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Bienal dá fôlego à luta pelo Brasil

03/02/2017 às 15:42, por Artênius Daniel.


Rachel Dias

A 10ª edição da Bienal da UNE, que terminou nessa quarta (1) em Fortaleza,teve como saldo uma provocação positiva à cultura e à luta política brasileira, a partir da proposta da reinvenção. Durante quatro dias, cinco mil estudantes do país, somados à população local, prestigiaram o maior festival estudantil da América Latina, conheceram a arte produzida atualmente nas universidades de diversos estados, debateram com convidados de muitas áreas, apreciaram grandes atrações convidadas do teatro, da música e do cinema.

A Bienal, primeiro grande momento de encontro da juventude brasileira organizada após o golpe de 2016, cumpriu a função de ser um catalisador de energias para enfrentar esse momento. Essa é a opinião da presidenta da UNE, Carina Vitral: “Além de trazer a cultura para o foco e mostrar a diversidade do nosso país, essa Bienal, nesse momento histórico do país, foi um momento de grande convergência e construção de unidade entre os movimentos sociais e culturais, para enfrentar os desafios do ano que se inicia.”

Os desafios se colocaram, ainda dentro do evento, na roda de conversas dos estudantes sobre a crise econômica e política, que contou com a participação de nomes de grande relevo na política nacional, nos questionamentos sobre fronteiras e cidades do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, na urgência atual da clássica peça Navalha na Carne, encenada pelo Teatro Oficina (SP), na aula magna de Zé Celso Martinez para os jovens, nos shows de Emicida, Gaby Amarantos, em cada pedaço da programação. “Foi uma Bienal na hora certa e no lugar certo para começar uma nova jornada de mobilizações pela democracia”, acredita Carina.

A coordenadora geral do evento, Patrícia de Matos, que ao fim da Bienal se desligou da direção do Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca) enxerga o festival como um marco deste momento: “A Bienal da reinvenção cumpriu o seu objetivo e “lacrou”, com laço de renda cearense, a vivência de um ambiente que nos firmou em um caminho de reoxigenação da UNE e dos nossos parceiros. Não encontramos fórmulas. Mas certamente o caminho a seguir será o de conectar as agendas de todos os cantos, de todos os movimentos, das pautas gerais às específicas”, aponta. Para o lugar de Patrícia na condução do Cuca, foi escolhida a paulista Camila Ribeiro.

Realizada pela quinta vez no nordeste, a Bienal também ampliou os vínculos da UNE com essa região do país e com a cultura local. O cearense Ivo Braga, tesoureiro-geral da UNE e um dos responsáveis pelo projeto de trazer o festival ao estado, disse que a cidade teve a chance de conhecer melhor a UNE: “Fortaleza descobriu que a UNE é dinâmica, moderna, feita por gente de todos os tipos. Já os estudantes descobrem um pouco mais da história do Brasil a partir do nosso estado, da luta contra a escravidão, do Dragão do Mar, da cultura local. Fortaleza ajuda a UNE a entender o que é ser brasileiro”, acredita.

BIENAL EM NÚMEROS
O maior festival estudantil da América Latina teve mais de 100 atrações, durante quatro dias, totalizando mais de 40 horas de atividades. A Bienal teve a inscrição de 1.140 trabalhos, em suas sete áreas. O resultado foi a composição da mostra selecionada , no espaço do Dragão do Mar.
Já os convidados também compareceram em grande número. Quinze atrações musicais movimentaram os estudantes, passando pelos destaques Emicida, Gaby Amarantos e também por outras apresentações descentralizadas como o batuque dos afoxés, maracatus e o baile funk do Cuca da UNE.

Os encontros e debates do festival contaram com a presença de mais de 70 personalidades da cultura, política, movimentos sociais, intelectuais, comunicadores. O Lado C, que levou estudantes para conhecer localidades e projetos da periferia de Fortaleza realizou 10 visitas. A Bienal contou com a presença de estudantes de todos os 26 estados, distrito federal, além de representantes de outros três países

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