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Tradicionalíssimas em Uberlândia, baterias universitárias lutam por apoio

07/05/2018 às 1:22, por Alexandre de Melo.


Estudantes da UFU contam sobre as dificuldades para manter a tradição das baterias em Uberlândia

Se tem algo que o estudante mineiro gosta tanto quanto pão de queijo é tocar na bateria da Universidade. Só na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) são 18 baterias.

Aliás, Uberlândia é um polo tradicional de bateria universitária já que a Charanga é considerada a bateria mais antiga do Brasil. Ela foi criada em 1969 por alunos da antiga Faculdade Federal de Engenharia.

Bateria Charanga. Crédito: Facebook

No entanto, mesmo com toda a tradição de baterias que disputam campeonatos nacionais e que mantém ações sociais nos Campus e fora deles, estudantes reclamam da falta de apoio da UFU.

“Para fortalecer o movimento das baterias da UFU, para ter mais chances nas competições e ter mais força nas negociações de espaço,criamos a bateria Ufuteria com percussionistas de várias baterias da universidade”, conta Márcio Pereira, o Faraó, estudante de Sistemas de Informação que toca tamborim.

De improviso, Ufuteria ensaia no estacionamento do Estádio Sabiá. Crédito: Ryan Nogueira

A Ufuteria é importante por conta da integração. Por meio dela e de outras baterias é possível unir as atléticas e os estudantes. O números de doenças psicológicas é muito alto na Universidade e fazer parte de uma bateria é um meio de aliviar o stress e relaxar”, analisa Isabella Borges, estudante de Direito da UFU, que toca agogô na Ufuteria.

A gente tem tido muita dificuldade para achar local de ensaio, principalmente na época de campeonato. Desde o ano passado, a Universidade tem limitado o número de baterias e sendo rigorosa para estabelecer um horário fixo. Há muitas reclamações com relação ao barulho. Já cortaram ensaio alegando que estávamos desrespeitando o horário. Com isso, a gente acaba indo atrás de lugares alternativos para ensaiar”, afirma Isabella.

A regulamentação dos espaços de festas é uma questão de difícil solução em Universidades em todo o Brasil. As baterias são um elemento a mais nessa equação já que elas se apresentam em algumas festas e também precisam de espaço para ensaiar.

Bandeira da Ufuteria

 

O estudante de Sistema da Informação, Max Ziller comenta o papel das baterias de Uberlândia.

As baterias surgiram da necessidade de haver torcida para as atléticas e se consolidaram. Na UFU existem quase 20 baterias. Mas a falta de apoio vem dificultando a manutenção dessa tradição em Uberlândia. Para se ter uma ideia, o Ministério Público colocou uma norma proibindo as baterias durante as Olimpíadas Universitárias alegando que faz muito barulho e atrapalha a vizinhança. Além disso, O MP colocou uma série de impedimentos para o que eles chamam de eventos. Independentemente do tipo de evento, a organização precisa providenciar banheiro químico, enfermeiros, etc. Nesse critério vago, um simples ensaio de bateria universitária é considerado um tipo de evento que precisa ser encaixado nessa serie de burocracias. As baterias dão vida às Universidades, mas não têm reconhecimento”, conta Max.

Ensaio da Ufuteria. Crédito: Ryan Nogueira

As baterias participam de ações sociais e de arrecadação de alimentos. Nas competições, esse é um dos critérios de participação, Ou seja, as baterias procuram participar na melhoria da comunidade. Além do lado cultural, essas ações são uma forma de englobar a sociedade nas atividades da Universidade”, afirma Karen Dolenkei do curso de Odontologia.

“As pessoas têm direito de não gostar de bateria, mas não tem como não reconhecer a produção cultural desenvolvida e os trabalhos junto de entidades filantrópicas. Em Uberlândia, a gente apoia a Associação Protetora dos Animais (APA) incentivando doações, por exemplo”, lembra Max. “Como ficamos igual bola de pingue-pongue de um canto para outro procurando lugar de ensaio, as baterias são a mais pura expressão do movimento estudantil para a resistência cultural e ocupação dos espaços públicos”, finaliza Max.

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