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“A mulher brasileira é diversa”, Gaby Amarantos, atração da 10ª Bienal

26/01/2017 às 17:36, por Renata Bars.

Principal atração feminina do festival em Fortaleza, ela fala sobre empoderamento, o atual momento do país e sobre o seu novo show que é um passeio pelas periferias do planeta

Livre e diversa. Assim vale esperar a Gaby Amarantos que sobe ao palco da 10ª Bienal da UNE, em Fortaleza, na próxima segunda-feira (30) para apresentar o show ‘’Gaby Amarantos e Jurunas Som Sistema’’. O projeto novo e especial, como ela mesmo diz, promete levar o público a um passeio pelas periferias do mundo inteiro, com inspirações e homenagens a ritmos como o reggaeton, kuduro e tecnobrega.

Em um bate papo com o site da UNE, a cantora e compositora paraense falou sobre seus projetos para 2017, a luta contra os padrões de beleza, preocupação com o meio ambiente, diversidade musical e a liberdade de poder se reinventar.

 ‘’ Estou passando por uma fase de muita transformação e de muita reinvenção, de ser sempre uma versão melhor de mim mesma. Isso é chegar no alto, no lugar mais alto do ponto da iluminação do ser humano e entender que nós estamos aqui para nos reinventar e sempre ser e expressar aquilo que está dentro da gente’’, diz.

Confira entrevista na íntegra:

 Você saiu na capa da Revista Boa Forma e afirmou ”Aceita Brasil”, quebrando a tradição das mulheres magérrimas que estampam a publicação. Como foi pra você quebrar essa barreira?

Pra mim foi um dos momentos mais importantes da minha carreira e da história da revista ser representante dessa mulher real, dessa mulher brasileira que é voluptuosa, eu vejo a mulher brasileira com curvas, eu vejo a mulher brasileira diversa e foi um momento de empoderamento feminino muito forte. Eu não sou uma mulher que está acima do peso, mas também não sou uma mulher que está abaixo do peso. Eu sou uma mulher normal. E o fato de eu não ser uma mulher sarada ou uma mulher que vai pra academia de forma regular não faz de mim menos lutadora da saúde. Eu acho que a mensagem inicial é: saúde. Saúde pra mim é primordial, mas saúde pra mim é estar bem primeiramente com o meu espiritual. Meu espiritual se reflete no meu corpo mental, se reflete no meu corpo físico. Nós temos vários corpos e nós temos que cuidar de todos eles. Estar na capa da Boa Forma pra mim foi mostrar para as pessoas que você pode ser uma pessoa normal e você pode ser uma pessoa que trabalha o seu mental, o seu espiritual e o seu físico. Então, foi uma mensagem de muito empoderamento, não só para mulheres, mas para homens e para as pessoas de um modo geral. Eu fiquei muito feliz de ter feito parte desse momento.

 Em 2012 você lançou o Treme, que foi sucesso absoluto. Tem trabalho novo por aí? O que podemos esperar da Gaby Amarantos em 2017?

Nesse ano de 2017 o mundo pode esperar uma Gaby nova, com músicas novas, focada na carreira de música, gerando muito conteúdo, fazendo muitos shows, sempre pensando em novidades pro público. Esse ano será de muito trabalho, mas também um ano de colher frutos. Teremos uma Gaby compositora, uma Gaby diversa que pode cantar vários estilos musicais, uma Gaby livre musicalmente. Estou muito animada, muito feliz e estou preparando muita novidade pra vocês.

 Você pode adiantar algo do repertório que você vai apresentar na 10ª Bienal?

Esse show que nós vamos fazer na Bienal é um show muito especial, é um projeto especial que se chama Jurunas Som Sistema. Na verdade não é o show convencional da Gaby Amarantos. É um show que eu tenho um carinho muito especial porque é um show que me liberta de qualquer padrão musical, de ter que tocar aquele hit que é mega sucesso e cantar músicas que eu gosto passeando pelo universo dos soundsystems das periferias do mundo inteiro. O pensamento inicial desse projeto é pegar os tecnobregas de todas as periferias, os kuduros, os reggaetons, os dubsteps, os dancehalls, todas as músicas de periferia e vamos dialogar, porque elas têm sim um diálogo. Elas têm algo que as une. Então é um projeto bem dançante, muito pra cima, com o Mc Monkey Jam que é meu parceiro nesse show e o DJ B8 soltando as batidas, mandando muita sonzeira pra galera pirar, dançar, e também conscientizando. É um projeto que eu  posso falar mais de assuntos importantes e passar mensagens mais positivas, prestar serviço, então é um projeto muito iluminado e eu tenho muito amor por ele.

 O tema da Bienal, Feira da Reinvenção, fala sobre a capacidade do povo brasileiro de enfrentar as adversidades e criar novos caminhos. Qual a sua opinião sobre isso?

Esse tema é muito pertinente, é muito importante diante da situação atual do país a gente falar sobre reinvenção. Focar no positivo e lembrar que em qualquer momento de adversidade a gente pode criar, então eu fiquei muito feliz em parte desse evento. É incrível o quanto a gente pode mudar, o quanto que a gente pode se transformar. Eu sou tudo aquilo que eu quiser, então eu me identifiquei muito com esse tema e quero muito poder trocar essa ideia com a galera que vai assistir ao show.

 A Gaby Amarantos está sempre se reinventando?

Estou passando por uma fase de muita transformação e de muita reinvenção, de ser sempre uma versão melhor de mim mesma. Isso é chegar no alto, no lugar mais alto do ponto da iluminação do ser humano e entender que nós estamos aqui para nos reinventar e sempre ser e expressar aquilo que está dentro da gente. Eu procuro me reinventar de forma que essa transformação possa ajudar o mundo. Eu parei de comer carne vermelha por conta da situação da Amazônia, eu sou da Amazônia e estou vendo a destruição que está sendo feita nas nossas florestas por conta das plantações de soja.  Me preocupo muito com a situação dos povos indígenas que estão passando por tantos problemas com a legislação e estão sendo expulsos de certa forma. Me preocupo com essa situação político-social do país e procuro contribuir com meu exemplo que pode ser pouco, mas que com esse pouco a gente vai juntando e vai conseguindo mostrar que podemos mudar. Mais do que só ficar reclamando é pensar o que podemos fazer para mudar, pro mundo ser melhor. Essa questão do meio-ambiente, a gente pode melhorar consideravelmente o planeta, cuidando mais da Floresta Amazônica. Tem muitas questões, mas essa tem sido principal pra mim.

 Durante algum tempo, fora do circuito norte-nordeste, o tecnobrega foi visto de forma pejorativa. Hoje em dia há um hype em torno do estilo e um reconhecimento da sua importância. Como você enxerga essa mudança na percepção das pessoas?

Sempre vi o tecnobrega como um estilo musical incrível. Ele já conquistou o espaço dele e eu quero que ele cresça cada vez mais, eu vejo essa oportunidade de crescimento até porque as pessoas estão cada vez mais se abrindo para estilos musicais novos e o tecnobrega ainda tem uma montanha gigante para chegar ao topo.  Eu quero poder contribuir com essa cena musical que é tão linda, que eu tenho tanto respeito, pra que as pessoas se divirtam mais. O tecnobrega é muito divertido. É uma batida eletrizante que mexe e faz a gente sentir que essa batida pode tocar no coração, dá uma vontade de dançar e de se expressar com muita verdade, com muita alegria. Eu tenho muito orgulho de poder trabalhar com esse estilo musical também.

 Além do som feito no Pará, que tipo de música você gosta?

Eu gosto muito de música no modo geral. É bem difícil de responder essa pergunta porque eu teria que fazer uma lista gigante, a música pra mim está desde o som da água do chuveiro, da torneira, da fonte, até o canto dos pássaros. Eu gosto de música que me faz relaxar, tem momento que eu gosto de música que me faz dançar, que me faz pensar, que me faz chorar. Música pra mim é algo ligado diretamente aos sentimentos, música que me faz sentir feliz… Eu só não gosto de música que me faz sofrer, eu sou muito mais do ”superar”. Eu gosto de música que me dá esperança. Nesse momento a música brasileira está precisando disso, da música que faz superar, chega de sofrimento!

SERVIÇO

O que? Show Gaby Amarantos e Jurunas Som Sistema
Quando? Dia 30 de janeiro a partir das 00h
Onde? Praça Almirante Saldanha – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza

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