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Bienal pauta resistência ao golpe com grandes convidados

30/01/2017 às 11:59, por Artênius Daniel.

A reinvenção da política e da economia esteve na pauta do debate na Praça Verde

A atividade mais movimentada do primeiro dia da Bienal da UNE (29), em Fortaleza, foi o debate sobre o atual momento do país, as saídas para a retomada da democracia e a luta contra a perda dos direitos. O evento é o primeiro grande encontro do movimento estudantil e dos movimentos sociais brasileiros após o golpe de 2016 e a agenda de retrocessos do governo ilegítimo de Michel Temer.

Para deixar as suas impressões, provocações e propostas sobre o tema, foram convidados para uma mesa o governador do Piauí Wellington Dias (PT-PI), a senadora Vanessa Grazziontin (PCdoB-AM), o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT-CE), a ex-deputada federal Luciana Genro (Psol-RS), Ricardo Gebrin, da Consulta Popular e Márcio Cabreira, do Partido Pátria Livre.

Cerca de dois mil estudantes acompanharam o debate, expressando também suas opiniões sobre as falas dos convidados. O governador Wellington Dias criticou os efeitos do novo regime fiscal de Michel Temer, expresso principalmente na PEC 55 e nos seus efeitos drásticos. “Não há como fazer um ajuste para contribuir apenas com o pagamento dos juros da dívida pública. Não há como cortar investimento da saúde, da educação para favorecer somente esses grupos. Não podemos permitir nenhum direito a menos”, defendeu.

Auditório lotado para o debate sobre a reinvenção da política

Luciana Genro ressaltou o cenário de retrocesso do país, dizendo que as forças progressistas que estavam no poder foram substituídas por um conservadorismo reacionário e ilegítimo. “Precisamos ver onde estava o erro  que propiciou essa situação na qual estamos agora. As forças da direita nunca estiveram exatamente aliadas do poder”, opinou. Segundo ela, não será possível retomar um projeto popular para o país repetindo os mesmos erros do passado.

O ex-governador Ciro Gomes disse que o governo da presidenta Dilma, antes de sofrer o golpe da direita no país, perdeu apoio do povo com a política econômica do ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy, que beneficiou apenas os grandes grupos financeiros. “Não dá mais, nessa nossa longa estrada, para contemporizar e conciliar. Esse ciclo econômico morreu e estamos obrigados a discutir o futuro. O capitalismo e o liberalismo no Brasil são isso: lucro privado e prejuízo espetado no lombo do povo”, provocou.

Ciro Gomes participa do debate na 10ª Bienal

Já a senadora Vanessa Grazziotin lembrou que não será possível traçar alternativas para resistir ao golpe sem levar em conta quem foram os responsáveis pela manobra que feriu a democracia: “Não foi apenas um golpe parlamentar, foi a ação de um consórcio formado pelas elites, um consórcio envolvendo as elites, a mídia, em especial a rede globo, e o capital especulativo. Temos de ter inteligência e fazer frente a tudo isso”, convocou.

A Bienal da UNE segue nesta segunda com mais debates, mostras selecionadas e convidadas de diversas linguagens artísticas. O festival terá ainda mais um dia de programação no Dragão do Mar na terça-feira (31) e será encerrado na quarta, dia primeiro de fevereiro, com uma grande culturata (passeata cultural) pelas ruas de Fortaleza.

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