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Ciro Gomes e José Cardozo esquentam CONEG com a mesa “Diálogo que nos UNE”

16/07/2016 às 20:30, por Cristiane Tada e Renata Bars.

Última mesa do segundo dia do CONEG colocou o golpe no centro do debate e trouxe visões de unidade sobre as saídas para a crise 

A série de vídeos ”Diálogo que nos UNE” saiu do YouTube para ocupar o auditório da Universidade Paulista, em São Paulo. O ex-ministro Ciro Gomes; o ex-Advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo; o deputado federal Ivan Valente (PSol-SP) e o representante do Partido Pátria Livre (PPL) Márcio Cabreira compuseram uma acalorada mesa de debates na tarde deste sábado (16) durante o 64º Conselho Nacional de Entidades Gerais.

O tema “saídas para a crise” provocou as ideias dos debatedores que expuseram pontos de vistas para a plateia de estudantes de todo o Brasil inquietos com os ataques à democracia no país.

Foi consenso que a unidade deve pautar os próximos passos das forças progressistas para assim poder barrar o golpe e impedir mais retrocessos.

Conhecido pelo tom ácido com que dispara contra os seus amigos e inimigos, Ciro refletiu: “Estamos perdendo a batalha da chama da democracia não só para esse bando de picaretas golpistas, mas para os nossos erros. Precisamos aclarar essa confusão e seguir o rumo da unidade”, disse.

Com a alcunha de quem tem rodado o país para denunciar o golpe e os golpistas, Ciro quer um debate mais profundo sobre a nação. “Não temos como afirmar nada sobre o futuro do país. Nós precisamos conversar sobre o Brasil mais profundamente. É preciso iluminar a confusão de maneira que a gente saia do gueto, de falar o nós, para nós mesmos, e celebrar novamente consensos”, disse.

Para o ex-governador do Ceará, o principal de tudo isso é começar a discutir um novo modelo de desenvolvimento.

“Eu advogo que é o Estado Nacional, recuperado, saneado, restaurado na sua condição de financiamento, o que quer dizer uma batalha política depois da outra. Isso tem a ver com política industrial de comércio exterior, tem a ver com uma política de relações internacionais completamente diferente dessa que está aí. O desenvolvimento que precisa ser criado no Brasil tem a ver com a superação da desigualdade e o investimento em gente, em que o gasto per capita em educação não decline”, pontou.

É GOLPE!

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José Eduardo Cardozo, que se destacou na defesa da presidenta Dilma com exposições contundentes e posições jurídicas firmes contra o golpe afirmou que no processo “há uma ilegalidade, há uma ilicitude”. Para ele, “diante dessa situação, é uma desobediência à constituição, uma ruptura constitucional e, portanto, um golpe”.

Para Cardozo, o governo ilegítimo de Michel Temer nasce com o rompimento democrático. “Através de uma situação que é claramente golpista e, além disso, nasce dentro de um projeto conservador negador daquilo que foi aprovado nas urnas nas eleições de 2014”, sentenciou.

“Só a Democracia pode gerar forças suficientes para pactuações, para caminhos que façam com que o Brasil venha a ter novos e melhores momentos”, disse Cardozo. E defendeu que, neste momento, é urgente e necessário a esquerda brasileira ter um projeto de unidade. ‘No futuro, teremos que respeitar as nossas divergências para potencializar de fato a unidade e construirmos algo em comum’’, disse.

GOVERNAR PARA O POVO

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O pré-candidato à vice-prefeito de São Paulo, Ivan Valente, destacou que a saída para a crise é atuar na base, aliado às massas. ”É hora da esquerda ser generosa e compreender a gravidade do momento. Talvez a gente tenha pensado que a democracia estava completamente consolidada no país, mas como confiar numa elite retrógrada liderada pela bancada da bala? Não se pode governar sem pressão de baixo pra cima. Precisamos parar de falar com o mercado e focar nos trabalhadores”, avaliou.

Já Cabreira lembrou que as esquerdas precisam se unir para fazer uma transformação. ”Temos que parar de dar dinheiro para as multinacionais. Não dá para fazer uma nação justa aliada a uma política de juros que favorece aos banqueiros. O Brasil pode e deve crescer nesse momento de crise,  mas as alianças políticas precisam ser repactuadas com o rompimento da lógica do capital estrangeiro”, destacou.

 

Fotos: Rebeca Belchior – CUCA da UNE

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