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Alê Youssef no Conune: “Nosso papel é disputar o espaço público”

21/06/2017 às 16:34, por Natália Pesciotta / Fotos: Yuri Salvador.


Em debate sobre cultura, o produtor paulistano defendeu uma cidade e uma universidade “com luta, liberdade e arte”

Antigo empresário de casas noturnas alternativas em São Paulo, há alguns anos Alê Youssef resolveu levar suas atividades para as ruas. Mestre em filosofia política e presidente da associação cultural Acadêmicos do Baixo Augusta, ele organiza o bloco de mesmo nome, um dos carros-chefes para a volta da folia aberta, gratuita e plural na cidade. Em 2017, 300 mil pessoas acompanharam os trios elétricos, com o tema “Primeiramente, a cidade é nossa”.

Ele foi um dos convidados do Congresso da UNE, em Belo Horizonte, participando do debate “Ocupação do Espaço Público e Cultura na Universidade” e conversou com o site da entidade. Segundo Youssef, existe uma espécie de guerra fria entre quem defende um espaço mais “humano e colorido” e quem deseja um outro modelo cinza de cidade.

 

Confira a entrevista na íntegra:

 

O que tem aprendido nesses anos sobre as possibilidades de quando as pessoas circulam, se encontram e convivem nos espaços públicos? Qual a potência disso?

O espaço público é o espaço do encontro. A praça pública é a antítese dos condomínios fechados. A convivência com a diferença amadurece uma sociedade e cria pautas comuns.  As universidades, nesse sentido, são as praças públicas dentro do universo estudantil. A potência de ocupação desses ambientes é incrível.

As ruas e as universidades são, por natureza, locais de convivência e cultura. Por que, na sua opinião, essa função está em risco?

Tanto nas ruas como nas universidades, sempre existiu uma espécie de guerra fria entre aqueles que querem a ocupação cultural, um espaço mais colorido, mais humano, e uma visão mais conservadora, de ordem, de objetividade e produtividade. São duas visões de mundo e hoje estamos vivendo um momento mais conservador. Nosso papel é disputar esses ambientes com arte, liberdade e luta.

O bloco Acadêmicos do Baixo Augusta participou do São Paulo pelas Diretas, você está nste diálogo com estudantes… O momento é propício para união de setores da sociedade?

Sem dúvida. O importante é, no meio dessa guerra, encontrarmos pautas de convergência. Isso pode ser a chave para o processo de renovação política tão necessário no Brasil. A partir de uma agenda que una diversos setores, podemos sonhar com um movimento geracional de ocupação da política e uma atualização do campo progressista.⁠⁠⁠⁠

Ocupações de espaços públicos têm sido usadas como ferramenta política, quase sempre com arte. Acredita que a cultura possa ser engajada? E possa contribuir para mais engajamento?

Sempre pode. Mas, em vez de falar em cultura engajada, prefiro falar em política mais cultural. As pautas culturais são transversais e podem gerar novos sujeitos políticos.

É a primeira vez que você participa de um encontro estudantil? O que achou?

Fui presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito do Mackenzie. Participei de atividades estudantis, sim. Na minha época o movimento estudantil era muito distante dos movimentos culturais da juventude e eu era bastante crítico a isso. Recentemente pude voltar ao ambiente universitário com meu mestrado em Filosofia no IFCS da UFRJ. Adorei esse reencontro.

Achei muito legal esse tema da ocupação cultural ter sido pautado no Congresso da UNE, porque dá espaço para os movimentos e sujeitos culturais abrirem suas pautas acima das estruturas, para furar bolhas. É um apelo para que se reconheça pautas acima das estruturas, partidos, sindicatos. Não é uma negação das estruturas, mas o reconhecimento de pautas acima delas. É uma estratégia, uma nova linguagem.

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