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A UNE no combate à ditadura

26/05/2015 às 15:49, por Cristiane Tada.

 Site da UNE relembra história de luta da entidade durante o período mais nefasto do Brasil

A menos de 10 dias para 54º Congresso UNE, o site da entidade promove um especial sobre ”A UNE em defesa dos estudantes, da democracia e do Brasil” o tema escolhido para a edição deste ano do evento.

Como um dos principais capítulos da sua história de bravura, a resistência à ditadura militar da entidade jamais será apagada da biografia do nosso país.

Para entender o contexto é necessário lembrar que no fim da década de 1950, houve uma expansão do ensino com a criação de faculdades e universidades. O aumento do número de estudantes coincidiu com o crescimento e a consolidação de novas correntes políticas no meio universitário.

A UNE nessa época já dispunha de várias organizações representativas – os DCEs (Diretórios Centrais Estudantis), as UEEs (Uniões Estaduais dos Estudantes) – e desde a segunda guerra mundial influenciava significativamente na defesa de bandeiras progressistas.

Nas décadas de 1960 e 1970, o movimento estudantil universitário brasileiro devido a sua capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem da vida política transformou a UNE em uma das principais entidades de Frente de Mobilização Popular. A UNE defendia mudanças sociais profundas, dentre elas, a reforma universitária no contexto das reformas de base propostas pelo governo.

Ousada, mobilizada e contestadora, a entidade foi o primeiro alvo da ditadura militar que ao tomar o poder em 1964 metralhou, invadiu e incendiou a sede da UNE, na Praia do Flamengo 132, na fatídica noite de 30 de março para 1º de Abril. Logo após o regime retirou legalmente a representatividade da UNE por meio da Lei Suplicy de Lacerda e a entidade passou a atuar na ilegalidade.

Apesar da repressão, a UNE continuou a existir clandestinamente, em firme oposição ao regime, como aconteceu no ano de 1968, marcado por revoluções culturais e sociais em todo o mundo. Foi quando estudantes e artistas engrossaram a passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro, pedindo democracia, liberdade e justiça. No entanto, os militares endureciam a repressão em episódios como o assassinato do estudante secundarista Édson Luis e a invasão do Congresso da UNE em Ibiúna (SP), com a prisão de cerca de mil estudantes. No fim do mesmo ano, a proclamação do Ato Institucional número 5 (AI-5) indicava uma violência ainda maior.

Nos anos seguintes, a ditadura torturou e assassinou estudantes como a militante Helenira Rezende e o presidente da UNE, Honestino Guimarães, perseguido e executado durante o período de clandestinidade da entidade. Mesmo assim, o movimento estudantil continuou nas ruas, como nos atos e missa de 7º dia da morte do estudante da USP, Alexandre Vannucchi Leme, em 1973.

Ao final dos anos 70, com os primeiros sinais de enfraquecimento do regime militar, a UNE começou a se reestruturar. O Congresso de reconstrução da entidade aconteceu Salvador, em 1979, reivindicando mais recursos para a universidade, defesa do ensino público e gratuito, assim como pedindo a libertação de estudantes presos do Brasil. No início dos anos 80, os estudantes tentaram também recuperar sua sede na Praia do Flamengo, mas foram duramente reprimidos e os militares demoliram o prédio.

Comissões da Verdade

Depois de dois anos e sete meses de trabalho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou, em seu relatório final no ano passado, 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no país. Entre essas pessoas, 210 são desaparecidas.

Não se sabe exatamente a quantidade de estudantes que perderam a vida na luta pela democracia, mas o relatório traz uma parte que diz respeito às Violações de direitos humanos na universidade.

O texto traz detalhes de casos emblemáticos para história da UNE, como o XXX Congresso em Ibiúna e os casos do desaparecimento e morte do ex-presidente da UNE Honestino Guimarães, dos estudantes Fernando Santa Cruz, Alexandre Vannucchi Leme e da ex- vice-presidenta da UNE, Helenira Rezende.

O documento fala das prisões, tortura e mortes, afastamentos e demissões  de professores, estudantes e funcionários das universidades bem como invasões nas instituições de ensino superior. “Uma série de projetos, linhas de pesquisas, cursos e grupos foram afetados e, muitas vezes, banidos do sistema. A ditadura passou até mesmo a controlar a produção de livros e estabeleceu a censura para muitos outros (Decreto-lei no1.077/1970). Implantou uma política de modernização autoritária das universidades. Também ocorreu colaboracionismo de professores e dirigentes com o novo regime. E, algumas vezes, universidades chegaram a firmar parcerias com a Escola Superior de Guerra para ministrar cursos em seus campi…”, diz trecho do texto.

Com a ajuda das Comissões da Verdade de diversas universidades a CNV conseguiu estimar entre 800 e 1.000 o número de pesquisadores perseguidos de 1964 a 1985.

Honestino e Helenira também tiveram sua trajetória investigada pela Comissão da Verdade da UNE, que após se debruçarem em textos, relatos, notícias e jornais que podiam esclarecer fatos, produziram relatórios para elucidar esse período e passar a limpo da vida dos estudantes que deram sua vida na luta pela democratização do Brasil. A revista da Comissão da Verdade será publicada agora durante o 54º Congresso da UNE.

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