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Avenida Paulista feminista grita por direitos além do 8 de Março

09/03/2018 às 17:43, por Cristiane Tada e Renata Bars .


Universitárias afirmam que organizadas em coletivos feministas o dia a dia contra o machismo nas aulas fica mais fácil 

Mulheres de todas as cores e feminismos lotaram a Avenida Paulista em São Paulo neste 8 de Março para reivindicar direitos e democracia no Brasil machista atual.

Nossa luta precisa ser todos os dias. Nós mulheres estudantes damos as mãos e nos somamos a todas as mulheres porque queremos falar de unidade, porque precisamos nos fortalecer e fazer com que cada mulher e cada movimento possa estar aqui com suas bandeiras construindo um 8 de março histórico”, destacou a presidenta da UNE, Marianna Dias.

A marcha saiu às 18h da Praça Osvaldo Cruz no Paraíso e seguiu até o Escritório da Presidência da República próximo a Consolação.

Presidenta da UNE, Marianna Dias, na Av. Paulista 

Em meio a muito batuque, cartazes, gritos de protesto e muitos “Fora Temer” as estudantes das universidades paulistas mostraram que estão organizadas.

Bruna Maria e Bárbara Martins, acabaram de entrar no curso de Direito do Mackenzie uma das faculdades mais tradicionais de capital paulista e já atuam no Coletivo feminista Leolinda Adaulto.

Chegar em uma universidade que tem um coletivo negro e um coletivo feminista dá um alívio muito grande para as meninas, para os negros, para a comunidade LGBTque tá entrando”, destacou Bárbara.

Embora as mulheres avancem no ensino superior mais que os homens, ainda há muita desigualdade entre brancas e negras no Brasil. Segundo pesquisa do IBGE divulgada esta semana (7/3) apenas 10% das jovens negras se formam na universidade no país.

No Mackenzie mal tem negro, e mal tem menina negra. No primeiro semestre acho que só eu e mais uma fomos as únicas a entrar no curso de Direito e olha que são 500 vagas. Então não é só a questão de se formar, é de nem entrar na universidade”, completou ela.

Elas afirmaram que graças a participação dos coletivos na recepção dos calouros, os trotes não tiveram nada de abusivos.

Foi bem tranquilo, as meninas do coletivo presentes a todo momento e nos fizeram sentir mais seguras. Além da convivência estar sendo melhor”, destacou Bruna.

A direita as amigas Bárbara e Bruna, calouras de Direito no Mackenzie 

De acordo com Pesquisa do Instituto Avon e Data Popular 67% das universitárias do Brasil já sofreram algum tipo de violência na faculdade, ou seja, só em 2016 mais de 714 mil mulheres devem ser vitimizadas no ambiente acadêmico. Os dados mostraram ainda que  7% das universitárias afirmam que foram drogadas sem seu conhecimento e 7% já foram forçadas a ter uma relação sexual nas dependências da instituição ou em festas acadêmicas.

Elas também querem se ver nos livros

As estudantes da Faculdade de Arquitetura Escola da Cidade do Coletivo Carmen Portinho também estavam em um grupo grande na marcha. Maria Clara Calixto está no segundo ano e explica que o nome do coletivo é em homenagem a uma engenheira arquiteta que tem o nome praticamente “escondido” entre seus inúmeros projetos. Para ela essa acolhida feminista na faculdade faz toda a diferença. “Temos muitos casos de machismo e homofobia na sala de aula”, destaca.

Luisa Carrasco, do primeiro ano conta que a realidade delas destoam dos ídolos que aprendem nos livros. “Na Escola da Cidade a maioria dos estudantes são mulheres, mas ainda assim a maioria dos arquitetos que a gente aprende sobre, os gênios são os homens e aí a gente olha em volta e vê só alguns meninos estudando”.

O prêmio Pritzker, considerado o Nobel de arquitetura só teve duas mulheres premiadas na história”, completou uma colega.

Fernanda Isac, também é caloura e faz parte do coletivo de Relações Internacionais da PUC-SP. “O coletivo Magu é uma homenagem a uma estudante de filosofia da universidade perseguida e morta durante a ditadura”, explicou.

Ela afirma que a entrada na universidade potencializou o seu feminismo, devido aos grupos e receptividade que lá encontrou.

Eu me senti acolhida em relação a assédio e todas as situações difíceis que as mulheres passam em um ambiente universitário, e também saber que eu tinha a quem recorrer caso algo ruim acontecesse”.

Fernanda é caloura de RI na PUC-SP

Maternidade é luta 

Na última terça-feira (6), um professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), expulsou da sala de aula a estudante Waleska Lopes por estar acompanhada de sua filha, uma garota de 5 anos.

O caso gerou revolta na comunidade acadêmica e levantou novamente a questão do machismo contra as mulheres mães.

Na marcha, centenas levaram seus filhos para mostrar que a maternidade é sim espaço de luta e respeito e não apagamento de mulheres.

‘É um absurdo uma mãe ser posta pra fora ou tirada de algum ambiente por causa das crianças. Eu nunca passei por uma situação dessas, mas percebo o mal estar das pessoas quando chego, e não sou mãe só de uma, sou mãe de três”, falou a dona de casa Ana Fedici, que participava da marcha com suas três meninas pequenas, Sofia, Catarina e Teresa.

Ana levou as três filhas para a marcha, todas bem protegidas da garoa fina 

Ana destaca que trazer as filhas para a marcha do 8 de março é um passo importante na luta contra o machismo. ”É fundamental que desde pequenas elas saibam lutar por seus direitos e percebam que estão amparadas ao lado de tantas outras mulheres no mesmo caminho”, enfatizou.

Para a assessora parlamentar Camila Victor, que participou da marcha ao lado de sua filha, Aninha, tal situação é ilógica. ”Nós, mães, ficamos de mãos atadas. O Estado não provê meios para que possamos deixar as crianças em locais adequados, como por exemplo as creches universitárias, e também não permite que nossas crianças nos acompanhem. Estamos num verdadeiro limbo”, disse.

Camila e sua filha, Aninha

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