Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

A UNE na luta pela democratização da comunicação

27/05/2015 às 13:24, por Bruno Huberman.

Entidade defende uma mídia livre para aprofundar a democratização do país

Para homenagear o  54º Congresso UNE, o site da entidade promove um especial sobre ”A UNE em defesa dos estudantes, da democracia e do Brasil” o tema escolhido para a edição deste ano do evento.

Entre as heranças nefastas que a ditadura militar legou para o nosso país, está a concentração dos meios de comunicação brasileiros em poucas famílias — uma forma encontrada pelos militares de controlarem a informação transmitida para a sociedade. O veto a novas concessões de radiofusão e a distribuição de verbas federais em poucos veículos foram algumas das medidas dos generais que levaram à centralização.

A maior beneficiada desta política dos ditadores militares foi a Rede Globo, que completou no último 26 de abril 50 anos de existência. “Não é mera coincidência o fato das Organizações Globo comemorarem o seu cinquentenário logo após o cinquentenário do golpe. O regime militar garantiu ampla liberdade para o fortalecimento deste veículo. Em contrapartida, a Rede Globo ajudava na legitimidade da ditadura militar”, avalia o diretor de Comunicação da UNE, Thiago José.

Como resultado, o Grupo Globo se tornou o maior conglomerado de mídia do Brasil e da América Latina. A empresa atua nos mercados de televisão, rádio, jornal, revista, internet, música, cinema e telecomunicações. São mais 80 empresas diferentes. Com 5 emissoras próprias e 117 afiliadas, a Globo é a 2ª maior rede de televisão do mundo.

Desta forma, a família Marinho detém praticamente um oligopólio da mídia nacional, sem concorrentes à vista. Com recordes de audiência e faturamento, os seus herdeiros figuram anualmente na lista de bilionários da revista Forbes desde a morte do patriarca, Roberto Marinho. A empresa determina quase toda a informação veiculada para a população, moldando a sua opinião.

OBSTÁCULOS À DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA

A Constituição de 1988, confeccionada ao cabo do regime ditatorial, prevê a democratização da comunicação no Brasil com o fim do monopólio e da propriedade cruzada dos meios de comunicação, além de propor uma mídia com conteúdos sociais e regionais e o equilíbrio entre os veículos estatais, públicos e comerciais. Contudo, em nenhum destes casos, a Constituição é cumprida. Faltam leis que a regulem.

A democratização da comunicação é o único tema que não foi discutido no Brasil desde o fim da ditadura, porque há uma interdição deste debate pela grande mídia. Enfrentar este poder é mexer peças complicadas no jogo politico. Países como Argentina, EUA e Inglaterra são exemplos de países que já regulamentaram a sua mídia com sucesso.

“O Brasil nunca teve uma regulação que detivesse essa concentração. O Congresso sempre foi omisso e os governos nunca enfrentaram essa questão. Há muitos políticos que detém veículos de comunicação. O ACM, que era aliado da ditadura, era o retransmissor da Globo na Bahia. A família Collor no Sergipe”, conta Pedro Ekman, coordenador do coletivo Intervozes.

LEI DA MÍDIA DEMOCRÁTICA

A UNE e diversos outros movimentos sociais historicamente lutam pela democratização da comunicação no Brasil. A entidade integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e participa da campanha “Para Expressar a Liberdade – Uma nova lei para um novo tempo”, que defende o projeto de lei de iniciativa popular por uma Lei da Mídia Democrática.

“Ao contrário do que os setores conservadores alegam, regulamentar os meios de comunicação não diminui a nossa democracia, pelo contrário, potencializa outros atores e atrizes da nossa sociedade que hoje não encontram vozes nos veículos midiáticos”, afirma o diretor de comunicação da UNE, Thiago José. “A UNE defende a democratização da mídia por acreditar que a pluralidade e a diversidade do povo brasileiro ainda não está refletida na mídia”, completa o dirigente.

Para a secretária-geral do FNDC, Renata Mielli, a luta pela democratização da comunicação deveria ser de todos os movimentos sociais brasileiros. “É uma luta por outras conquistas. É preciso uma comunicação realmente democrática, onde acontece a discussão de diferentes pontos de vista, para obtermos conquistas no campo da educação, para a reforma agraria, a reforma urbana e outros avanços para a sociedade brasileira. Só assim teremos uma democracia de verdade no Brasil”, afirma a jornalista.

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo