Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

“Cidade linda é construção coletiva”: Fernando Haddad fala à UNE

01/02/2017 às 18:11, por Sara Puerta Foto: Vitor Vogel/Cuca da UNE.


Ex-prefeito de São Paulo foi convidado da 10ª Bienal da UNE. Confira entrevista:

Fernando Haddad,  professor e ex-prefeito de São Paulo, esteve na 10ª Bienal da UNE  nessa terça-feira (31). Convidado do encontro “ Reinvenção das Fronteiras”, ele indicou, na sua opinião, o que é preciso para reinventar o mundo e uma a cidade.

Sua gestão na prefeitura recebeu prêmios por inovação em mobilidade e acesso aos espaços públicos. Para Haddad todos os caminhos passam pela democracia. “ O centro da pauta de transformação de uma cidade é o ser humano”, disse.

Confira entrevista do ex-prefeito ao Site da UNE.

Como é o tema da 10ª Bienal, quais são os caminhos para a Reinvenção? Ela já está acontecendo no Brasil?

Primeiro,  gostaria de parabenizar a UNE pela escolha do tema dessa edição. Essa reinvenção é urgente, está na ‘ordem do dia’. O mundo está passando por transformações profundas e não temos clareza sobre as direções  que serão tomadas com essas mudança.

Mas sabemos elas dependem de decisões tomadas agora, da capacidade de organização e reflexão das pessoas..

Existe uma crise generalizada no mundo, por conta de esgotamento do sistema que demostra incapacidade operacional de dialogar com os anseios das pessoas.

Temos que fazer uma contribuição, um diagnóstico de como chegamos à essa situação. E colocar a perspectiva de uma sociedade mais fraterna, no lugar dessa que é exclusiva, excludente, desigual e intolerante.

Sobre as políticas voltadas para a imigração – que é tema do debate que você é convidado na Bienal – como o Brasil pode avançar?

Estão acontecendo fluxos migratórios muito fortes em função da crise do capitalismo. Países estão sendo destruídos, como a Síria que passa por um momento muito difícil, e gerou milhões de refugiados.  Em paralelo,  acompanhamos a reação dos países contra esses fluxos migratórios que eles criaram por meio de guerras que eles mesmos desenvolveram. É um Paradoxo!  Ele cria uma guerra, destrói um país, e depois não quer receber os refugiados.

O Brasil dá demonstração de solidariedade.  Na cidade de São Paulo, foi criado o Centro de  Referência e Atendimento do Imigrante , o CRAI, o primeiro dentro de acolhida no país, porque já tinhamos percebido essa necessidade, já que São Paulo é uma cidade de  imigrantes

Também foi sancionada no Fórum Social das Imigrações no ano passado, uma lei de hospitalidade ao imigrante,  que é um marco da imigração no Brasil.

A sua gestão na prefeitura de São Paulo recebeu prêmios por propostas de inovação, quanto à mobilidade. Como se reinventa uma megalópole como São Paulo?

Tudo parte da questão democrática. Se aprofundar essa questão nas cidades, a chance dela ser melhor são enormes.

Por que o transporte tem que ser priorizado? Porque a maioria da população usa transporte público. Se não é oferecida uma faixa exclusiva, por exemplo, você está colocando esse transporte público em um congestionamento praticado e promovido pela condução individual e motorizada. Não é justo pelo ponto de vista democrático, que quem opte pelo meio coletivo não encontre nenhuma regalia de prioridade, já que ele não está criando engarrafamento.

E vai além do transporte: as praças devem ocupadas, as pessoas tem que estar no centro da atenção das cidades. Quando se percebe que o centro da pauta deve ser o ser humano,  cada um com sua diversidade, você consegue colocar questões combinadas de gênero raça, classe, a questão LGBT,  e assim, produzir uma cidade para todos. Quando  é essa a diretriz fica mais fácil tomar decisões. Claro que surgem reações de quem se vê lesado por seus privilégios, mas se for buscar uma cidade mais democrática, essa decisão tem que ser tomada.

Como apoiador do Grafitti, qual sua opinião sobre o Projeto “ Cidade Linda” da atual prefeitura de São Paulo que apaga os desenhos e a arte dos muros?

A cidade, os artistas, a imprensa e os articulistas, tiveram uma reação interessante à essa ação que pintou de cinza os muros grafitados. Aqueles Grafittis foram bancados com dinheiro público, por meio de uma curadoria envolvendo 200 artistas, e que ao mesmo economizou dinheiro, já que não é preciso pintar de cinza recorrentemente uma avenida que ficou colorida e se tornou a maior galeria a céu aberto do mundo.

E, afinal “Cidade Linda” é o quê? Esse é um conceito social, de construção coletiva, e não algo que parte da cabeça de uma pessoa. Cidade Linda é cinza? Tem lâmpadas de led? Jardim Vertical?  É grafitada?

No meu discurso de transmissão de gestão eu disse que São Paulo já era linda, mas poderia ficar ainda mais linda se houver mais tolerância.

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo