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Capitais gritam contra o golpe no Primeiro de Maio

02/05/2016 às 10:05, por Vinícius Mendes.

Em ao menos 14 capitais do Brasil, a UNE se juntou a movimentos sociais regionais e nacionais neste domingo (1) para celebrar o Dia do Trabalho.

Os principais atos aconteceram em São Paulo – onde a presidenta Dilma Rousseff discursou para cerca de 100 mil pessoas, no Vale do Anhangabaú -, no Rio de Janeiro, em Curitiba e em Recife.

Dilma no Anhangabaú

Em São Paulo, a presidenta Dilma Rousseff se uniu a mais de 60 movimentos sociais, entre eles a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para se incluir na luta contra o processo golpista que tenta tirá-la do poder no Congresso Nacional.

No encontro, ela reafirmou o motivo pelo qual entende que a deposição que pode sofrer é ilegítima. “Estava muito difícil achar um crime [para o golpe]. Eles começaram dizendo que eram seis decretos. Eu, em 2015, fiz seis decretos de suplementação. O FHC, no ano de 2001, fez 101 decretos de suplementação. Para eles, não era golpe, não era nenhum golpe nas contas públicas”, argumentou Dilma, se referindo ao pedido de impeachment dos juristas Miguel Reale Júnior, Janaína Paschoal e Hélio Bicudo que está em tramitação no parlamento.

> VEJA UM TRECHO DO DISCURSO DE DILMA NO ANHANGABAÚ

Dilma ainda anunciou um pacote de medidas sociais que beneficiam ainda mais os trabalhadores e as classes socialmente inferiores brasileiras: o programa “Bolsa Família” será reajustado em 9% e ela enviará ao Legislativo propostas como a correção da tabela do Imposto de Renda em 5% a partir de 2017 e a criação de um conselho especial do trabalho, com participação de todos os setores envolvidos no emprego (governo, empresários e empregados).

Ela ainda anunciou um aumento no número de vagas do programa “Mais Médicos” e do número de casas construídas no programa “Minha Casa, Minha Vida”.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, que também participou e discursou no ato, afirmou que, se o golpe passar no Senado, os estudantes serão os primeiros a paralisar o país. “A juventude vai barrar esse golpe. Os estudantes não vão permitir retrocessos. Se esse golpe passar, o Brasil vai parar! É isso que a juventude e o Movimento Estudantil vão dizer”, disse.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, discursa no Vale do Anhangabaú durante ato do Primeiro de Maio - Foto: UNE

A presidenta da UNE, Carina Vitral, discursa no Vale do Anhangabaú durante ato do Primeiro de Maio – Foto: UNE

RIO CONTRA O GOLPE

No Rio de Janeiro, o ato se concentrou embaixo dos Arcos da Lapa, no Centro, mas alguns manifestantes também tomaram parte da Praia de Copacabana, na zona sul.

Na Lapa, o evento convocado pelos movimentos sociais teve shows de Nelson Sargento – presidente de honra da Mangueira – Noca da Portela e da sambista Bete Mendes, que foi torturada durante o regime militar brasileiro. O deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ) deu o recado ao final do encontro: “não vai ter golpe!”.

Ato contra o golpe no Rio de Janeiro - Foto: Bruno Bou

Ato contra o golpe no Rio de Janeiro – Foto: Bruno Bou

“Os atos foram descentralizados, mas teve muita gente em todos os lugares. O mais legal foi um ato espontâneo que aconteceu no centro da cidade em favor, especialmente, da pessoa da Dilma, chamado ‘Fica, querida’. O pessoal da UNE engrossou o número de participantes. Foi todo mundo em peso mesmo com o dia nublado que estava no Rio ontem”, conta o vice-presidente regional da UNE na capital fluminense, Leonardo Guimarães.

Na sexta-feira à noite, também nos Arcos da Lapa, outro ato – este com a presença da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), do Ministro do Trabalho, Miguel Rossetto, e de lideranças de diversos movimentos sociais, como a UNE, reuniu diversos manifestantes, que passaram a noite debaixo de chuva para gritar contra os golpistas.

ATO NA “REPÚBLICA DE CURITIBA”

Diversos sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais, como a UNE, se reuniram na Praça Rui Barbosa, no centro de Curitiba, novamente neste domingo, desta vez para protestarem contra o golpe de Estado movido no parlamento para depor Dilma Rousseff. Na sexta-feira, o Centro Cívico já havia sido tomado para lembrar o um ano do “Massacre do Centro Cívico”, quando o governador tucano Beto Richa usou aparato de guerra para conter uma manifestação pacífica de professores da rede estadual.

O deputado federal Tadeu Veneri (PT), um dos que discursaram no ato, disse que o golpe fere todos os direitos conquistados desde os anos 70 e 80 no país. “Esse espaço conquistado agora está sendo ocupado por quem está apenas interessado no poder”, disse.

Luta firme em Recife

O ato do Primeiro de Maio em Recife reuniu milhares de pessoas em torno do Marco Zero da cidade. O deputado Silvio Costa (PTdoB) e o senador Humberto Costa (PT), estiveram o tempo todo discursando contra o golpe.

Os manifestantes empunharam faixas contra o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conspiradores do processo ilegítimo de deposição de Dilma Rousseff. O ato foi convocado e organizado por diversos movimentos sociais, como a UNE.

“Foi um ato cultural também, com bandas, eventos, oficinas. As universidades foram mobilizadas e os alunos estiveram em peso. Aqui em Recife há um clima forte de resistência: tem muita gente acampada na Praça do Dérbi há algum tempo protestando contra o golpe. Essas pessoas já disseram que só vão sair quando tudo acabar”, conta Flor Ribeiro, vice-presidente regional da UNE em Pernambuco.

A UNE ainda esteve presente em atos em Fortaleza (CE), Aracaju (SE), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Porto Velho (RO), Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).

 

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