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BH: agressão a jovens e jornalistas no ato contra aumento das passagens

13/08/2015 às 18:46, por Artênius Daniel, de Belo Horizonte.

Polícia agiu com truculência em criminalização dos movimentos na noite da quarta (12), presidente da União Colegial de Minas Gerais chegou a ser preso

O aumento das tarifas de ônibus em Belo Horizonte vem causado revolta e surpresa na população desde o fim de julho, quando foi inicialmente anunciado, passando do valor de R$3,10 para R$3,40. Por se tratar de um reajuste de 9,7%, realizado pela segunda vez em um mesmo ano e contrário ao relatório de auditoria internacional contratada para mensurar o preço adequado do transporte na capital mineira, os movimentos Tarifa Zero e MPL BH convocaram uma ato público para a noite desta quarta-feira (12), no centro de BH.

A manifestação, pacífica e com a adesão de diversos movimentos sociais, incluindo a UNE e a UBES, encerrou-se de forma aterrorizante sob a ação truculenta deliberada da Polícia Militar de Minas Gerais. Na esquina da rua da Bahia com avenida Augusto de Lima, enquanto o grupo de cerca de mil manifestantes mantinha-se normalmente em marcha, dialogando respeitosamente com os policiais sobre o percurso da passeata, uma saraivada de balas de borracha à queima roupa e bombas foi disparada em direção aos manifestantes.

A cena foi detalhadamente captada pelo internauta Lucas Morais. Assista aqui.

Jornalistas atacados

Pelo menos três jornalistas foram feridos pela Polícia Militar em meio ao cerco. Um deles, o fotógrafo Denilton Dias do jornal O Tempo, afirmou que havia se identificado e que sente ter sido alvejado de propósito: “ A sensação que eu tenho é que levei o primeiro tiro, que queriam me tirar dali para que eu não fotografasse o que estava acontecendo”, denuncia

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Lopes, que acompanhava o protesto, classificou o episódio como grave: “É absolutamente temerário o ataque policial à imprensa livre, intimidando o exercício da sua profissão. É uma situação que nos remonta aos piores momentos da nossa história, tendo em risco a liberdade de expressão e a democracia”, critica.

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Estudantes sob tortura psicológica

Durante o ataque da PM, dezenas de manifestantes, na sua maioria estudantes, receberam abrigo de um hotel na região central da cidade. Muitos estavam feridos e sob os efeitos do gás lacrimogênio quando a polícia cercou o espaço e decidiu pela prisão arbitrária dos jovens. Entre eles estava o presidente da União Colegial de Minas Gerais (UCMG) Francisco Faria.

“Fomos humilhados tempo todo sofrendo agressões verbais pelos policiais.” denuncia. “Em nenhum momento a policia conseguiu manter um um dialogo de seriedade com o movimento, que o tempo todo buscou o entendimento. E lamentável o papel que a Policia Militar cumpre na nossa sociedade de estimular a a violência ao invés de combatê-la.”, afirma.

Os jovens foram algemados e levados à delegacia, sendo liberados somente em meio à madrugada. Assista ao vídeo que flagrou os abusos e a tortura psicológica realizada pela polícia dentro do hotel.

Governo promete apuração

O governo de Minas Gerais se manifestou, por meio de nota, afirmando ter determinado “apuração rigorosa dos fatos” e que a investigação incluirá a “escuta livre de todos os envolvidos e a perícia das imagens obtidas pela imprensa e pelas câmeras de vigilância”. O próximo ato de protestos contra os aumentos da passagem na capital está marcado para esta sexta (14), às 17h, na Praça Sete, região central de Belo Horizonte.

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