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Campanhas contra o assédio mostram que machismo não tem vez no carnaval

23/02/2017 às 16:54, por Renata Bars: Foto: Negoçada Carnaval.


Bloquinhos e marchinhas dizem não à falta de respeito com as mulheres

Abre alas que elas vão passar! E elas querem passar sem puxão de cabelo, sem aperto no braço e sem beijo forçado: em 2017, as foliãs querem um carnaval com respeito, por isso, campanhas contra o assédio estão ocorrendo em diversos cantos do país. Em Salvador, o bloco ”Me Salte” vai colocar a temática feminista nas ruas com muita música e empoderamento.

”O nosso mote é o carnaval sem machismo, fazendo paródia de músicas com conteúdo feminista. A gente pretende denunciar o assédio, o machismo e a violência contra as mulheres, e também lembrar de pautas importantes como o encarceramento de mulheres, o que de certa forma abre um pouco agenda pro 8 de março”, falou uma das organizadoras, a diretora de mulheres da UNE, Bruna Rocha.

O bloco acontece no dia 27 de fevereiro, segunda-feira de carnaval, no circuito Mudança Garcia, e é uma iniciativa do núcleo Mumbi da Marcha Mundial das Mulheres (MMM). (Confirme presença aqui)

No Rio de Janeiro, o “Bloco Mulheres Rodadas” completa três anos de irreverência e defesa da liberdade da mulher. Com saída prevista para o dia 1º de março, o mote #CarnavalSemAssédio promete mostrar que o contato físico sem consentimento não faz parte da grande festa que é o carnaval.

”É muito importante que em todo Brasil as mulheres se mobilizem e levem a narrativa do feminismo pra rua, porque o carnaval é um momento de folia, mas também é um momento estratégico para dialogar com o povo e denunciar o assédio”, lembrou Bruna Rocha.

EM BH, É HORA DE DAR UM BASTA!

Em Belo Horizonte, mulheres que integram diversos blocos de rua da cidade lançaram a campanha ”Tira a mão: é hora de dar um basta.” O objetivo é combater o assédio durante as festas.

As organizadoras da campanha explicam em seu texto de divulgação que a iniciativa é uma resposta a diversos comentários machistas que foram encontrados na internet após um jornal da capital mineira publicar reportagem sobre os blocos formados apenas por mulheres.

”O tom da campanha é leve e busca mostrar que a foliã está no carnaval para se divertir e que o limite entre o assédio e a paquera não está na roupa, na fantasia ou na dança. O limite está na vontade da mulher”, afirma o texto.

Assista ao vídeo:

EM SP, UMA MINA AJUDA A OUTRA

Na capital paulista, a revista #AzMina também lançou uma campanha para este carnaval. Intitulada ”Uma Mina Ajuda a Outra”, a ação engloba diversas dicas como oferecer água a uma mulher que esteja passando mal, estar atenta e denunciar caso outra mulher sofra assédio e telefonar para os amigos ou chamar um táxi caso encontre alguma mulher inconsciente.

Uma marchinha cantada por Bruna Caram e Chico César também foi divulgada. Assista aqui:

FANTASIA FEMINISTA SIM!

As estilistas Maíra Nascimento e Layana Thomaz e a artista Rafa Monteiro são as mulheres por trás da ”Negoçada”, marca de fantasias com motivos feministas para as mulheres arrasarem neste carnaval.

As peças da coleção remetem ao empoderamento feminino, com adereços de cabeça que lembram mini úteros e maiôs que levam patches bordados com as palavras ”feminista” e ”respeita as mina”.

Você pode conferir todas as peças aqui.

Foto: Facebook Negoçada

NÚMEROS DA VIOLÊNCIA

Em 2016, uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular, mostrou que a maior parte dos homens ainda é machista em relação à participação de mulheres nos festejos de rua.

Mais de 60% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de ser cantada; 49% disseram que bloco de carnaval não é lugar para mulher “direita”; e 56% consideram que mulheres que usam aplicativos de relacionamento não querem nada sério.

Outra pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid, também em 2016, mostrou que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades.

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