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“A sede derrubou o pote”, por Marianna Dias

29/06/2017 às 20:06, por Yuri Salvador.


(Vitor Vogel/CUCA da UNE)

Presidenta da UNE fala sobre a tentativa frustrada de fusão entre Kroton e Estácio, dois tubarões do ensino superior

 

A sede derrubou o pote

Os interesses dos grandes grupos financeiros sobre o Brasil sempre estiveram atiçados, espreitando a venda do país em diversas áreas estratégicas, entre elas a educação e o ensino superior. A sede ao pote de alguns grupos é tão grande que, há um ano atrás, dois dos maiores tubarões do mercado educacional no mundo, a Estácio e a Kroton, anunciaram uma fusão, avaliada em R$5,5 bilhões, para criar uma empresa gigante e monopolista no setor.

Nesta quarta-feira (28), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reprovou o negócio, alegando clara concentração de mercado e violação das regras de concorrência no país. Ao que parece, a sede dos que querem lucrar astronomicamente na educação privada brasileira está é derrubando o pote. A notícia certamente é boa, mas não há ainda tanto o que comemorar ao se observar o panorama da educação superior particular no Brasil.

A qualidade das universidades privadas de norte a sul ainda é dolorosa e desrespeita de forma gritante o preceito constitucional de que a educação é um direito básico, universal, e não uma mercadoria qualquer. Salas superlotadas, laboratórios precários ou inexistentes, demissão de professores qualificados para economizar e lucrar mais, abuso das disciplinas online e do Ensino à Distância são algumas das realidades enfrentadas pelos estudantes do ensino superior particular do Brasil, na sua maioria oriundos das camadas mais pobres e com menos condições de acesso à universidade. As fusões e os mega negócios envolvendo esse setor, em geral, são um prenúncio da precarização da qualidade e desrespeito aos estudantes, como se viu, por exemplo, na venda do grupo FMU, antes reconhecido pelo ensino oferecido, à gigante internacional Laureate, resultando em uma série de denúncias de rebaixamento estrutural e educacional.

A União Nacional dos Estudantes está cada vez mais envolvida na luta contra a mercantilização da educação superior, contra o avanço do poder econômico nesse setor, os aumentos abusivos de mensalidade, as negociatas milionárias de fusões, compras e vendas de universidades, a desregulamentação completa de uma atividade tão vital para o desenvolvimento humano e do país. Além disso, a UNE tem denunciado a absurda densacionalização do ensino superior brasileiro, com o avanço de grupos estrangeiros sobre as instituições educacionais, o controle econômico e ideológico sobre os conteúdos ofertados aos estudantes, a venda descabida do nosso maior patrimônio que é a nossa identidade nacional.

No mês de agosto, o movimento estudantil promoverá uma extensa jornada de lutas pelas ruas de todo o país. A bandeira da regulamentação do ensino privado está entre as mais urgentes da juventude e precisa ser gritada a altos pulmões, pois diz respeito ao nosso futuro e ao tipo de universidade que queremos para um país com o nosso tamanho e a nossa importância. A derrota da ganância da Kroton e da Estácio ainda não é suficiente para vislumbrarmos um novo horizonte para as universidades particulares brasileiras. Mas é uma prova didática das nossas diferenças. Eles querem apenas dinheiro. Nós queremos uma educação que transforme o futuro do Brasil. Vamos à luta.

Marianna Dias
Presidenta
União Nacional dos Estudantes

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