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Carina Vitral: “Universidade Federal da Baixada Santista, por que não?”

01/03/2016 às 14:03, por Carina Vitral.

Leia abaixo artigo da presidenta da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral, publicado no dia 1º de março no jornal A Tribuna, de Santos. 

 

“Universidade Federal da Baixada Santista, por que não?”

Ao completar 18 anos, deixei Santos, minha cidade, para realizar um sonho: ingressar em uma universidade pública. Assim como eu, milhares de jovens da Baixada Santista, todos os anos, mudam para diferentes cantos do estado ou do país para encontrar a formação que desejam e transformar seus destinos. Esse êxodo não seria necessário se o Ministério da Educação atendesse a uma justa e sensata reivindicação: a criação da Universidade Federal da Baixada Santista.

Não se trata, porém, de clamar apenas pelo comodismo de ter uma instituição pública e de excelência perto de casa. Trata-se de um imperativo do ponto de vista econômico e do desenvolvimento local, podendo contribuir para o avanço tecnológico na área de logística portuária e engenharia naval que o Porto de Santos demanda, para uma gama de engenharias do pólo industrial de Cubatão ou para as áreas do turismo e meio ambiente. Uma universidade federal pode ajudar a melhorar as políticas de educação, formando profissionais nas áreas das licenciaturas capazes de elevar a qualidade do ensino. O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao setor da saúde e a outras áreas estratégicas.

Considerando a nossa densidade demográfica, é alarmante ver regiões como Campinas, São Carlos e o ABC com suas próprias universidades públicas (Unicamp, UFSCar, UFABC) enquanto a Baixada Santista permanece alijada do processo. O campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), implantado em 2004, foi um avanço importante, entretanto, não é suficiente. Precisamos de uma universidade nova pensada para as potencialidades locais, capilarizada por campi em todas as cidades da Baixada.

O que faltou foi articulação e vontade política, principalmente por parte da Prefeitura de Santos, para liderar uma coalizão de forças em busca desse projeto, levando o pleito ao Ministério da Educação, envolvendo a bancada no Congresso Nacional, assim como todas as administrações municipais da nossa região, inclusive com a oferta de terrenos por parte de cada prefeitura, fortalecendo, também, nosso espírito metropolitano, hoje distante do ideal.

Os parcos investimentos estaduais no setor merecem destaque. Mesmo sendo uma economia diversificada e essencial para o bom desempenho  de São Paulo – a Locomotiva do Brasil – a Baixada não é enxergada como deveria pelo Palácio dos Bandeirantes. Temos apenas um acanhado centro da Unesp em São Vicente, que pouco evoluiu desde sua criação, há 20 anos. Recentemente, em 2012, assistimos a verdadeiro espetáculo pirotécnico eleitoreiro anunciando a chegada de um Campus da USP em Santos que, na verdade, acabou traduzido em irrisórias 10 vagas para o curso de Engenharia do Petróleo. Passados quatro anos, são ainda 50 vagas, em espaço adaptado na antiga Escola Estadual Cesário Bastos, sem estrutura adequada.

Por tudo isso, o apelo da nossa região, bela por natureza e detentora de bons índices de qualidade de vida, é mais do que justificável. Sendo assim, como santista que sou, estou de volta à minha cidade com a responsabilidade de empunhar essa bandeira. Por isso, a União Nacional dos Estudantes (UNE), em conjunto com o Centro dos Estudantes de Santos, iniciará uma grande campanha pela criação da Universidade Federal da Baixada Santista, levando em conta que o ministro da Educação é nosso conterrâneo. É necessária a mobilização do poder público e da sociedade civil organizada para a defesa deste projeto, que significará um futuro vasto em oportunidades para todas e todos os santistas.

>  Carina Vitral é estudante de economia da PUC-SP e presidenta da UNE – União Nacional dos Estudantes

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