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A luta pela democracia resiste: estudantes tem lado certo na história

26/08/2016 às 18:22, por Cristiane Tada.

UNE não esmorece e estará em Brasília na última etapa da votação do impeachment

Oito meses depois de ter sua tramitação iniciada no Congresso Nacional, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff começou a ser decidido nesta quinta-feira (25) e deve terminar na segunda-feira (29) quando a presidenta fará pessoalmente sua defesa no Senado Federal contra o processo que a retirou ilegitimamente do poder.

Estudantes e demais movimentos sociais, CUT, Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo farão um conjunto de atividades em Brasília. As manifestações começam às 8h de segunda-feira (29) em frente ao Senado. Já no domingo será montado um acampamento na capital federal com a presença de milhares de pessoas.

Para a UNE, entidade que sobreviveu a duras custas a um período de exceção, a democracia é nosso maior bem e é preciso zelar sempre por ela. “Disputar a narrativa da história, conscientizar, denunciar o golpe em todos os ambientes e radicalizar na defesa da democracia é o tom do atual momento”, diz documento aprovado por estudantes de universidades de todo o Brasil reunidos em Julho em São Paulo.

As entidades do movimento social já mostraram sua força de mobilização desde que iniciaram as movimentações golpistas no país. Foram dois anos de muita luta nas ruas e manifestações em todos os Estados do Brasil para defender um mandato legitimamente eleito. Relembre a luta pela democracia:

Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Atual

A UNE integra as duas iniciativas que vendo avanço de setores conservadores inconformados com o resultado as urnas resolveram se articular para defender o resultado soberano das urnas. Foram dezenas de passeatas, e muita coragem para defender o lado certo da história, o lado dos avanços das políticas sociais, do aumento do financiamento para a educação, lado de ações que democratizaram o ensino superior brasileiro.

Este os destaques nas manifestações lembramos do dia dia 18 de março, quando um mar de gente formou uma trincheira colorida de resistência e tomou conta da Avenida Paulista em SP com mais de 350 mil pessoas ao som do mantra: Não vai ter Golpe! Pelo país afora a movimentação se repetiu.

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Avenida Paulista tomada no 18 de março 

Logo depois no 31 de março, Dia Nacional de Mobilização, o movimento estudantil de todo o Brasil ocupou as ruas de Brasília e as principais capitas com a sua Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira.

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Dia Nacional de Mobilização na capital federal 

No dia 10 de Junho 100 mil pessoas pararam a Av. Paulista para ouvir o ex-presidente Lula defender a democracia.

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Presidenta da UNE, Carina Vitral, fala para 100 mil pessoas no 10 de Junho 

Manifestos

Diversos foram os manifestos em defesa da democracia brasileira e contra o golpe. Grupos de juristas, professores, intelectuais, artistas e coletivos de periferia expuseram publicamente sua insatisfação com os rumos da política no país. Em 5 de dezembro de 2015, a UNE soltou nota oficial rechaçando o pedido de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff.

”O povo sofre por conta de uma crise econômica mundial, aprofundada pelo ajuste fiscal, com cortes na educação e diminuição de direitos. Esses problemas não serão resolvidos com o impeachment. É preciso barrar a tentativa do conservadorismo de se consolidar como alternativa e lutar pelo aprofundamento das mudanças com uma nova política econômica e um novo sistema político”, diz o documento.

Coletivos de periferia, reitores de universidades e institutos federais, professores da USP, artistas, intelectuais, juristas, deputados, escritores, feministas, e diversas outras categorias também se posicionaram.

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Artistas e intelectuais defenderam publicamente a democracia 

Votação na Câmara dos Deputados

Em Abril a UNE abriu uma campanha de financiamento para levar os estudantes até Brasília para acompanhar a votação do impeachment no dia 17. Em um mês os estudantes arrecadaram quase 300 mil reais que possibilitou a Caravana da Democracia levar mais de 30 ônibus com universitários de todas as regiões do Brasil para as portas da Câmara dos Deputados na véspera da votação. O montante também financiou despesas com alimentação dos estudantes, camisetas, bandeiras e faixas.

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Caravana pela Democracia levou estudantes de todo o Brasil para lutar pela democracia no Distrito Federal 

#ParaTudoPelaDemocracia

No dia 28 de abril a UNE convocou o Dia Nacional de Paralisação nas Universidades . Foram trancaços, ocupações de reitoria, marchas e paralisações de rua. Durante todo o dia as ações em centenas de universidades marcaram o posicionamento dos estudantes brasileiros contra a ruptura democrática no país.

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Unb em Brasília se mobiliza contra o golpe 

Dia do Trabalhador e Trabalhadora

O 1º de maio deste ano mostrou a força da classe trabalhadora contra o golpe. Em ao menos 14 capitais do Brasil, a UNE se juntou a movimentos sociais regionais e nacionais para celebrar o Dia do Trabalho e defender a democracia. Em São Paulo, o ato histórico contou com a presença de Dilma Rousseff.

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1 de maio em São Paulo 

Comitês pela Democracia

Pouco a pouco a necessidade de resistência foi ficando mais evidente nas instituições progressistas e nas universidades os estudantes organizaram Comitês pela Democracia.O movimento “Universidade pela Democracia” reunia também professores, funcionários, técnicos administrativos e toda a comunidade universitária para formar opinião contra a ameaça ao regime democrático e intervir no presente momento político do país. Ao todo foram mais de 100 pontos de resistência em todos os rincões do Brasil, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

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Protesto na Universidade Federal do Rio Grande do Sul 

Confira uma das ações dos estudantes na UFBA:

Senado diz que Dilma não cometeu crime

Ao contrário do que alega a acusação golpista a perícia pedida pela Comissão Especial do Impeachment no Senado entregou no dia 27 de junho laudo que aponta que a presidenta eleita Dilma Rousseff não cometeu atos que que tenham contribuído, direta ou indiretamente, para os atrasos nos pagamentos aos bancos públicos, chamados pedaladas fiscais.

Cultura pela democracia e Ocupa MinC

A cultura se tornou um pólo de resistência contra o golpe no país. Após o anúncio da fusão do Ministério da Cultura com o Ministério da Educação, medida imposta pelo governo interino golpista, artistas ocuparam sedes da Funarte em todo país e conseguiram, com muita luta, reverter o quadro. Após onda de protestos, Temer desistiu de transformar a Cultura em uma secretaria subordinada ao Ministério da Educação e devolveu à pasta o status de ministério. Esta semana a #OcupaMinC do Rio de Janeiro está completando 100 dias de ocupação.

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Ocupação no Canecão, no Rio de Janeiro, completou 100 dias 

Internacional

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou na última terça-feira (16/8) ao governo brasileiro um documento no qual pede explicações sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, atualmente afastada do cargo.

No âmbito internacional ainda Venezuela, Bolívia, Cuba, Uruguai,Equador e Argentina manifestaram-se contra golpe de Estado parlamentar no Brasil.

Na imprensa publicações como o Der Spiegel (Alemanha), The Economist (Inglaterra), El País (Espanha), Público (Portugal), The Guardian (Inglaterra), Página 12 (Argentina) e a rede de televisão Al-Jazeera, entre outras, denunciam a ameaça contra a democracia brasileira. A maior emissora de televisão jornalística do Catar e a mais importante rede de televisão do mundo árabe fez uma reportagem especial em inglês sobre o papel que a mídia brasileira tem desempenhado na tentativa de tirar Dilma Rousseff da Presidência da República. A Al-Jazeera ainda entrevistou ao vivo o ex-presidente FHC que não conseguiu sustentar seus falhos argumentos a favor do golpe.

Assista:

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