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“A juventude é o tambor da revolução”, afirma diretor do Sintufrj

17/03/2017 às 20:25, por Renata Bars / Edição: Rafael Minoro / Fotos: Marcos Bruno - CUCA da UNE.


Esteban Crescente participou do 65º Coneg e debateu os impactos das reformas da previdência e trabalhista nas universidades públicas do país

 

A crise econômica que o Brasil enfrenta tem causado sérios impactos no orçamento das universidades públicas gerando cortes, greves e atrasos nos salários de professores e servidores. Os impactos das reformas da previdência e trabalhista neste cenário já nebuloso foram discutidas por diversos convidados na noite desta sexta-feira (17), durante a 65ª edição do Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG).

Esteban Crescente, ex-diretor de assistência estudantil da UNE e atual diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Sintufrj), participou do debate e conversou com o site da UNE sobre a conjuntura e os desafios que a categoria têm pela frente.

Para ele, as reformas representam um grave retrocesso e a juventude, ao lado da classe trabalhadora, tem grande potencial para barrá-las.

”A juventude é o tambor da revolução. Agora, mais do que nunca, ela tem que estar ao lado da classe trabalhadora porque estamos presenciando propostas que retiram nossos direitos e isso não podemos deixar”, disse. Leia mais abaixo:

Como a reforma da previdência vai afetar os servidores das universidades públicas?

A reforma da previdência como está sendo proposta agora iguala todas as condições dos servidores aos trabalhadores de CLT, o que não quer dizer que seja  bom. A proposta já é de deteriorar os direitos dos trabalhadores com CLT e fazer com que isso chegue aos servidores públicos. Então, a idade mínima de 65 anos para se aposentar, o fim da aposentadoria especial em alguns setores onde temos a aposentadoria por periculosidade, e não só por tempo de contribuição, estão estimulando o fim dessas diferenças entre servidores e clts mas não para um fim progressista, é algo para retroagir em direitos.

Sabemos que as universidades públicas, tanto as federais como as estaduais, estão enfrentando muitos problemas atualmente. Como está a situação na UFRJ?

A UFRJ hoje está passando por um perrengue danado. O governo determinou um orçamento e dividiu por 18, sendo que o ano tem 12 meses, né? Então, estamos recebendo pouco por mês, fora o decreto que saiu no começo do ano de contingenciamento na área da educação, isso também retirou muitas verbas. É triste porque as coisas vão caindo aos poucos, e quem sofre primeiro são os terceirizados, porque já ficam com os salários atrasados, os estudantes também sentem porque os benefícios como bolsas, por exemplo, chegam atrasados. E nós, servidores que por enquanto estamos com nossos salários garantidos, temos um problema de condições de trabalho: com a impossibilidade de fazer compras de materiais, de contratar serviços fundamentais para a infraestrutura a gente fica em situação pior. Às vezes precisamos de ar condicionado, ainda mais no Rio, onde faz muito calor, e a gente se vê na dificuldade de não conseguir, ou de não fazer uma manutenção porque a gente não tem recurso. O hospital também tem sofrido muito, é o maior hospital universitário da América Latina, mas vem sofrendo bastante com esse aperto no orçamento.

Nas universidades federais, a questão dos trabalhadores terceirizados já é um problema real: com salários atrasados, muitas vezes os serviços deixam de ser realizados. Com a  reforma trabalhista em vista e a maior flexibilização das leis, como você enxerga o futuro desses trabalhadores nas instituições de ensino?

Mesa sobre as reformas da Previdência e Trabalhista durante o 65º CONEG

A terceirização é um problema por si só. Os trabalhadores já sofrem com esse mal que foi criado justamente para aumentar a margem de lucro dos setores empresariais dentro das universidades. Eu acredito que a tendência é piorar. Salários vão continuar deixando de ser pagos porque muitas das empresas, mesmo sendo grandes, muitas vezes não efetuam o pagamento para chantagear as universidades. Existem regras contratuais que determinam que essas empresas tem que ter suporte para aguentar três meses sem pagamento, mas muitas delas com um mês dizem não suportar, então, acredito que a situação ficará muito pior se houver mais flexibilização.

Quais serão os próximos passos dO Sintufrj na ofensiva contra a retirada de direitos dos trabalhadores?

Nós acreditamos que tem que haver uma contra-pauta. E a nossa é a da classe trabalhadora, porque entendemos que a reforma da previdência tem como objetivo pagar o juros da dívida externa, na mesma linha da PEC 55, uma economia para pagar juros e ajudar o setor financeiro e no segundo aspecto aumentar a jornada de trabalho e a exploração do trabalhador. A nossa proposta é para que haja auditoria da dívida pública, taxação das grandes fortunas, que as isenções bilionárias das multinacionais sejam cobradas.

Qual a sua opinião sobre espaços de discussão como o Coneg da UNE? As lutas dos estudantes, professores e servidores ficam fortalecidas se tratadas em conjunto?

Com certeza. A juventude é o tambor da revolução. A UNE tem papel histórico fundamental em nosso país em lutas como as ‘’Diretas Já!’’,  e recentemente, tem se colocado na linha de frente contra o golpe que ocorreu no país. Agora, mais do que nunca, ela tem que estar ao lado da classe trabalhadora porque estamos presenciando propostas retiram nossos direitos e isso não podemos deixar.

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