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A luta apenas começou: batalha contra o golpe agora é no Senado

20/04/2016 às 18:17, por Cristiane Tada.

Comissão especial para votar parecer sobre impeachment será formada segunda; estudantes vão pressionar na Casa Parlamentar e em atos nas universidades (foto: estudantes entregam carta contra o impeachment ao presidente do Senado )

Após o golpe contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, votado na Câmara dos Deputados no último domingo (17), com cenas lamentáveis de parlamentares destilando o seu mais puro conservadorismo e desrespeito, o processo de afastamento da líder da República segue agora para o Senado Federal.

Na próxima segunda-feira (25) será eleita a comissão especial com 21 senadores dos 81 que compõe a casa para avaliar se admite ou não o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A comissão tem até 10 dias para apresentar e votar o seu parecer e a estimativa é que isso aconteça até o dia 10 ou 11 de maio. Depois de 48 horas é a vez do plenário do Senado apreciar o parecer.

Para ser aprovado são necessários metade e mais um, ou seja, 41 votos.

Se rejeitado, o processo é extinto.

O Senador Lindbergh Farias (PT-RJ), ex-presidente da UNE, que encabeçou o processo de impeachment do governo Collor, em 1992, é um possível membro da comissão que vai julgar o processo da presidenta Dilma Rousseff. Ele disse, em entrevista exclusiva para os Jornalistas Livres, que mesmo quem apoia o impedimento está constrangido com o que viu no domingo, na Câmara dos Deputados.

“Ficou parecendo que esses caras do PMDB estavam se aproveitando de manifestações legítimas para dar o golpe. Essa virada de jogo é fundamental na hora da votação aqui no Senado”, afirmou.

Em discussão no Plenário ele afirmou: “Nós não vamos reconhecer um governo fruto de um golpe parlamentar fajuto e conduzido por Eduardo Cunha”.

Já o senador Jorge Viana (PT-AC), 1º vice-presidente da Casa, explicou sobre o processo. Ele esclareceu que cabe ao Senado julgar se houve crime de responsabilidade por parte da presidenta da República e que o rito será cumprido de forma correta, sem nenhuma necessidade do processo ser levado ao Supremo, porque não se pretende permitir nenhum atropelo para postergar a apreciação ou mesmo para se fazer rito sumário.

Ele criticou o processo na Câmara dos Deputados. “Nós vimos na sessão da Câmara uma ação de vingança, um desejo pessoal do próprio presidente de outro poder, e realmente a última coisa que foi feita foi apreciar com seriedade o processo”, afirmou .

Novas Eleições Presidenciais

Uma proposta de emenda da Constituição pedindo eleições presidenciais em outubro junto com as eleições municipais foi entregue ao presidente do Senado, deputado Renan Calheiros ( PMDB- AL), por 30 parlamentares, entre eles os senadores João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (Rede AP), Paulo Paim (PT-RS) e Lídice da Mata (PSB-BA).

O questionamento dos senadores que defendem a proposta argumenta que para tirar alguém que teve voto somente um novo eleito que tenha sido votado também.

De acordo com Viana, a tentativa é válida. Ele destaca que Dilma Rousseff foi eleita com 54 milhões de votos há menos de um ano e meio e a possibilidade de Michel Temer tomar o seu lugar, fazendo de Eduardo Cunha (PMDB- RJ) o seu vice sem voto, pode gerar uma instabilidade terrível no Brasil.

Viana entende as críticas da população ao mandato, mas ressalta que o momento é muito sério. Para ele o povo que está nas ruas quer um Brasil melhor, que as coisas melhorem, a economia, política, mas questiona como será se as coisas piorarem por esse governo colocado de forma ilegítima no Palácio.

“Nós temos que ter a responsabilidade de não tomar medidas que possam ferir aquilo que nós temos de muito importante para a vida e funcionamento do nosso país que foi conquistada que é democracia”, afirmou.

O Senador reafirma ainda que, apesar do impeachment estar previsto na Constituição, não ficou caracterizado os crimes que estão acusando a presidenta dos decretos e das chamadas pedaladas fiscais, que nunca foram ilegais.

Frente em defesa da democracia

O diretor de Comunicação da UNE, Mateus Weber, participou nesta terça-feira (19) no Senado no lançamento da Frente em Defesa da Democracia. Assim como foi na Câmara, a Frente conta com a participação de parlamentares, servidores da casa e entidades da sociedade e atua no convencimento dos votos indecisos e principalmente promovendo a reflexão para que o Senado leve a sério a discussão.

Na próxima semana a UNE deve começar a visitar os gabinetes dos Senadores para dialogar com os representantes do povo.

“A luta está só começando, nessa casa contaremos com aqueles que lutam cotidianamente na defesa da democracia. A que depender de nós estudantes, esse golpe não vai passar. A resistência já está montada em centenas de universidades, intensificaremos nossa mobilização. O prazo? É curto, mas nossa história é longa. A nossa geração será marcada por aqueles que garantiram a permanência de uma presidenta eleita e honesta, pois, contra ela não há crime algum. Não aceitaremos nenhum retrocesso”, ressaltou Weber.

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