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Aprovada as cotas para ingresso na Unicamp a partir de 2019

01/06/2017 às 18:18, por Sara Puerta, de Campinas / Fotos: Yuri Salvador.


USP agora é a única estadual paulista a não ter política de cotas estabelecida

A Unicamp (Universidade de Campinas) viveu dois dias históricos nessa segunda e terça-feira, 29 e 30 de maio. No dia 30 foi aprovada a implementação de cotas no acesso à universidades, após quase 6 horas de debate e votação no Conselho Universitário, o Consu, órgão deliberativo da universidade.

Com isso, a partir do vestibular de 2019, conforme o texto aprovado na reunião, 50% dos estudantes devem ser oriundos da rede pública , sendo que a meta deve ser que 37,5% devem ser de autodeclarados pretos, pardos e indígenas. O texto foi aprovado em unanimidade pelos 59 integrantes.

Foi definido também que um Grupo de Trabalho ficará responsável pela criação do sistema de cotas que será apresentado em novembro desse ano. O GT contará com dozes integrantes, entre eles, representantes dos coletivos da Frente Pró-Cotas e Núcleo da Consciência Negra, e irá realizar debates, e incluir a discussão por reservar algumas vagas nos cursos de graduação com seleção via Sisu (Sistema de Seleção Unificada), e que usa a nota do Enem como critério.

Para Flavia Oliveira, presidenta da UEE-SP, também nascida em Campinas, a aprovação na universidade, uma das maiores do país, é emblemática. “ São Paulo é um dos poucos estados que ainda não implementou cotas nas universidades estaduais, com a aprovação na Unicamp, abre-se imediatamente um diálogo maior para que a USP também implemente um sistema que propicie instituições públicas mais democráticas.”

Thaíse Pavanni, estudante do 4º ano do curso de História, acompanhou o dia inteiro o debate e a votação na área externa da reitoria, com mais centenas de pessoas, estava emocionada com a transformação que será possível ver na universidade. “As cotas na Unicamp são fruto de uma luta de décadas, intensificada no último ano, desde a ocupação da reitoria. Paralelamente, quanto mais discutida a questão racial e do acesso, mais vimos as faces do racismo institucional, uma vez que após a greve e as mobilizações em 2016, houve perseguições pontuais aos estudantes negros que compunham as manifestações, com suspensões e ameaça de expulsões, contou à UEE-SP.

“Essa aprovação honra nossos ancestrais, que foram impedidos de frequentar escolas e universidades na origem do nosso país, inclusive na época da abolição da escravidão e mais uma série de vezes, houve resistência e mobilização para os negros estudarem. Os pretos e pretas da Unicamp , hoje, honram essa nossa história, com a grande luta que travaram e que eu acompanho desde jovem!”, disse Douglas Belchior, professor de história e autor do blog Negro Belchior, presente no ato, que antecedeu a votação.

Fernanda Dias, diretora da pasta de Cotas da UEE-SP e estudante de medicina do terceiro semestre da universidade, conta que entre 120 alunos do seu curso , apenas são quatro são negros – 3,3% – , acredita em uma transformação social virá. “Vejo o quanto é importante a luta por cotas quando volto para minha casa, em Guarulhos, e observo minha vizinhança na periferia, e percebo que sou a única jovem em uma universidade pública. Temos novas perspectivas!”

Festival por cotas

Nessa segunda-feira, (29), dia que antecedeu a votação, uma série de atividades foi realizada pela universidade para propagar ainda mais a importância das cotas e ampliar a mobilização. Entre elas debates sobre os desafios que vão além das cotas , para combater o racismo institucional, apresentação e roda de conversa do Coletivo Urucungos, que contou a história de Raquel Trindade, filha do escritor Solano Trindade, e seu grupo de dança africana na Unicamp.

Segundo os participantes do coletivo, é dessa época, nos anos 70, que inicia o debate por cotas na universidade. O coletivo apresentou no final sua música e colocou todos os presentes no teatro arena para dançar.

A rapper Preta Rara e a MC Linn da Quebrada fecharam a noite com apresentações lotadas.

Bruno Ribeiro, estudante, membro do Consu e militante da Frente Pró Cotas, avaliou a luta pelas Cotas, juntamente com o Festival, como algo nunca visto na Unicamp.

“Nossa mobilização só cresceu nesse último ano. Chegando a ter alcance internacional com o apoio do ator Danny Glover nas Redes sociais. Além disso, artistas, movimentos sociais, coletivos e sindicatos demonstraram estar conosco. A vitória é na universidade e em Campinas, que tem em sua maioria poulação negra e foi a última cidade a abolir a escravidão no Brasil.”

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