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Assassinato de estudante da UnB escancara cultura machista na universidade

14/03/2016 às 18:25, por Redação com informações do Correio Braziliense.

Mulheres estudantes pedem mais políticas para elas dentro do ambiente acadêmico

De cada quatro mulheres que morreram de forma violenta no Distrito Federal, pelo menos uma teve a vida finalizada pelas mãos do atual ou ex-companheiro. As vítimas da crueldade doméstica são, na maioria, jovens e negras. Mais de 40% foram assassinadas a facadas, pauladas e outros tipos de arma branca. Em pelo menos 11% dos casos, ficou comprovado o uso de meio cruel. A história se repetiu no assassinada a estudante de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), Louise Ribeiro.

O corpo da estudante de apenas 20 anos foi encontrado na manhã de sexta-feira (11/3). Ela estava desaparecida desde a noite de quinta-feira (10/3). O ex-namorado Vinícius Neres, 19 anos, confessou o crime que teve requintes de crueldade. Ele utilizou produtos químicos para asfixiar a vítima dentro de um laboratório da UnB, e depois ateou fogo no corpo. O assassino mostrou à PM onde abandonou Louise em matagal nas imediações da UnB. Vinicius foi preso e indiciado pelos crime de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ele pode pegar até 36 anos pelos dois crimes, caso seja condenado.

Os números da covardia na capital do país fazem parte de uma pesquisa divulgada no jornal Correio Braziliense que avaliou os laudos necroscópicos de todas as mulheres mortas, de forma violenta, entre 2006 e 2011. A partir dos dados, foram rastreados inquéritos policiais e processos judiciais referentes aos homicídios periciados.

Com o título “O impacto dos laudos periciais no julgamento de homicídio de mulheres em contexto de violência doméstica ou familiar no Distrito Federal”, o estudo encomendado pelo Ministério da Justiça identificou 337 assassinatos.

Contra a cultura machista

O DCE, e a direção da UnB organizaram várias homenagens à Louise nesta manhã de segunda- feira (14) com a presença de familiares e amigos. A estudante foi imortalizada em um ipê rosa, cor que adorava, plantado no jardim central do Instituto de Biologia onde estudava.

Às 12h30, aconteceu uma roda de conversas sobre feminicídio e segurança na UnB, no ICC Norte. No meio da tarde um Ato de Paz, no Teatro de Arena. As estudantes fizeram uma intervenção em coro pedindo o fim da Polícia Militar. Para elas a militarização do campus não vai resolver a violência.  Assista ao vídeo:

 

A estudante Luíza Calvette, vice UNE do DF e do CA de Ciência Política da UnB explicou que o problema não é uma questão apenas de segurança, mas da cultura machista na sociedade em geral que esta sendo reproduzida dentro do ambiente acadêmico.

“Precisamos combater a cultura machista, a PM dentro do campus não resolve o problema. Precisamos de mais políticas voltadas para as mulheres dentro da universidade. Foi preciso uma estudante morrer dessa forma para causar comoção”, afirmou.

Mulheres da UNE contra a violência

O avanço da violência contra as mulheres dentro das universidades brasileiras é uma das preocupações mais atuais da UNE. Pesquisa do Instituto Avon em parceria com o Data Popular de 2015 mostrou que 56% das universitárias já sofreram assédio sexual. Por isso o 7º Encontro das Mulheres Estudantes da UNE, que acontecerá de 25 a 27 de março vai lançar a campanha nacional #FeminismoContraViolência de enfrentamento às violências contra as mulheres nas universidades.

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