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Batalha da beira na UFPA tem edição especial da UNE Volante

20/04/2018 às 13:51, por De Belém, Alexandre de Melo com edição de Cristiane Tada Foto: Davi Dutra.


Atividade ocorre semanalmente na instituição e tem apoio do Cuca da UNE

E se Vinicius de Moraes pegasse um microfone para ser mestre de cerimônia de uma batalha de MC´s na beira de um rio que divide uma universidade que abre as portas para a comunidade? Não, não é um sonho maluco. É uma realidade brasileira pouco conhecida. Trata-se da Batalha da Beira. O encontro semanal de adolescentes em sua maioria oriundos de regiões carentes de Belém (PA) celebra a cultura hip hop no espaço Vadião da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Baixinho da voz firme, vestindo camiseta regata e chinelo, o Vinicius de Moraes paraense amplifica os beats programados do seu celular em um pequeno amplificador que também aumenta a potência das vozes de rimadores de todos os tipos: experientes, engraçados, atrapalhados, bons e esforçados.

Eu passava sempre aqui na universidade e sentia que a gente podia aproveitar melhor o espaço. Eu sou da comunidade, não estudo aqui, mas eu me sinto parte disso tudo aqui, entende? Aí eu e uns amigos criamos o Batalha da Beira, nome que a gente deu porque batalhamos aqui na beira do rio Guamá conta Vinicius de Moraes, o jovem agitador cultural homônimo do poetinha do Rio de Janeiro.

Já Gabriel, 19 anos, que também não é aluno da UFPA, mora em Cabanagem, bairro periférico de Belém que ele mesmo define como “área vermelha” da região por conta da violência.

“Eu participo de batalhas de rima de rap há dois anos. Quando soube na rua que estava rolando batalha na UFPA, na beira do rio, aberto pra quem quisesse, aí eu colei”, conta.

O inicio das atividades na universidade não atraiu muitas pessoas, mas a persistência começa a dar resultado. “Com apoio do CUCA da UNE e da UFPA a gente está conseguindo movimentar uma galera aqui toda quarta-feira, com concentração 16h e inicio 19h. O público vai de 40 a 100 pessoas”, conta Vinicius, o agitador cultural homônimo do poetinha do Rio de Janeiro.

“Tem praça com anfiteatro por aí, tá ligado, mas não tem nenhum movimento do governo para abrir espaço e contribuir com o rap, o break. Aliás, nada na cultura underground tem incentivo, né? A universidade e o CUCA da UNE abriram as portas e a gente tá aqui ocupando e fazendo um som”.

O CUCA da UNE quer embrionar um projeto de regulamentação dos espaços culturais e de convivência dentro das universidades. A ideia é fazer um documento que possa ser reivindicado nacionalmente e será pauta em todas as 12 universidades que a UNE Volante vai passar, em 10 Estados do Brasil.

“É também o nosso papel de manter os portões da universidade abertos e dar acesso a cultura para a comunidade”, destacou o diretor do Cuca da UNE no Pará, Alexandre Blanco.

Qual atividade da sua universidade é aberta para a comunidade? Conte nos comentários do nosso Facebook.

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