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Cadê a merenda? Estudantes surpreendem Alckmin na “SanFran”

23/02/2016 às 12:06, por Rafael Minoro.

Governador foi cercado e estudantes cobraram respostas à violência policial e o escândalo das merendas

Estudantes protestaram na noite da segunda-feira (22/2) contra a violência da polícia militar durante ato organizado dentro da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo. O ato lançou uma denúncia ao Ministério Público sobre os abusos da PM do Estado de São Paulo nas últimas manifestações.

O grupo aproveitou a posse da nova diretoria do Tribunal de Contas do Estado, que ocorreu no salão nobre da SanFran, para surpreender o governador Geraldo Alckmin (PSDB); o secretario da Segurança Pública, Alexandre de Moraes; e o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, esse último envolvido em denúncias de esquema de corrupção da merenda escolar. O trio participava do evento do TCE.

Na saída do governador, os estudantes cercaram o elevador da Faculdade e estenderam faixas repudiando a violência policial e começaram gritos contra a fraude na merenda das escolas do Estado de São Paulo.

Aos gritos de “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, “cadê a merenda?” e “a PM é assassina, é bomba nos cara, é bomba nas mina”, os estudantes cercaram a comitiva do governador do lado de fora até serem contidos pelos seguranças.

Suplicy participa do ato

O ato continuou dentro da Faculdade, no Salão dos Estudantes, com as presenças dos secretários municipais de Direito Humanos, Eduardo Suplicy, e da Igualdade Racial, Maurício Pestana. A deputada estadual Leci Brandão também participou.  A atividade foi organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, União Estadual de Estudantes de São Paulo (UEE-SP), União Paulista de Estudantes Secundaristas (UPES) e UNE.

A presidenta da UNE, Carina Vitral, destacou o simbolismo de um ato como aquele estar ocorrendo dentro da “SanFran”, instituição que durante a ditadura abrigou também períodos de resistência e defesa da liberdade e da democracia.

“É importante que a Faculdade consiga olhar também para quem ainda está fora dela”, disse, denunciando a violência da polícia nas periferias contra, principalmente, os jovens negros e pobres.

A presidenta da UEE-SP, Flávia Stefanny, convocou os estudantes a continuar na linha de frente dos protestos pela desmilitarização da PM.

“Não continuaremos pagando para sermos mortos, a juventude quer um basta nessa violência policial! Está mais que claro que o modelo de polícia que temos hoje não atende às necessidades da população. A desmilitarização é urgente. Seguiremos organizados para barrar as barbaridades do nosso Estado”, disse.

Suplicy admitiu abusos da polícia militar nas manifestações recentes e disse que os estudantes devem se mobilizar e levar todas as denúncias ao ministério público para serem apurados e os responsáveis punidos. “Não vejo sentido na ação da polícia com bombas para conter um protestos”, disse.

Leci disse que a polícia que existe hoje é racista. “Tem uma lógica de atuação seletiva contra negros e pobres da periferia”, disparou.

Denúncia ao MP

O Centro Acadêmico XI de Agosto junto com as outros entidades estudantis organizadoras do ato irá entregar ao Ministério Público uma carta denúncia sobre as recentes ações violentas da polícia militar contra as manifestações pacíficas ocorridas na capital São Paulo.

> Assista ao vídeo exibido durante o ato com imagens da violência policial contra manifestantes e moradores da periferia:

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