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Che Guevara, o povo sem medo e uma noite de unidade em São Paulo

09/10/2015 às 13:49, por Rafael Minoro.

Frente de mobilização é lançada para combater ideias conservadoras, a austeridade fiscal e cobrar do governo as reformas estruturais para o país sair da crise

No dia em que o mundo lembrava o assassinato do guerrilheiro revolucionário Ernesto Che Guevara, movimentos sociais brasileiros firmaram simbolicamente a data de 8 de outubro de 2015 como o nascimento da frente nacional de mobilização “Povo Sem Medo”.

Trata-se de uma articulação ampla entre juventudes partidárias e de igrejas, movimentos estudantil, de negros, mulheres e sem-teto, além de centrais sindicais. Participam UNE, UBES, ANPG, CUT, CTB, MTST, Unegro, Intersindical e muitas outras entidades e organizações.

O ato de constituição da frente foi realizado no centro da capital São Paulo, em um auditório próximo ao metrô da Sé. Antes das falas e saudações, as centenas de presentes viram uma homenagem a Che Guevara, com trechos de poesia sobre a sua vida e a interpretação da famosa música Hasta Siempre. Em 8 de Outubro de 1967, o líder revolucionário argentino e um dos comandantes da Revolução Cubana foi capturado e morto pelo exército boliviano, quando estava estabelecendo uma base de guerrilha.

Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto,  lembrou que a frente não é resultado só daquele dia, mas vem de várias mobilizações nas ruas do país contra os avanços das ideias conservadoras de uma direita que quer colocar na ordem do dia pautas como a redução da maioridade penal, o estatuto da família e a terceirização.

“Diferente da direita”, ele destacou a diversidade daquele ato: “Nesse momento em que os movimentos sociais e o povo brasileiro se levantam, a decisão é de levar de forma intransigente para as ruas as nossas contraofensivas ao avanço conservador, que não passará no nosso país, e às políticas de austeridade”, destacou.

“A saída tem que ser pelos de baixo, uma saída com a cara do povo, em uma frente  onde tem negro, nordestino, mulheres, gays, lésbicas, onde tem a diversidade do povo brasileiro. Construir um novo ciclo de mobilização por reforma populares e pela esquerda”, destacou o representante do MTST.

LAERTE SEM MEDO

Laerte_Povo_Sem_Medo
A cartunista Laerte foi uma das personalidades presentes. Em uma rápida saudação, ela observou que ali realmente tinha uma grande diversidade e afirmou estar feliz por poder participar do lançamento da Frente.

“Me sinto sem medo”, disse. “E espero que a ausência do medo nos leve à lucidez e que isso seja capa de fazer a gente enfrentar o ódio”, completou, fazendo referencia aos vários casos de intolerância que tem tomado conta da sociedade nos últimos meses.

Outros artistas que não puderam comparecer enviaram o seu apoio. Uma mensagem do escritor escritor Frei Beto foi lida durante o ato. Também mandaram um salve para a frente o ator Gregório Duvivier, os músicos Tico Santa Cruz  e Karina Buhr, o escritor Ferréz, os jornalistas Leonardo Sakamoto e Juca Kfouri e a psicanalista Maria Rita Kehl.

ESTUDANTES NA FRENTE

A presidenta da União Nacional dos Estudante, Carina Vitral, lembrou Che Guevara, o comandante de sonhos, da rebelião e da revolução. “E é na diversidade do nosso povo e das nossas organizações que a gente compõe essa frente para nos somarmos em nossos sonhos e nas nossas lutas”, disse.

Carina criticou a onda conservadora do Congresso Nacional, “em sua maioria eleitos pelos financiadores de campanha”, que quer aprovar a terceirização, a redução da maioridade penal e o estatuto da família. “A saída é uma reforma política com o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais”, apontou.

“Contra a direita e por mais direitos. Essa segue sendo a nossa insígnia”, finalizou.

A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Bárbara Melo, foi dura ao dizer que a solução para a crise “não é colocar no ombro da juventude e dos trabalhadores”.

Bárbara destacou que a Frente já tem um histórico de lutas. “Estamos aqui para aprofundar mudanças. É muito importante termos unidade”, disse. “A UBES vai ocupar cada vez mais as escolas e universidades, o MTST vai lutar cada vez mais por moradia digna, a CTB e a CUT vão defender cada vez mais os direitos dos trabalhadores”, convocou.

PRÓXIMAS AÇÕES

Os primeiros atos da “Frente Povo Sem Medo” serão dia 8 de novembro. Estão previstas manifestações em várias cidades. Em São Paulo, deverá ser na Avenida Paulista, que tem sido o local de referência para os grupos conservadores realizarem protestos por impeachment, pela volta da ditadura e contra os programas sociais.

A Frente pretende ainda pressionar o Congresso Nacional e o governo federal para avançar em reformas, como a do sistema político, do Judiciário, das comunicações, a tributária, a urbana e a agrária.

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