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‘Sem governo eleito, o Brasil não é levado a sério no mundo’ diz Celso Amorim

11/05/2018 às 23:35, por Alexandre de Melo.


Ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores, diplomata participou do debate “Democracia na Universidade e no Brasil” da UNE Volante na UFMG

Celso Amorim (Santos, 1942) é um dos maiores diplomatas brasileiros, ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula e Itamar Franco, além de ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff. Entre 2009 e 2010, Amorim foi apontado como o ‘6° pensador global mais importante do mundo’ em ranking da Foreign Policy e o melhor ministro de Relações Internacionais, segundo publicações estrangeiras.

Em seu extenso currículo diplomático, Celso Amorim pode acrescentar a participação no CPC da UNE. “A minha ligação era com o cinema, eu fui assistente de “Os Cafajestes” (1962), do Ruy Guerra, fui contratado como continuista. E logo em seguida o Leon Hirszman, que já tinha me indicado para trabalhar com o Ruy, me convidou para trabalhar no Pedreira de São Diogo, aí tive um contato mais íntimo com o CPC. Foi um movimento muito importante”, conta.

Nesta sexta-feira (11), o diplomata participou do debate “Democracia na Universidade e no Brasil” no Campus de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em entrevista à reportagem da UNE Volante, Celso Amorim respondeu sobre a possibilidade de compor a chapa do PT como vice-presidente nas eleições 2018, rumos das relações exteriores do Brasil e defesa da democracia.

UNE Volante – Como garantir um processo eleitoral plenamente democrático após a prisão do ex-presidente Lula?
Celso Amorim – Com Lula preso, nossa democracia não existe. Temos que continuar lutando por todos os meios para ter a liberdade do Lula. É preciso mobilizar a opinião pública e pressão internacional para que algum momento tenhamos luz sobre essa situação. Não é fácil. A gente pode ter esperança que algum recurso seja julgado antes da eleição. A situação é absurda. O maior líder brasileiro, preferido dos eleitores em todas as pesquisas de opinião, preso. Não vamos abandonar essa luta. Tudo que puder ser feito no campo político e jurídico será feito.

UV – Como o senhor avalia a intervenção no Rio de Janeiro até o momento? Há riscos de intervenção em outros Estados?
CA – Não dá para perceber nenhum benefício na intervenção do Rio de Janeiro. Pelo contrário. Há muitas queixas nas comunidades sobre assédio junto às populações. É um tanto duvidoso, já que a gente depende muito da grande mídia para saber, mas parece que esse tipo de assédio diminuiu. Mesmo assim a gente ouve falar de mortes como da Marielle. Logo depois do caso dela, morreram cinco jovens no Maricá, outras situações na Rocinha. Nada até agora justifica a intervenção e, sim, de fato, fica a preocupação que a intervenção no Rio seja um ensaio para outros Estados. Aliás, foi dito por um dos interventores que trata-se de um laboratório. É um risco real que o autoritarismo venha conter os movimentos democráticos e progressistas que vão tentar defender o presidente Lula.

Celso Amorim defende a democracia com Lula livre no debate da UNE Volante. Crédito: Bárbara Marreiros

UN – O Brasil já teve um papel de maior destaque no mundo dialogando com o Oriente Médio, África e compondo o BRICS. É possível retomar esse caminho de liderança mundial?
CA – Primeiro, precisa ter um governo com legitimidade. Sem governo eleito, o Brasil não é levado a sério no mundo. Não teremos liderança nenhuma enquanto não tivermos um governo eleito. Na própria América do Sul vimos isso. Nós estamos vendo a  Unasul desabar. A Unasul foi resultado de um esforço dos presidentes da América do Sul e do presidente Lula que está sendo jogado fora. Antigos conflitos como da Venezuela e Colômbia foram mediados, a situação interna na Bolívia foi assistida. Sem falar os acordos comerciais e facilidades de locomoção. O governo que está aí e outros governos neoliberais promoveram o desmonte da Unasul. Agora, há o sucateamento das nossas riquezas que é a base da política externa independente. Hoje não há a menor possibilidade de repetir o que foi feito na época do governo Lula que liderou movimentos nos países de desenvolvimento na OMC, criou o IBAS depois o BRICS, promoveu a integração sul-americana, as cúpulas com os países árabes, o acordo do programa nuclear iraniano. Você vê o Brasil apequenado e sem ação internacional. Creio que teremos eleições e espero que sejam verdadeiramente democráticas com a presença de todos, sobretudo do ex-presidente Lula. O resultado vai legitimar o novo governo e aí podemos ter relações internacionais a altura do País.

UV – Em quais condições o senhor aceitaria concorrer a vice-presidente na chapa do PT?
CA – Isso não é algo que seja eu quem vai falar. Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, mas no Brasil as coisas mudam tão rapidamente que ficamos na dúvida. Eu acho importante lutar pela candidatura do Lula respeitando a posição de diversos partidos, mas trabalhando para que se aglutinem as forças progressistas e que aconteça algo como aconteceu no Rio. Não sei se será no meu nome, pode ser outro nome, mas é importante que o campo progressista esteja unido. Isso não se faz de maneira automática. Se faz negociando.

 

 

 

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