidades.

Conversamos com as presidentas e coordenadoras de UEEs do Norte, Nordeste, Sudeste e Sul para saber quais os desafios das mulheres estudantes brasileiras?

Bruna Brelaz, presidenta da União Estadual de Estudantes do Amazonas (UEE-AM)

“As meninas do movimento estudantil cumprem um papel significativo no que tange a afirmação de mulheres nos espaços de poder. Digo isso, por que seja dentro da escola ou dentro da universidade, a representatividade feminina dentro dos espaços de organização estudantil ajudam a fortalecer a ideia de que mulheres também podem liderar a construção de importantes lutas. É óbvio que ainda existem muitos gargalos a serem superados. A subestimação da mulher jovem e liderança, consequência de uma cultura machista, são reforçadas muitas vezes nos diversos espaços de atuação e isso precisa ser imediatamente combatido. O importante é que nós não deixaremos de disputar os espaços, sejam quaisquer forem eles, do Parlamento ao Centro Acadêmico, entendendo que essa luta está diretamente entrelaçada com o desenvolvimento político, social e econômico do nosso país.”

Nágila Maria, presidenta da União dos Estudantes da Bahia (UEB)

“Seguramente eu afirmo que nós estamos hoje no comando do ME. O movimento feminista encontra-se muito mais fortalecido, isso se reflete nos movimentos sociais. A primavera feminista foi, na minha opinião, um marco histórico para a nossa luta contra o machismo. É inevitável falar da incursão golpista no nosso país, que ataca diretamente os direitos das mulheres. Precisamos de muita unidade e solidariedade no movimento feminista para enfrentarmos o golpe e o machismo. Não poderia deixar também de falar da realidade de nós mulheres negras que sofremos duas vezes mais preconceitos. Somos vítimas do machismo e do racismo, cotidianamente. A luta contra as opressões na nossa sociedade é grande e longa”.

Luanna Ramalho, presidenta da União Estadual de Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG)

“Neste 8 de março, nós, mulheres estudantes precisamos estar mobilizadas nas ruas de todo país. Precisamos dizer que já CHEGA de assédio dentro da universidade, chega de insegurança por falta de uma guarda humanizada e sem efetivo feminino para atender as mulheres que hoje são maioria dentro da universidade. Também precisamos juntas dizer que essa reforma da previdência não nos representa, pois acaba com o direito a aposentadoria e ignora a desigualdade de gênero existente hoje no mercado de trabalho, no qual a mulher tem menos direitos, trabalha mais e recebe menos”.

 

Flávia Oliveira, presidenta da União Estadual de Estudantes de São Paulo (UEE-SP)

“O estado de São Paulo é atingido pela crise econômica e política que atingi o país, aqui travamos grandes lutas contra a corrupção do governo do estado, como foi a CPI da Merenda conquistada pela ocupação da ALESP. Ao mesmo tempo temos que enfrentar a luta contra o sucateamento das universidades estaduais, que em decorrência da crise econômica tem queda em sua arrecadação e por isso passam por um processo de redução de departamentos, demissão de professores e funcionários, redução de bolsas e corte de itens de “primeira necessidade” da assistência estudantil, como é o caso de centenas de vagas extintas em creches e unidades inteiras sendo fechadas sem qualquer aviso prévio, como recentemente aconteceu na USP. Já nas universidades privadas seguimos na luta pela implementação das praças universitárias que seriam responsáveis por atender às demandas das mães, o diálogo com o poder público é difícil e árduo mas nós não desistiremos, enfrentaremos o machismo de frente seja na luta das creches ou na denúncia das diversas formas de assédios que se manifestam nas universidades das festas ao âmbito acadêmico. Acreditamos na educação como força transformadora da sociedade patriarcal!”

Thaís, Berg, coordenadora da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul Livre (UEE Livre)

“As estudantes no Rio Grande do Sul foram protagonistas no enfrentamento ao governo Sartori, e também foram linha de frente das ocupações nas escolas e universidades. No próximo período nosso desafio é pela volta da secretaria de mulheres no RS, pelo fortalecimento dos núcleos feministas nas universidades, e principalmente a resistência ao pacote de maldades do governo Temer e a reforma da previdência, que nos afetam diretamente”.

 

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