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A Greve Geral inicia uma agenda de lutas contra o golpe, diz Contee

11/11/2016 às 14:19, por Natasha Ramos.

“Teremos que fazer outras ações, como a que está sendo apontada para o dia 29 e, se possível, outras em dezembro, que será a data final para aprovação da PEC no Senado”, diz Gilson Reis, coordenador geral da Contee. Hoje (11), acontece a greve geral, com mobilizações em todo o Brasil

A PEC 55 (antiga 241) talvez seja a pior medida do pacote de maldades de Temer, pois irá afetar a vida de milhares de brasileiros por um tempo demasiado longo. As entidades dos movimentos estudantis, educacional e sociais precisam continuar informando a sociedade sobre os retrocessos que essa medida trará para áreas como Educação e Saúde não só para a nossa geração, mas para os que ainda estão por vir. E construir uma agenda unitária de atividades de combate às ações do golpe.

É o que defende Gilson Reis, coordenador geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em estabelecimentos de Ensino (Contee), uma das entidades do movimento educacional que participará da reunião dos próximos dias 14 e 15 na UnB, convocada pela UNE e demais entidades estudantis. Nesse encontro, será deliberado sobre a caravana a Brasília no dia 29 de novembro, quando ocorre a votação em primeiro turno da PEC 55 no Senado Federal.

“A caravana tem importância, como tem as mobilizações do dia 11 e a reunião dos dias 15 e 16: é um acúmulo de força, de unidade de luta, de organização e de construção da resistência e enfrentamento ao golpe”, afirma Gison Reis. Confira a entrevista na íntegra:

Vários especialistas já afirmaram que a PEC 55 (antiga 241), além de ser um retrocesso em áreas sociais, não resolverá a situação econômica do país de imediato,  trará efeitos apenas a médio/longo prazo, e que há alternativas melhores. Por que, na sua opinião, essa medida avançou na Câmara e segue para o Senado?

Essa PEC vem no bojo de um golpe de estado, orquestrado pela elite brasileira que assumiu o comando do país, e [essa medida] foi estruturada para dar resposta ao setor financeiro, que comanda a economia e política brasileira atualmente. Essa medida, então, vai ao encontro do interesse de setores que tem relação com o setor financeiro e grandes grupos empresariais, que ajudaram na articulação do golpe.

Os grandes objetivos dessa PEC então seriam, fundamentalmente dois:

Primeiro, diminuir o recursos da Educação e Saúde, por isso é uma PEC, pois se [esse corte] fosse outras áreas poderia ser de outra forma. Eles querem ter a liberdade de investir menos que os 18% do orçamento público federal que hoje vão para essas áreas. E abrir espaço para o setor privado avançar nessas áreas.

Em segundo, conformar o orçamento público federal para garantir o retorno do capital financeiro, com o pagamento dos juros da dívida pública.

Quais os argumentos práticos contra essa PEC 55?

Um país como o Brasil não pode inverter a lógica, tirando recursos que atendem a milhões de brasileiros, e que ajudam no sentido de diminuir a situação de abandono e de miséria que vive uma parcela considerável do nosso povo e entregar esses recursos às 20 mil famílias que detêm as títulos da dívida pública brasileira. Você vai retirar recursos que beneficiam milhares de famílias brasileiras para garantir o retorno financeiro dessas 20 mil famílias.

42% do orçamento da União está comprometido com o pagamento de juros e rolamento da dívida. O sistema financeiro vive da ‘vampiragem’ dessa dívida que, na prática, é impagável. Eles vivem dos juros dessa dívida, não é do interesse deles quitá-la.

Como as mobilizações do dia 11 de novembro podem ajudar a barrar essa medida?

Essas manifestações desta sexta-feira (11) têm uma importância tática interessante. Penso que, desde a consumação do golpe, é a primeira vez que vamos construir algo mais amplo e unitário. Isso vai sinalizar para nós, da sociedade civil e dos movimentos populares, a necessidade de ampliar essa ação para outras, que temos que trazer para frente.

Hoje (11), pode entrar para a história como a retomada do processo de organização e mobilização das atividades de combate a esse golpe. Será marcado como a data que inicia um processo de luta que precisamos travar nesse próximo período. Teremos que fazer outras ações, como a que está sendo apontada para o dia 29 e, se possível, outras em dezembro, que será a data final para aprovação da PEC no Senado.

Mesmo depois, precisamos continuar com a nossa luta. As centrais sindicais já indicam uma greve geral no país para o início de 2017.

Todas essas ações, o acúmulo de forças, vão sinalizar a nossa capacidade de enfrentamento ao golpe, e consequentemente, de barrar medidas como essa PEC.

Como conscientizar a opinião pública de que esta medida será ruim para todos?

Todas as nossas organizações estudantis, sindicais e movimentos sociais estão informando as suas bases sobre o que representa essa PEC. Começamos a atingir uma parcela significativa da sociedade e, mesmo com a imprensa articulada com o governo golpista, temos conseguido chegar na mente e coração das pessoas. Um símbolo disso, são as mais de 1.200 escolas que foram ocupadas no país.

Diferente do que falou Temer, os estudantes sabem não só sobre a PEC e sobre a MP do ensino médio, mas também sobre os interesses que estão por trás do governo golpista.

Precisamos ampliar isso, usar s nossos canais de comunicação e redes sociais para continuar informando não só sobre a PEC, mas também sobre a MP do Ensino Médio, a reforma previdenciária, a reforma trabalhista, enfim, esse conjunto de ações que vêm no processo do golpe.

No dia 15, haverá uma reunião conjunta de todas as entidades estudantis e várias entidades do movimento educacional, sendo a Contee uma das convidadas. Na sua opinião, qual a importância dessa união neste difícil momento por que passa o país?

Essa reunião tem um objetivo importante de reforçar a unidade das organizações da educação, e traçar uma agenda de enfrentamento não só de questões relacionadas a este setor, mas contra todas ações do golpe.

Também será a partir dessa reunião que iremos elaborar o manifesto dos pioneiros da educação do Brasil, no qual iremos elencar as questões centrais da luta pela educação pública, gratuita e de qualidade, que deve criar um clima de agitação em todo o país.

Ter uma caravana de professores e estudantes no Senado, no dia da votação da PEC, pode fazer diferença? Qual a importância dessa pressão?

A caravana tem importância como tem os dia 11, e a reunião dos dias 15 e 16: é um acúmulo de força, de unidade de luta, de organização e de construção da resistência e enfrentamento ao golpe.

A partir do dia 16, vamos reunir todos os nossos esforços, das entidades nacionais e locais, para garantir uma grande caravana a Brasília que irá questionar a aprovação da PEC.É um confronto que temos que fazer.

Temos que manter essa perspectiva de unidade sobre as ações, estabelecer agenda mínima de luta, e garantir uma carta, um novo manifesto da educação, da nova escola, e do que pretendemos e, partir disso, construirmos a nossa unidade de luta.

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