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“A reinvenção deve ser pela comunicação”, diz cineasta Eryk Rocha

30/01/2017 às 12:41, por Sara Puerta.

Diretor do filme “Cinema Novo”, exibiu o documentário no Festival seguido por debate

Destaque da Mostra Convidada Audiovisual, o documentário “Cinema Novo”, que retrata o movimento de cinema brasileiro nos anos 60, foi exibido neste primeiro dia da 10ª Bienal da UNE.

Presente na projeção, o cineasta  Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha – um dos principais nomes dessa época – realizou um debate que trouxe à tona, além de questões ligadas à montagem do filme ensaio, que conta com registros de 168 obras e 20 entrevistas, a necessidade de revolucionar a comunicação no país.

José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teat(ro) Oficina Uzyna Uzona participou da exibição.

Para Rocha, “Cinema Novo” não se trata de uma memória rígida, retórica, e sim de entendimento do passado, que serve para construir o futuro com um novo olhar. Tanto que optou por não montá-lo de um forma racional, com entrevistar atuais com diretores da época em tom de recordação.O áudio delas é utilizado sob cenas.

“Nesse formato tornaria o movimento algo ‘idealizado’. Os filmes do movimento ganham um novo sentido com o avançar do tempo, ainda mais nesse  atual momento político e social do país”, disse o cineasta.

O site da UNE  ouviu Eryk Rocha sobre o tema da Bienal.

De onde virá a Reinvenção?

Virá pela comunicação. É esse o caminho. Essa é a era da informação, da tecnologia. O golpe aconteceu porque o discurso da direita foi amplificado, a linguagem é o que domina o mundo e “ela” entendeu isso muito bem.  Temos que pensar na batalha de narrativa.

Qualquer ideia progressista, de ideia de mudança de país, passa pela revolução na comunicação.

E como ela pode acontecer na prática?

Hoje os meios são muito mais favoráveis do que eram nos anos 60. Tem celular, internet, muito equipamento digital. A ocupação da sede do Ministério da Cultura, no Rio Janeiro(quando Temer anunciou que seria extinto),teve uma transmissão ao vivo com a presença de cineastas, ativistas, atores, agentes culturais, o Manoel Rangel, presidente da Ancine, Marilena Chauí … Para mim isso é “Cinema ao Vivo”.

Além disso, precisamos de reformas importantes na grande mídia. O golpe aconteceu por que interrompemos um embrião do Ministério da Cultura que avançava em uma comunicação mais democrática. Porque democracia não é apenas votar, tem relação também com o acesso à informação. E, enquanto delegar para apenas quatro famílias do país o que 204 milhões de pessoas vão assistir, será sempre a mesma linguagem, mesma estrutura.

A Cultura é uma das primeiras áreas ameaçadas com menos investimentos em governos com projetos da direita, como o do Temer. Qual a saída para continuar com a produção audiovisual brasileira em ascendência?

Eu refugo essa ideia. Não é a cultura uma das primeiras áreas que sofrem. Porque antes disso, quem sofre é o povo, as camadas mais pobres, os indígenas, que começam a perder suas terras. Eu sou um ativista e não sou um cineasta. Quando o MINC teve seu fim anunciado pelo Temer no ano passado, eu estava em Cannes me perguntavam sobre isso, e eu disse que o Ministério é só um dos problemas, uma pequena parte. Tem muito mais aí. Esse é o governo mais desastroso da história do país.

E o golpe foi dado com câmera, ao vivo, em high definition. Grande parte da população assistiu tudo pela televisão, sem achar que faz parte disso. Enxerga essa polarização como uma briga de facções.

E grande parte é da direita, porque tem que se defender, “toma na cabeça” todo dia. Fica reacionário

Temos que chamar a periferia, formar uma nova coletividade e isso só dá se mudar a comunicação. Tem que mudar a forma que trata a política, deixar de discuti-la de forma institucional.

Na Bolívia, o único país que resistiu a essa grande ensaio da esquerda na América Latina, eles entenderam a cultura como uma nova substância política. Criaram um novo paradigma político – isso leva a um novo sistema de comunicação, uma nova constituição.

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