Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Arte dentro e fora da galeria

01/02/2017 às 18:33, por Renata Bars Fotos: Bruno Bou, Yuri Salvador e Renata Bars.

Estudantes selecionados na mostra de artes visuais batem um papo sobre as experiências trocadas na Bienal

O começo de um sonho. Para muitos estudantes, essa é a frase que resume a oportunidade de apresentar seus trabalhos em um festival estudantil como a Bienal da UNE. Nesta 10ª edição, realizada no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, alguns dos 24 selecionados da mostra de Artes Visuais se reuniram para bater um papo e trocar experiências e olhares.

Foram três dias de exposição no Espaço Multigaleria e performances espalhadas pelos espaços do Centro Dragão do Mar.
A estudante de Museologia da UFBA, Laise Xavier, contou que apresentar seu trabalho na Bienal da UNE foi um desafio e uma quebra de barreira. A arte criada por ela em panos de crochê que revestiram os bancos da Multigaleria representa uma mudança em sua vida. ”Estou transformando a museóloga Laise, na artista Laisa, por isso estar aqui e ter contato com outras pessoas que também respiram arte foi muito incrível. É mais uma inspiração para continuar realizando meu trabalho”, falou.

Jéssica da UnB, autora da obra ”A Centopéia de Antropomorfos”, conta que a experiência na Bienal trouxe um novo olhar sobre seu próprio trabalho. ”Eu nunca tinha visto minha obra impressa num tamanho grande. Era uma fotografia pequena e ver ela nessa dimensão, ao lado de tantas obras lindas me surpreendeu de uma forma muito positiva”, contou.

A curadora da exposição, Andressa Argenta, disse que o sentimento após os três dias de trabalho intenso foi de extrema felicidade. ” Foi um desafio juntar diversas obras com poéticas diferentes, linguagens diferentes e fazer com que elas se entrelaçassem e se tornassem uma narrativa múltipla, mas, a disponibilidade dos artistas em deixar que eu entrasse nas obras e os provocasse foi muito significativa e eu acho que deu muito certo”, revelou.

Bienal das performances

As performances foram a grande surpresa na área de artes visuais. Ao todo, foram seis trabalhos que provocaram o público e marcaram a história desta edição.

O mestrando em Artes Cênicas da UFBA, Victor Gargiulo, espalhou pelos espaços do Dragão o seus novelos coloridos e despertou sentidos de quem passava pelo local.

Victor explica que a ação tem a ver com persistência. ”É uma ideia de que a gente enrola, desenrola, organiza, desorganiza tentando provocar um estado de criação em que as pessoas possam brincar e ver como o corpo se torna fita, a fita se torna corpo, como é a relação com o espaço e seus limites”, explicou.

O grafite também foi outro grande destaque. O painel do estudante paulistano de 22 anos, Albert Lazarini Oliveira, ou ‘’Alo’’, como prefere ser chamado, foi coberto por tinta cinza numa performance que criticou o Programa Cidade Linda, ação do prefeito de São Paulo que vem apagando obras de rua. Alo é grafiteiro e lamenta a ação da prefeitura de sua cidade.

‘’ A ideia da performance surgiu para criar uma resistência também aqui no nordeste. Eu estou vendo o Brasil inteiro se mobilizar contra esse apagamento promovido pelo Dória. Dois painéis meus já foram apagados em São Paulo, então tem tudo a ver, gerar essa provocação durante a mostra sobre o que é essa cidade linda, ou limpa’’, disse o grafiteiro.

Encontro das Artes

Quem visitou a Bienal também teve a chance de conhecer as obras expostas no Museu da Cultura Cearense (MCC) e no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), ambos no localizados no Centro Dragão do Mar.

No MAC, os quadros do renomado pintor cearense Raimundo Cela ou a cerâmica primitiva cearense exposta no MCC criaram um diálogo entre a arte da velha guarda e a arte produzida pelos estudantes.

”Isso foi muito incrível porque estamos acostumados a chegar num museu e ver grandes obras de artistas renomados, grandes montagens e a gente não dá muita bola pra nossa produção universitária, pra quem está começando. Não se compartilha o que é um processo de montagem, o que é uma curadoria. Como você vai começar no mundo da arte se não tem esse primeiro passo? Então, as exposições tanto no MCC quanto no MAC, de artistas renomados, estando tão próximas da nossa mostra selecionada mostram que é possível”, destacou a curadora da mostra selecionada.

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo